Os de lá e os de cá
- Professor Seráfico

- 23 de jan. de 2023
- 2 min de leitura
Todo dia cresce a produção de exemplos da má conduta de nossas elites. Recentemente, divulgou-se a reivindicação de um grupo de biliardários espalhados pelo mundo, que deseja ver tributada com mais força sua fortuna. Dentre eles, nenhum brasileiro. Não se pense que algum deles esteja pensando mais nos outros que em si próprios. Nem que se possa encontrar em seu meio algum que confirme a ideia esposada por Phroudon, para quem o lucro correspondia a um furto. Não. Capitalistas, deram-se conta de que, a permanecer a riqueza na mão de uns poucos, não tardará o dia em que de nada adiantará produzir, se não houver quem consuma o que é produzido. Isso nada tem, sequer, de social-democracia. Muito menos, de socialismo. Enquanto os ricaços de outros países propõem a taxação de suas fortunas, os daqui dão um rombo de 43 bilhões. Outros se manifestam contra a intenção de controlar a grande evasão de tributos, reforçando os mecanismos coletivos como o CARF. Tudo fundado, primeiro, no profundo egoísmo característico de nossa sociedade; depois, na crença de que todos os outros nasceram para servir aos que desejam enriquecer, materialmente apenas. Para isso, compram mandatos, exercem-nos algumas vezes por si mesmos, outras por prepostos; viciam autoridades públicas e promovem e estimulam a corrupção, não importa em que nível da administração pública. Nem se fale da sonegação, que fez a dívida do setor privado com o fisco alcançar a fabulosa soma de 1 trilhão e 300 bilhões de reais. Imaginem esse dinheiro financiando a educação, a saúde e a habitação! Isso não entra na conta de nossos endinheirados, empenhados em divulgar uma das maiores mentiras em circulação - a de que somos o país com mais alta tributação no Planeta. Esta, mentira facilmente contradita, porque os relatórios de entidades oficiais, nacionais e estrangeiras, o desmentem facilmente. É certo que a arrecadação do Erário, por várias razões (uma delas, o conluio dos ricos com os corruptos) não tem oferecido os serviços públicos desejáveis e necessários à população. Esse, porém é problema de somenos, diante das relações de poder que, em grande medida, respondem por ele. Ou nos convencemos de que a exagerada concentração da riqueza é injusta e partimos para reduzi-la, ou nossas elites permanecerão sendo o maior obstáculo à implantação de políticas públicas adequadas. Nada mais que dar concretude a um dos objetivos da república: a redução das desigualdades sociais.


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