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Nem mais, nem menos

De minha parte, desejo sinceramente que o chefe de organização criminosa condenado pelos atentados contra a democracia (disse-o o STF) viva por, pelo menos, novos 27 anos. O quanto baste para ele pagar toda a pena que lhe foi aplicada. Não há como esquecer, porém, que sua condenação resulta do devido processo legal, exatamente o contrário do que ele pregou durante o trágico período 2019-2022. Hoje, a fragilidade física em que ele se encontra apenas corresponde às carências morais e humanas por ele ostentadas. O autoproclamado atleta e ferrenho inimigo dos direitos humanos pede a comiseração de seus contemporâneos, revelando um ser minúsculo, em oposição àquele carrasco que sorria diante da morte de pessoas infectadas pela covid-19. Nada, entretanto, que algum brasileiro possa admitir inédito. Desde quando se envolveu com um plano para destruir o sistema de abastecimento de água da cidade do Rio de Janeiro, o imbrochável não fez outra coisa, se não afrontar a sociedade brasileira e produzir as provas que levaram à sua condenação e à da chusma em que se apoia. Nem por isso, defendo que a ele seja dispensado tratamento semelhante ao que ele ofereceu aos moribundos afetados pela pandemia. Nem que lhe sejam negados aqueles direitos atribuíveis aos seres humanos. Embora o tenha como membro de uma espécie que ainda não chegou ao estado de humanidade. Algo como um quadrúpede que se mobiliza com as duas patas traseiras - não mais. Agnóstico, minha sensibilidade recomenda admitir que a própria natureza tem-se incumbido de aplicar suas penas aos que a agridem. No caso, agredindo a espécie escolhida para alçar-se a outro nivel, como animal superior. Imagino como deve ser difícil enfrentar uma crise de soluços, repetidamente. Outros, objeto da zombaria de quadrúpedes aparentando bípedes, soluçaram, diante de parentes e amigos avizinhando-se da morte. Nem isso me leva a desejar algo semelhante ao presidiário. Basta a aplicação da Lei, com rigor e determinação, como se faz na democracia que tanto o incomoda.

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