top of page

O jornalista, advogado e escritor Walbert Monteiro, amigo de velhos tempos, é daqueles cristãos que restam sinceros, no mar de hipocrisia que banha imenso rebanho. Frequenta e faz parte, portanto, daqueles a que se pode atribuir o adjetivo fiel, quando se trata da compreensão, da apreensão e das práticas dos valores que os evangelistas apontaram nas prédicas do Nazareno. Graças a isso, é capaz de interpretar as palavras do sucessor de Francisco e fazer de sua interpretação algo que leve seus correligionarios, os verdadeiros e os outros, a profunda e sincera reflexão. Uma tarefa - sejamos óbvios - hérculea, em tempos que fizeram do templo balcão de negócios, a empresa que nem a Fausto ocorreu de criar. Ontem, O Liberal, de Belém, editou o segundo texto de Walbert, comentando a primeira encíclica de Leão XIV. IntituladoMagnifica Humanitas, o pronunciamento papal ratifica, reforça e mantém o caminho que o cardeal argentino inspirado no santo de Assis indicou aos vinculados à Igreja. Incomodava a Francisco, como maltrata Leão, a renuncia à condição humana, o chamado animal superior embevecido - igualmente imbecilizado - pelas promessas da tecnologia. Tido como o animal superior, porque ao instinto natural acrescenta a consciência que cria cultura, filosofia e Ciência, o homem parece seduzido pela possibilidade de tornar-se, ele também, o mais feroz, voraz e desumano dos seres criados a partir de Adão e Eva, ou da evolução dos primatas, segundo o digam sua inteligência e seus mitos e ritos. Tudo, porém, no aparente uso do livre arbítrio, este também fruto da percepção e da interpretação que só a consciência oferece. 0 texto de Walbert, claro, leve e preciso, ocupa nosso Espaço Aberto.

 
 
 

Duas constatações, ao redor do jogo do Brasil ontem: 1°. Somos a equipe mais lenta dos disputantes. 2°. Fora do gramado, Neimar pelo menos não passa mais tempo deitado. Uma terceira poderia ser acrescentada, mas não o faço, antes de dar três toques na madeira: a vitória sobre a Escócia diz pouco; a seleção dos gringos é a mais fraca desta Copa.

 
 
 

São muitos e variados os sentimentos e evocações suscitados pelas águas. Onde quer que elas se apresentem, seja qual for o que as contempla. Salvo em relação àqueles que a tomam apenas como bem de consumo, porque lhes falte o mínimo de imaginação. Se canções de Caymmi, a tela de Munch, a constatação de Heráclito e oLusíadas emergem do fundo do espírito do observador, não só eles respondem à provocação do deslumbramento e do pavor que o oceano impõe ao que o observa. Quando Pessoa afirmou ser preciso navegar - mais que viver -, ele disse de outra forma o que outros têm dito, a respeito do mar. Tenha sido o objeto de sua contemplação navegado ou não. Santiago, o pescador cuja faina foi primorosamente descrita por Hemingway, ou Saramago e sua jangada de pedra incluem-se dentre a relação do homem e o mar. Também a troca nem sempre justa e recíproca entre as águas e os que dela jamais um dia prescindirão. Se elas, as águas fartas ou escassas, desde que corram, jamais serão as mesmas, com o homem não é diferente. Ora ele é um navegador; ora, um mergulhador; ora, ainda, um pescador. Em todos eles, porém, há certa identidade que os aproxima, se seus olhos contemplam a cena deslumbrante e pavorosa do mar. E de seus encantamentos. Aí, então, as águas com as quais convivemos, próximos ou distantes das águas oceânicas, exigem de nós, para entendê-las, amá-las e defendê-las, o sábio exercício do dibubuiar.


 
 
 
bottom of page