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Há sempre a probabilidade de o mesmo fenômeno ser percebido de forma diferente, segundo a pluralidade dos observadores. Ainda que estes sejam apenas dois, aí já se pode cogitar de duas interpretações diferentes. Certos acontecimentos, frequentemente registrados na vida física, de que dão conta a Biologia, a Física e a Medicina, dentre outras, levam à criação de leis. Com base nelas, os discípulos de Hipócrates prescrevem os remédios e, na maioria dos casos, mantêm a vida dos pacientes. Até que os avanços científicos consigam superar o conhecimento anterior. Há que observar, contudo, que, de tão recorrentes, alguns sintomas são facilmente percebidos até por leigos. O facies da pessoa, sua reação a certos estímulos levam os circunstantes a avaliar se ela traz consigo alguma enfermidade. Nas ciências ditas humanas, a própria substância dos fenômenos - o homem e sua conduta - dificulta a percepção do fenômeno. Nessa área, mais que a realidade apreensível pelos sentidos, pesam fatores alheios ao fato em si. Ora são os traumas sofridos; ora os desejos e sonhos; ora os interesses do observador. Entender essa diferença fundamental entre a realidade e sua percepção é indispensável a um juízo correspondente ao fato. O Brasil, neste 2025 no portão de saída, experimentou resultados positivos, a despeito do esforço de alguns por frustra-los. Quando o mau agouro dos pessimistas, marginais e negativistas se frustrou e deu com o costado na barra dos tribunais, as exportações bateram recordes. A resposta do governo ao tarifaço de Trump foi neutralizada, do que resultou a abertura de novos mercados, continentes afora. Milhões de famílias que haviam voltado à condição de miséria no período 2019-2022 romperam a situação de pobreza, nos três últimos anos. Em que pese a confusão proposital entre ocupação e emprego, o mercado de trabalho expandiu-se, proporcionando o aumento real dos ganhos da população. Nada que chegue à justa remuneração do trabalho, mas o suficiente para festejar o quase-pleno emprego. (Ou, para não incidir em desonestidade, a plena ocupação). Isso tudo, quando a taxa de juros é mantida, para evitar perda nos ganhos dos acumuladores de sempre. E, também, sem nenhum recuo dos que trabalham a favor do caos. A síntese disso pode ser a constatação de duas economias, descritas segundo os interesses de cada classe: os que realmente trabalham fazem menor o índice de desalento e acreditam que pode ser ainda melhor. Os que vivem de explorar os primeiros, persistem em fazê-lo, insatisfeita a voracidade que os torna donos do poder. A melhoria das condições de vida, porém, pode ser prevista, mesmo comas mentiras que tentarão desmerece-las. De qualquer forma, pode-se esperar FELIZ ANO NOVO!

 
 
 

Atualizado: 30 de dez. de 2025

Jessé de Souza faz oportuna e consistente análise das dificuldades enfrentadas e a enfrentar pelas esquerdas brasileiras. Chega a mostrar quanto a direita soube entender melhor o contexto, ao ponto de produzir o que se tem chamado, com certa ironia e malícia, pobre de direita. O que deveria constituir uma contradição em termos, ao mesmo tempo trágica e hilariante, é resultado do pragmatismo que orienta o pensamento conservador no Brasil. Bastaria dizer que a intenção de conservar o ambiente social em que vive a maioria dos brasileiros é, em si mesma, uma prova da inadequação desse pensamento, eivado de perversidade e maus propósitos. Mas, vá lá!...Admitamos que nem todo direitista seja essencialmente conservador. O equívoco teria apenas forte conteúdo de ignorância, quanto à origem do conceito e a Revolução Francesa. A distância estaria na impropriedade da expressão, sem operar os infaustos resultados que tem alcançado no Brasil. Conservar, para a direita brasileira significa impedir todo e qualquer avanço social, seja com a distribuição mais justa da riqueza por todos produzida, seja pela valorização dos valores associados à trilogia - Liberdade, Fraternidade, Igualdade. Voltemos, porém, ao que diz o sociólogo e professor que presidiu o IPEA. Segundo ele, o PT perdeu as características que levaram um operário ao Palácio do Planalto. Também surgiu veio da sigla muito do que representa avanço social e econômico, ainda que (aqui, a juízo do subscritor deste texto) sem ao menos arranhar o sistema econômico os valores que lhe dão fundamento. Nenhuma das conquistas até aqui registradas põe em xeque o capitalismo, assim como é rara a menção de algo que o substitua, mesmo pela maioria dos partidos que se digam interessados em viver experiência diferente. Chame-se socialismo ou não. É aí que encontro certa timidez, que também pode ser prudência ou estratégia, na análise de Jessé de Souza. Ele fala, implicitamente, que falta à esquerda brasileira a perspectiva da luta de classes. Talvez a explicitação ajudasse a impedir o surgimento dos patéticos pobres de direita. Quem se dispõe a prestar à maioria dos brasileiros essa aparente particularidade? Ou, em outras palavras, uma particularidade essencial.

 
 
 

Jamil Chade afirma que o ano de 2025 encerra de fato o século XX. Baseado nos acontecimentos dos cinco primeiros anos do século XXI, o estudioso dá destaque ao reordenamento político em escala planetária, que anuncia o enfraquecimento dos Estados Unidos da América do Norte, a busca de recuperação pela Rússia e emergência, vigorosa, da China. Esta, mais que as outras, se não repete os índices de crescimento econômico iguais aos dos últimos anos do século passado, ainda supera os da maioria dos países. A primeira - e talvez a mais importante - das mudanças na geopolítica diz respeito à decadência de tio Sam, de resto algo semelhante à de outros impérios, ao longo da História. Está-se a testemunhar a passagem da unipolarização para a dispersão do poder por outros polos, de que a Rússia e a China parecem os mais evidentes. Nesse caso, pode-se dizer que também a Europa sai fragilizada. Muito do que vai aqui escrito não está contido na matéria assinada pelo respeitado analista brasileiro, se não que resulta da observação do próprio signatário deste comentário, enriquecida pelas pistas elencadas por Chade. Há que considerar, ainda, nada ter de gratuito ou impensado o esforço de Donald Trump por recuperar a influência e o poder do império que rui. Mais que todos os outros líderes mundiais, ele percebe quanto os Estados Unidos da América do Norte perderam, nas últimas décadas, em prestígio e influência. O sistema econômico que durante mais de meio século fez da grande parte do território mundial simples quintal, enredou-se em sua própria teia. A busca por maiores lucros, que se aproveitou com frequência da mais-valia tão íntima das ditaduras, terminou por levar a territórios longínquos grande parte das unidades produtivas norte-americanas. Promover a volta delas tem sido uma das obsessões de Trump, raramente exitosa. O aparecimento de novo bloco, ao qual se integram nações dotadas de poder econômico (China), tecnológico (China e Índia), nuclear (Rússia, Índia e China), populacional (China, Indonésia, Rússia e Brasil) e recursos naturais (dentre os países onde há fartura de petróleo, membros mais recentes do BRICS+ ou candidatos à participação nele) configura a nova realidade. Resta a Trump, o único e indesejável meio a ser utilizado - a repetição do que ocorreu em Nagasaki e Hiroshima. Não é à toa que as belonaves e as armas de Trump vêm testando a paciência e a tolerância do Mundo. Quem viver, verá!

 
 
 
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