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De minha parte, desejo sinceramente que o chefe de organização criminosa condenado pelos atentados contra a democracia (disse-o o STF) viva por, pelo menos, novos 27 anos. O quanto baste para ele pagar toda a pena que lhe foi aplicada. Não há como esquecer, porém, que sua condenação resulta do devido processo legal, exatamente o contrário do que ele pregou durante o trágico período 2019-2022. Hoje, a fragilidade física em que ele se encontra apenas corresponde às carências morais e humanas por ele ostentadas. O autoproclamado atleta e ferrenho inimigo dos direitos humanos pede a comiseração de seus contemporâneos, revelando um ser minúsculo, em oposição àquele carrasco que sorria diante da morte de pessoas infectadas pela covid-19. Nada, entretanto, que algum brasileiro possa admitir inédito. Desde quando se envolveu com um plano para destruir o sistema de abastecimento de água da cidade do Rio de Janeiro, o imbrochável não fez outra coisa, se não afrontar a sociedade brasileira e produzir as provas que levaram à sua condenação e à da chusma em que se apoia. Nem por isso, defendo que a ele seja dispensado tratamento semelhante ao que ele ofereceu aos moribundos afetados pela pandemia. Nem que lhe sejam negados aqueles direitos atribuíveis aos seres humanos. Embora o tenha como membro de uma espécie que ainda não chegou ao estado de humanidade. Algo como um quadrúpede que se mobiliza com as duas patas traseiras - não mais. Agnóstico, minha sensibilidade recomenda admitir que a própria natureza tem-se incumbido de aplicar suas penas aos que a agridem. No caso, agredindo a espécie escolhida para alçar-se a outro nivel, como animal superior. Imagino como deve ser difícil enfrentar uma crise de soluços, repetidamente. Outros, objeto da zombaria de quadrúpedes aparentando bípedes, soluçaram, diante de parentes e amigos avizinhando-se da morte. Nem isso me leva a desejar algo semelhante ao presidiário. Basta a aplicação da Lei, com rigor e determinação, como se faz na democracia que tanto o incomoda.

 
 
 

A jornalista Mary Zaidan assina interessante e oportuno texto (Blog do Noblat, 21-12-2025), no qual relaciona alguns dos escândalos financeiros praticados por políticos, nas últimas décadas. O mais remoto deles, chamado "os anões do orçamento", foi objeto de livro escrito pelo editor deste blog, no ano de 1995. Intitulado A república dos anões, conta-se ali, de forma romanceada, o que parecia façanha impossível de superar - seja pela quantia nela envolvida, seja pelo grau de participação de parlamentares na roubalheira. Agora, a jornalista refresca a memória dos leitores, percorrendo alguns dos casos mais aparentes e destacando as formas de esconder a dinheirama roubada. Nada menos que a ilustração da extraordinária criatividade dos ladrões do dinheiro público, quando se trata de contestar as suspeitas, denúncias e acusações. Principalmente, quanto à forma de esconder as quantias roubadas, que não caberia no bolso de qualquer dos envolvidos. A lista chega a ser ridícula, indo da acomodação de pacotes em cuecas, nos glúteos do delinquente, em caixas de vinho (esta, forma recentíssima, ligada ao golpe frustrado em janeiro de 2023), em panelas ou em malas escondidas em garagem de edifício. Enfim, o que tem faltado aos parlamentares, em relação à apresentação de projetos capazes de resolver alguns dos mais sérios problemas com que se há a maioria da população, suas excelências compensam com enorme e audaciosa criação de esconderijos para dinheiro tão farto. E volumoso. As desculpas oferecidas pelos denunciados, o cenho cada vez mais cerrado, não perdem, se comparadas aos locais e objetos onde o produto de sua rapinagem vai parar. Ora é dinheiro resultante da venda de algum imóvel, ora é dinheiro que seria usado para pagar despesas emergentes, em espécie. Os senhores que veem no pix uma excelente forma de pagar seus compromissos e por isso elogiam sua adoção no Brasil, são os mesmos que rejeitam utilizar essa forma de pagamento. Ao que se saiba, mesmo longa, a indicação das sucessivas falcatruas não tem correspondência com o número de delinquentes mandados para o lugar mais merecido por eles - a prisão. Pior é imaginar-se quantas outras façanhas semelhantes ocorrerão, se permanecerem tão lenientes (para não dizer protetoras) as autoridades responsáveis pela polícia e a Justiça brasileiras. É verdade que a Polícia Federal, conhecida antes pelos males causados aos adversários das ditaduras, e pressionada depois para transformar-se em guarda pretoriana das famílias (ou familglie?) dos governantes, vem desempenhando o papel que é justo esperar. No Judiciário, anuncia-se um código de ética que pode dar maior credibilidade aos seus integrantes. Como se vê, está nas mãos do povo contribuir para fazer de escândalos e roubalheira fatos excepcionais e raros. Para isso há eleições.

 
 
 
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