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Se já vivemos em tempos de trevas, aumenta nossa responsabilidade sobre que tempos desejamos viver, a partir de 01 de janeiro de 2023. O humorista Eddy Jr., agredido por vizinhos, porque é preto e pobre, decidiu deixar o apartamento em que morava, pela insegurança que o cerca. Alguns vizinhos dele, ao invés de forçar (a convenção dos condomínios favorece isso) a saída dos agressores, saudou e elogiou a decisão de Eddy de abandonar sua casa, ao menos temporariamente. O correto, se estamos falando de respeito aos direitos humanos, seria serem as autoridades acionadas para: 1º. determinar medidas cautelares que evitassem a repetição das agressões e ameaças que o humorista sofreu. A mulher racista e seu filho, por exemplo, poderiam ser proibidas de aproximar-se dele em número de metros correspondente ao alcance de uma garrafa de vidro ou de um facão; 2º. busca e apreensão no apartamento dos racistas, para levar de lá armas de fogo que, devidamente autorizadas e de uso estimulado pelas autoridades, eventualmente estejam sob sua guarda; 3. aplicação de todas as penalidades (por enquanto, soube-se que lhes será aplicada a multa prevista;) legal ou convencionalmente previstas. Nunca o voto do cidadão valeu mais quanto hoje. Com ele, pode fazer-se a luz. A História está cheia de exemplos trágicos que começaram assim. Não é um bigodinho no rosto furibundo que leva a esse situação de barbárie, mas o que frequenta cabeças (se há algo dentro delas, além de esterco) e corações enfurecidos.

 
 
 

Informam os media que as campanhas dos dois candidatos não abrem mão do foco de atenção até agora atacado. Do lado do ex-capitão, as armas todas miram nos costumes; os apoiadores e a militância de Lula preferem centrar suas baterias em outra pauta. A ideia de que ambas as campanhas compartilham é comum. Resume-se, dizem os comentaristas, a aumentar a rejeição medida de um e outro, reciprocamente. Neste item, a posição de Lula é favorável, tanto quanto a tendência de recepção de votos. Aqui, é registrada uma diferença de cerca de 6% de Lula sobre seu oponente. Quanto à rejeição, os levantamentos apresentam diferença pouco menor, sendo mais alta a rejeição do ex-capitão. Lamentável é observar não serem as eventuais virtudes (plano ou, ao menos, políticas de governo) dos contendores que estão em jogo, mas os vícios de cada um como fundamento da recusa do voto. Nesse aspecto particular, a régua parece não fazer diferença significativa entre o ex e o atual Presidentes. Troca-se, portanto, o que parece mais interessar aos eleitores - saber do que será feito, pelo que de mau se inscreve na folha corrida de ambos. E das propostas, que um tenta mostrar que tem - e o que fez, antes. O outro todos sabemos incapaz de pensar por sua própria cabeça, a não ser se pintar um clima... Possivelmente, isso responderia pela escassa diferença de votos esperados por um e outro, em algumas regiões do País. Lá onde a disputa numérica é contida dentro da margem de erro, fica a impressão de que os vícios, não as virtudes, orientam os eleitores. Daí a ineficácia da crítica à corrupção, que a maioria dos eleitores tem como patrimônio (ops!) dos dois. Foge a essa situação apenas o Nordeste, como a diferença (40%) a favor de Lula o comprova. A corrupção feita com justiça, tabula rasa, o resultado do Nordeste tira dos habitantes daquele pedaço costeiro do Brasil o atestado dos benefícios colhidos durante os governos do Partido dos Trabalhadores.

 
 
 

Dois fatos devem estar no radar dos observadores, se desejam acompanhar suficientemente o processo eleitoral, nestes poucos dias que nos afastam de seu desenlace. Um deles tem a ver com a exagerada subserviência que permitiu envolver as forças armadas em mais do que autoriza a Lei Magna. Não é outra a interpretação a ser dada, quando à obrigação de apoiar a logística da distribuição de urnas pelo território nacional, sua guarda e a oferta de segurança aos eleitores junta-se a de chamá-las para o que quer que seja relacionado ao uso das urnas. Não houvesse o mandamento constitucional, não há um só precedente de fraude ou irregularidade no funcionamento das urnas. Se o houvesse, ainda assim seria nula a intervenção que agora se vê ocorrer, sem que a reação corresponda ao autoritarismo exacerbado dos que se pretendem acima dos demais cidadãos. Outro fato diz respeito às manobras que o desespero impõe, como forma de enfrentar o repúdio da maioria dos brasileiros em relação aos atuais (des) governantes do País. Se, no primeiro caso, a recusa em mostrar o relatório que se supõe, com carradas de razão, favorável à lisura do processo eleitoral, pelo menos quanto à urna eletrônica, não é só isso que patenteia o desespero tomando conta dos arraiais vinculados ao Planalto e suas nem sempre limpas adjacências. Refiro-me agora, especificamente à decisão do TSE, quanto ao passe livre no transporte dos eleitores. Mais uma vez é preciso lembrar não ter surgido da cabeça de algum opositor ao regime e ao governo a ideia de favorecer a ida dos votantes às seções eleitorais. O medo do voto popular apenas motivou a parte que se julga prejudicada se houver abstenção expressiva, porque a muitos eleitores seria impossível chegar à seção coletora de votos, simplesmente porque transportar-se até lá tem um custo. Como sempre, e baseada nos fatos e no que a lei permite aplicar a eles, o Poder Judiciário teve que se manifestar. E, mais uma vez, foi buscar na Constituição e no conceito de Estado Democrático de Direito, de resto o cerne da Carta Magna, os fundamentos de sua decisão. Não obstante, pelo menos dois governadores alinhados com a (i)moralidade vigente já se mostraram resistentes à determinação emanada do poder republicano ao qual cabe a apreciação do feito, como se diz na linguagem dos tribunais. Coisa pequena, diante do orçamento secreto e de medidas administrativas que farão de 2023 o poço terminal de um abismo, caso o resultado das urnas seja afetado por fatos atentatórios a tudo quanto signifique Estado Democrático de Direito. Isso é história bem sabida, sempre que a república se vê amesquinhada e o interesse dos cidadãos não entra nos cálculos das partes em disputa.

 
 
 
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