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Embora um dos símbolos do comunismo, a foice agora é a arma preferida pelos que disputam o espólio eleitoral do ex-capitão excluído das forças armadas por indisciplina. Do farto rol de crimes em que ele está envolvido e a polícia e a Justiça investigam, os relacionados ao Direito Eleitoral são os que mais ameaçam o indisciplinado. Cada qual a seu modo, os pretensos herdeiros usam de todo seu manancial de mentiras ou interpretacão destorcida dos fatos. Um deles, e vice-Presidente logo mais no exercício de mandato senatorial, Hamílton Mourão colocou a farda - e os valores que ele e seus camaradas dizem acessórios do traje - vão para o baú. A desobediência do ex-Comandante do Exército, para o experiente político forjado nos quartéis não deveria levar à exoneração do colega. Não é a contradição no discurso que chama a atenção, mas o objeto a que se refere o companheiro de lutas e ideais que hoje está sob a legítima persecução policial e judicial. Os valores ditos patrióticos tantas vezes proclamados sucumbem diante da herança eleitoral. Disciplina, RDE e falso patriotismo dissolvem-se e trocam revólveres e granadas pela foice de que se utilizam os candidatos ao que sobrará do patrimônio eleitoral do ex-capitão. Sem martelo? A conferir.

 
 
 

Todo dia cresce a produção de exemplos da má conduta de nossas elites. Recentemente, divulgou-se a reivindicação de um grupo de biliardários espalhados pelo mundo, que deseja ver tributada com mais força sua fortuna. Dentre eles, nenhum brasileiro. Não se pense que algum deles esteja pensando mais nos outros que em si próprios. Nem que se possa encontrar em seu meio algum que confirme a ideia esposada por Phroudon, para quem o lucro correspondia a um furto. Não. Capitalistas, deram-se conta de que, a permanecer a riqueza na mão de uns poucos, não tardará o dia em que de nada adiantará produzir, se não houver quem consuma o que é produzido. Isso nada tem, sequer, de social-democracia. Muito menos, de socialismo. Enquanto os ricaços de outros países propõem a taxação de suas fortunas, os daqui dão um rombo de 43 bilhões. Outros se manifestam contra a intenção de controlar a grande evasão de tributos, reforçando os mecanismos coletivos como o CARF. Tudo fundado, primeiro, no profundo egoísmo característico de nossa sociedade; depois, na crença de que todos os outros nasceram para servir aos que desejam enriquecer, materialmente apenas. Para isso, compram mandatos, exercem-nos algumas vezes por si mesmos, outras por prepostos; viciam autoridades públicas e promovem e estimulam a corrupção, não importa em que nível da administração pública. Nem se fale da sonegação, que fez a dívida do setor privado com o fisco alcançar a fabulosa soma de 1 trilhão e 300 bilhões de reais. Imaginem esse dinheiro financiando a educação, a saúde e a habitação! Isso não entra na conta de nossos endinheirados, empenhados em divulgar uma das maiores mentiras em circulação - a de que somos o país com mais alta tributação no Planeta. Esta, mentira facilmente contradita, porque os relatórios de entidades oficiais, nacionais e estrangeiras, o desmentem facilmente. É certo que a arrecadação do Erário, por várias razões (uma delas, o conluio dos ricos com os corruptos) não tem oferecido os serviços públicos desejáveis e necessários à população. Esse, porém é problema de somenos, diante das relações de poder que, em grande medida, respondem por ele. Ou nos convencemos de que a exagerada concentração da riqueza é injusta e partimos para reduzi-la, ou nossas elites permanecerão sendo o maior obstáculo à implantação de políticas públicas adequadas. Nada mais que dar concretude a um dos objetivos da república: a redução das desigualdades sociais.

 
 
 

Se não é prova de exacerbado cinismo, as reclamações dos terroristas mantidos nas penitenciárias de Papuda e Colmeia atesta sua imensa burrice. De que se queixam os presidiários? Da qualidade das quatro refeições diárias que lhes são servidas. Mais do que as três que o triPresidente promete pôr no prato dos pobres brasileiros. Talvez o mimimi dos delinquentes presos venha da saudade do filé ou da picanha comprada por quase 800 reais o quilo. Também eles se queixam da superlotação das celas em que estão hospedados. Por enquanto, provisoriamente. Amanhã, não se sabe ainda. Nesse caso, a queixa ignora a realidade dos presídios brasileiros. E para lá, agora, não vão os que discordam do governo. Mas a superlotação é fenômeno antigo, a que nunca eles mesmos, os terroristas, deram a menor atenção. Se tivessem dado, quem sabe a pressão sobre as autoridades seria maior e os outros (ah, sempre os outros!) presos não fossem tratados da forma como o são. Outra das queixas diz respeito às condições sanitárias a que ficam expostos. As maiores reclamações dizem respeito à latrina usada para coletar o que suas mentes sujas enviam para processar nos intestinos. Também ao estado desses sanitários sem sanidade. No primeiro caso, as latrinas (bacias turcas) não são nem mais nem menos que variação (para melhor, diga-se) das que se instalam nos acampamentos das forças armadas. De nada lhes serviu, então, a longa permanência sob os cuidados de organizações militares, que lhes deram proteção e hospitalidade. Poderiam ao menos ter aproveitado o clima de fraternidade mantido com seus anfitriões, para saber mais sobre a vida na caserna e alguns de seus desconfortos. Quanto à higiene das instalações, ninguém de fora está lá; logo, os que fazem sujos os banheiros e privadas são eles mesmos. Ou é o costume de casa que está indo à praça? A saber. Não dá para comentar a queixa a respeito da impossibilidade de lavar lentes de contato. Parece pilhéria, o mimimi levado a extremos. O de que eles podem ter certeza é de que serão todos submetidos ao devido processo legal. E, por isso, não terão o mesmo fim do deputado Rubem Paiva, a que a ditadura tão desejada deu fim. Até hoje não se sabe sequer como e quando ele foi morto. É um dos desaparecidos cujo destino permanece encoberto. É certo, também, que não serão os presidiários de luxo sequestrados, levados para fora do presídio e mortos, em conflito com tiroteio. Algo muito comum, em outros tempos que eles homenageiam e pedem bis. Por isso, serem lançados de avião sobre o oceano ou serem mortos dentro de estabelecimentos públicos, policiais ou militares, é hipótese que não ocorrerá com eles. Todos deveriam, isso sim, clamar o mais alto que puderem para a apuração de responsabilidades não excluísse qualquer dos terroristas, não apenas os patriotários. Os financiadores, os apoiadores com as mãos escondidas, os protetores e cúmplices, portanto. E, quem sabe, logo saíssem da prisão, se engajariam em campanha para a reconstituição da Comissão da Verdade?

 
 
 
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