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Vitória Seráfico*


O pisca-pisca das lâmpadas e aquela musiquinha suave despertaram a atenção de Pedro. Sem entender bem o que era aquilo, o menino se aproximou da Árvore de Natal. Não era muito grande; aproximadamente 1,50 m de altura, mas se tornava quase gigantesca ante a figura franzina do garoto.

    Ele parou para observá-la. Mostrava-se extasiado com a beleza daquele vistoso objeto, até então desconhecido para ele, com bolas multicoloridas, brilhantes, num constante acender e apagar, além da música tão bonita que invadia o ambiente. Diante da Árvore, a criança sonhava. E conversava. Sim, Pedrinho punha-se a “conversar” com a Árvore de Natal:

         - quem é você?

         - Eu sou uma Árvore de Natal.

- Árvore ... de... Natal? Eu não sabia que existia árvore de Natal. Na minha rua há muitas árvores; mas eu não sabia que o Natal tem árvore!

- Natal tem árvore, sim.

- E quem plantou você aí?

- Ah, quem me plantou aqui? O Amor.

- O Amor? Não entendi! Amor a gente nem vê! Não tem pernas nem braços; como é que pode plantar alguma coisa? Você está brincando. Me diga: quem plantou você aí?

- O Amor, já disse.

- Mentira sua. Você está mentindo pra mim.

- Meu menino, foi o Amor que me plantou aqui. Mas eu não estou só aqui. Eu estou também no coração das pessoas.

- O quê? No meu coração não há nenhuma árvore de Natal. Você está é maluca!

- Estou, sim, no seu e no coração de todas as crianças. E mais: no coração de todas as pessoas que sabem o que é AMOR.

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*Formada em Letras, pela Universidade Federal do Pará, a autora é cronista e artista visual. Vez por outra, comete alguma letra de composição musical. É uma das colaboradoras deste blog.

 

 
 
 

Uma newsletter sobre o outro lado do jornalismo

Bárbara Reis

Pela janela norte-americana só se vê escuridão. Não é uma surpresa, mas estarmos a fechar o ano aumenta a angústia.

Chegamos ao fim de 2025 com Donald Trump, Presidente dos EUA, a dizer que só vai dar vistos a jornalistas simpáticos. Não é literal, mas é isso. A notícia triste é que se as “velhas” políticas de Washington para os meios de comunicação social, as tomadas em 2025, são perturbadoras, tudo indica que as de 2026 vão ser ainda piores.

Em registo de balanço, 2025 foi assim nas relações de Trump com tais meios:

– Disse várias vezes que os jornalistas são “inimigos do povo”, uma frase típica dos ditadores;

– Revogou credenciais de imprensa a órgãos de comunicação social sérios e respeitados, como a Associated Press;

– Mudou o acesso dos jornalistas aos briefings na Sala Oval, na sala de imprensa da Casa Branca e no Pentágono, e às viagens no Air Force One: a escolha deixou de ser feita pela associação nacional dos jornalistas, como é a tradição, e passou a ser feita pela própria Casa Branca;

– Trump incentivou a hostilidade geral em relação aos jornalistas, apontando o dedo, em comícios e discursos públicos, para a área reservada aos meios de comunicação, provocando vaias, insultos e ameaças dos populares contra os repórteres que cobriam as suas acções públicas;

– Atacou jornalistas incómodos com insultos pessoais: a jornalista A é “feia por dentro e por fora”; a jornalista B é uma “porquinha”; o jornalista C é “pouco inteligente”; o jornalista D “tem um Q.I. baixo”; o jornalista E “só faz perguntas estúpidas”;

– Processou empresas de comunicação sem fundamentos sólidos, para não dizer, com argumentos ridículos (New York Times, Wall Street Journal, BBC, ABC, CBS…);

– Passou o ano a tentar desacreditar notícias e investigações factualmente corretas dizendo que são “notícias falsas”;

– Ameaçou revogar as licenças de transmissão das estações que o criticam;

Etc.

Tudo isto serve o propósito de tentar restringir ou intimidar jornalistas e empresas e limitar a liberdade de imprensa.

Em 2026, Trump vai caprichar.

O meu colega Pedro Guerreiro, que foi correspondente do PÚBLICO nos EUA nos últimos dois anos, assistiu a tudo isto de perto e acaba de escrever sobre as novas medidas de Trump contra os meios de comunicação. Meu deus. O que aí vem não é bonito.

