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O que nos espera

A jornalista Mary Zaidan assina interessante e oportuno texto (Blog do Noblat, 21-12-2025), no qual relaciona alguns dos escândalos financeiros praticados por políticos, nas últimas décadas. O mais remoto deles, chamado "os anões do orçamento", foi objeto de livro escrito pelo editor deste blog, no ano de 1995. Intitulado A república dos anões, conta-se ali, de forma romanceada, o que parecia façanha impossível de superar - seja pela quantia nela envolvida, seja pelo grau de participação de parlamentares na roubalheira. Agora, a jornalista refresca a memória dos leitores, percorrendo alguns dos casos mais aparentes e destacando as formas de esconder a dinheirama roubada. Nada menos que a ilustração da extraordinária criatividade dos ladrões do dinheiro público, quando se trata de contestar as suspeitas, denúncias e acusações. Principalmente, quanto à forma de esconder as quantias roubadas, que não caberia no bolso de qualquer dos envolvidos. A lista chega a ser ridícula, indo da acomodação de pacotes em cuecas, nos glúteos do delinquente, em caixas de vinho (esta, forma recentíssima, ligada ao golpe frustrado em janeiro de 2023), em panelas ou em malas escondidas em garagem de edifício. Enfim, o que tem faltado aos parlamentares, em relação à apresentação de projetos capazes de resolver alguns dos mais sérios problemas com que se há a maioria da população, suas excelências compensam com enorme e audaciosa criação de esconderijos para dinheiro tão farto. E volumoso. As desculpas oferecidas pelos denunciados, o cenho cada vez mais cerrado, não perdem, se comparadas aos locais e objetos onde o produto de sua rapinagem vai parar. Ora é dinheiro resultante da venda de algum imóvel, ora é dinheiro que seria usado para pagar despesas emergentes, em espécie. Os senhores que veem no pix uma excelente forma de pagar seus compromissos e por isso elogiam sua adoção no Brasil, são os mesmos que rejeitam utilizar essa forma de pagamento. Ao que se saiba, mesmo longa, a indicação das sucessivas falcatruas não tem correspondência com o número de delinquentes mandados para o lugar mais merecido por eles - a prisão. Pior é imaginar-se quantas outras façanhas semelhantes ocorrerão, se permanecerem tão lenientes (para não dizer protetoras) as autoridades responsáveis pela polícia e a Justiça brasileiras. É verdade que a Polícia Federal, conhecida antes pelos males causados aos adversários das ditaduras, e pressionada depois para transformar-se em guarda pretoriana das famílias (ou familglie?) dos governantes, vem desempenhando o papel que é justo esperar. No Judiciário, anuncia-se um código de ética que pode dar maior credibilidade aos seus integrantes. Como se vê, está nas mãos do povo contribuir para fazer de escândalos e roubalheira fatos excepcionais e raros. Para isso há eleições.

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