Se ainda se criassem porcos como no passado, os chiqueiros agora seriam local destinado também a outro tipo de atividades. Neles bem poderiam ser realizadas as entrevistas e debates sobre os candidatos a qualquer cargo eletivo. Depois, os tratadores cuidariam de passar o escovão e os líquidos necessários à remoção da sujeira produzida e espalhada no local. Uma espécie de tratamento que caberia às autoridades policiais e judiciárias executar, tantas vezes impossibilitado pela ação dos mesmos protagonistas das entrevistas e debates. Sem dúvida, manifestação integrante do toma-lá-dá-cá que se sabe vício recorrente no exercício de atividades que Aristóteles dizia inerente ao ser humano. Dou-te o título de miliciano, acusas meu filho de ter praticado o crime de tráfico de influência; chamas-me de ladrão, devolvo a acusação nomeando-te autor de uma série de crimes ainda por apurar. Simplesmente, a arapuca em que têm caído os que podem mostrar resultados positivos em ação política anterior, inadvertidos da cilada do opositor. Nada se dá, se nada se tem. Os que têm algo a dar prejudicam-se, assim, permitindo e colaborando para a mudança de pauta das apresentações e debates, cujo tempo acaba por ser gasto mais por questões policiais que poltícas. E as espertezas dos escassos em inteligência e compromissos com o povo ganham pontos. A Revolução dos Bichos, de Orwell, parece não ter dito tudo.

José Alcimar de Oliveira*
01. Há 1596 anos, em 28 de agosto, Santo Agostinho partiu da imanência histórica para a transcendência transepocal.
02. Há dois continentes em que o Mestre do Ocidente imprimiu sua marca indelével: o do tempo e o da história.
03. A clássica definição agostiniana do tempo como distentio animi (distensão da alma) tornou-se incontornável para a reflexão filosófica.
04. Quanto ao continente da história, temos no Mestre de Hipona a primeira formulação sistemática de uma interpretação teológica (e filosófica) do devir histórico.
05. É em Santo Agostinho que o chamado período da Patrística cristã encontra a sua mais elevada formulação teológica e filosófica.
06. Santo Agostinho, ao romper com o maniqueismo e subtrair conteúdo ontológico ao mal, afirma o livre arbítrio humano.
07. Nesses tempos de elogio à imbecilidade, de afronta à cultura, de falsificação da história e da destruição da memória, nada mais atual do que a reivindicação agostiniana da sabedoria como medida da alma.
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*Professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Amazonas. 28 de agosto de 2026.

