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Presos no labirinto

pelos dedos de Dédalo

negado

encontramos Mefistófeles que

o fizesse

Teseu fez-se ausente

todavia

todo o tempo

impossível tessitura

não fosse a linha

da vida


Ariadne a tecelã

entretecendo ilusória

entristecida liberdade

vã tentativa

devolução improvável

do que nosso

fora

era

quando será?


Onde encontrar

fio libertador

bússola capaz

de nos fazer livres

dos estreitos

intrincados caminhos

obscuros

para onde

não se sabe


Oxalá

fosse miragem o

Minotauro

dispensados Teseus

improvisados

enfurecidos

longe o menor

arrazoado

covas tornadas batistérios

indesejados

trajetos tortos

viagem a lugar

ignorado

sem volta de que se

diga

para onde

não sabem os vivos

menos ainda os

que são - e serão -

mortos.


Manaus, 27.02.2021




 
 
 

Nossos olhos nem precisam

ser azuis

tez amorenada cara de índio

caboclos é o que todos somos

composição cromática

ameríndios gestados nos trópicos

empenhados em replicar sob o equador

costumes hábitos distópicos

desejo permanente

irreverente persistente

de alcançar o fausto

nem que seja afastados do raciocínio lógico

em meio à fome à dor

em cena tão dramática

preciso for promovendo novo e próprio

holocausto

já sem fornos pelotões de tiro

ou apertadas câmaras

obra construtora de constrangimentos

e gênios

diferente não tem sido o destino

dos que por vírus ou carência de oxigênio

dispensam Treblinka

não precisam conhecer Dachau

de Auschchwitz querem distância

fazer o mal não é para quem brinca

nem mesmo se feliz a circunstância

sequer a cruz nos faz distintos

mostrando-se grega tau alçada

bizantina sendo ou talvez

a dos arcanjos

variada se de Jesus ou dos apóstolos

variedade também na escala cromática

escalada maldita e dramática

lembrando sacrifício nunca visto

rememoração a todo instante percebida

de um homem a quem se chama Cristo

em cujo nome é mostrada

toda força e reverência

genuflexos diante

da suástica.

Manaus, 22.fev.2021

 
 
 

Chamem-me, por favor

de esquerdopata!

não titubeiem, ao chamar-me

com presumível generosidade

de esquerdista

pelo menos desta vez

estarão aproximando-se

uma vez que seja

da verdade.


Usem os adjetivos a que

rendem reverência

com uma e exclusiva

solicitação:

tudo quanto disserem

há de qualificar minha preferência

pelos pobres, os sofredores

os que têm fome

os perseguidos porque pensam

e sabem dizê-lo

os que não desdenham da Ciência

os que à morte

preferem a Vida.


Peço-lhes, porém

jamais me chamar

de genocida.

Outros têm feito

por merece-lo

não é a presença deles

que me conforta

como a ninguém confortará

se não for pedir demais

somem ao meu

mesmo se lhes custa

encontrar dentro de

si mesmos

o desprezo que lhes dedico


Nem lhes peço

porque ignoro

dediquem o mesmo asco

que meus sentimentos

nutrem pelos necrófilos




 
 
 
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