Nas mesmas -nunca - águas
- Professor Seráfico

- 25 de jun.
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São muitos e variados os sentimentos e evocações suscitados pelas águas. Onde quer que elas se apresentem, seja qual for o que as contempla. Salvo em relação àqueles que a tomam apenas como bem de consumo, porque lhes falte o mínimo de imaginação. Se canções de Caymmi, a tela de Munch, a constatação de Heráclito e oLusíadas emergem do fundo do espírito do observador, não só eles respondem à provocação do deslumbramento e do pavor que o oceano impõe ao que o observa. Quando Pessoa afirmou ser preciso navegar - mais que viver -, ele disse de outra forma o que outros têm dito, a respeito do mar. Tenha sido o objeto de sua contemplação navegado ou não. Santiago, o pescador cuja faina foi primorosamente descrita por Hemingway, ou Saramago e sua jangada de pedra incluem-se dentre a relação do homem e o mar. Também a troca nem sempre justa e recíproca entre as águas e os que dela jamais um dia prescindirão. Se elas, as águas fartas ou escassas, desde que corram, jamais serão as mesmas, com o homem não é diferente. Ora ele é um navegador; ora, um mergulhador; ora, ainda, um pescador. Em todos eles, porém, há certa identidade que os aproxima, se seus olhos contemplam a cena deslumbrante e pavorosa do mar. E de seus encantamentos. Aí, então, as águas com as quais convivemos, próximos ou distantes das águas oceânicas, exigem de nós, para entendê-las, amá-las e defendê-las, o sábio exercício do dibubuiar.

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