No início do mês, a Administração Trump “deu ordens aos consulados para rejeitarem vistos de trabalho qualificado a estrangeiros que tenham estado envolvidos em atividades de verificação de fatos, moderação de conteúdos, segurança online ou combate à desinformação”.

Percebe-se que Trump não goste de verificadores de fatos, mas entre isso e proibir a sua entrada nos EUA vai um passo de gigante. Só quem não quer é que não vê o que se está a passar. Hoje, quando olhamos para as velhas ditaduras, pensamos “como é possível?”, “que tempos estranhos”, e usamos a palavra “ridículo” para descrever as proibições: em Portugal, era proibido os jornais publicarem notícias sem o visto prévio dos censores, era proibido as mulheres votarem ou saírem do país sem autorização dos maridos, era proibido as enfermeiras se casarem, era proibido às mulheres serem juízas ou diplomatas. “Que ridículo”, dizemos.

Agora, olhamos para as proibições de Trump com o mesmo espanto: é proibido emigrar para os EUA se o currículo de trabalho incluir as palavras “verificação de fatos”, “moderação de conteúdos”, “segurança online” e “combate à desinformação”. Já sabíamos sobre o incômodo que as palavras “mulheres” e “igualdade” causam a este Presidente. Já sabíamos que os turistas que visitam os EUA terão de passar a mostrar a sua atividade nas redes sociais dos últimos cinco anos. A lista aumenta.

Mas há mais. Trump também anunciou que vai reduzir a duração dos vistos de imprensa, o I Visa, para 90 dias para os jornalistas chineses e 240 dias para os jornalistas do resto do mundo. Até agora, este visto para correspondentes estrangeiros não tinha limite de duração, desde que ligado a um órgão de comunicação social. Isso dava estabilidade e previsibilidade. Se avançar, os correspondentes estrangeiros terão de pedir a renovação do visto a cada sete meses. Alguém tem dúvidas sobre qual é a intenção desta medida?

É claro como a água o que Trump está a fazer com os jornalistas. Dentro e fora, só quer jornalistas simpáticos. Percebe-se porquê: porque o jornalismo incomoda e porque Trump é pouco democrático.

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*Transcrito do PÚBLICO, Portugal.

 
 
 

É preciso ficar de olhos bem abertos. A campanha eleitoral para presidente da república já começou. Não existe fogo amigo e todo deslize individual será atribuído ao coletivo.

Os golpistas, fascistas e seus asseclas são muito bons em criar versão mentirosa ou farsa para desgastar os democratas, as instituições, os progressistas e, principalmente, o Lula, que dispara em todas as pesquisas de opinião.

Ontem, por exemplo, o senadores Renan Calheiros, figura de reputação nada ilibada, e Alessandro Vieira, lavajatista de carteirinha, usaram a tribuna do senado para denunciar um grande acordo envolvendo a base bolsonarista daquela casa, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, e o governo Lula, para aprovar a redução de pena para os golpistas de 8 de janeiro (PL da dosimetria).

Uma denúncia sem prova, uma versão sem qualquer base histórica ou fundada em experiência recente. E vindo de dois políticos com histórico de se envolver com o que não presta e com tramóias, como a lavajato.

Imagine você se o ministro Alexandre de Moraes iria se envolver em trama para reduzir pena de golpista. Logo ele, o terror dessa corja.

Imagine você se Lula iria fazer acordo para reduzir pena ou anistiar criminosos que tramaram sua morte, o fim da democracia e a instauração de um estado de obscurantismo.

Bastou um deslize do líder do governo no senado, Jaques Wagner, para formação de versão mentirosa, sem qualquer comprovação, apenas elucubrações com fins eleitorais.

Sim, fins eleitorais.

A campanha já começou. Agora, qualquer deslize de um será atribuída ao Lula.

Bastou Lula e Alexandre de Moraes estarem juntos, trocando gentileza num evento, o que é normal na relação institucional entre agentes públicos, para ser criada uma versão mentirosa de acordo para aprovar redução de pena para golpistas.

Isso é campanha. E campanha contra o Lula.

Bastou a esquerda, os movimentos sociais, os democratas e progressistas saírem às ruas no domingo passado para se criar uma trama desgastando o governo Lula e o STF.

Lula, Alexandre de Moraes, STF, PT e partidos de esquerda, jamais negociariam para atenuar punição para os criminosos de 8 de janeiro. Não esqueça quem é Alexandre de Moraes nesse processo.

A campanha já começou e temos um lado, o lado da democracia. Quem se aliar ao discurso do outro lado estará fazendo a campanha dos golpistas.




Lúcio Carril

Sociólogo

 
 
 
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