A natureza da luta da esquerda
- Professor Seráfico

- 29 de dez. de 2025
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Atualizado: 30 de dez. de 2025
Jessé de Souza faz oportuna e consistente análise das dificuldades enfrentadas e a enfrentar pelas esquerdas brasileiras. Chega a mostrar quanto a direita soube entender melhor o contexto, ao ponto de produzir o que se tem chamado, com certa ironia e malícia, pobre de direita. O que deveria constituir uma contradição em termos, ao mesmo tempo trágica e hilariante, é resultado do pragmatismo que orienta o pensamento conservador no Brasil. Bastaria dizer que a intenção de conservar o ambiente social em que vive a maioria dos brasileiros é, em si mesma, uma prova da inadequação desse pensamento, eivado de perversidade e maus propósitos. Mas, vá lá!...Admitamos que nem todo direitista seja essencialmente conservador. O equívoco teria apenas forte conteúdo de ignorância, quanto à origem do conceito e a Revolução Francesa. A distância estaria na impropriedade da expressão, sem operar os infaustos resultados que tem alcançado no Brasil. Conservar, para a direita brasileira significa impedir todo e qualquer avanço social, seja com a distribuição mais justa da riqueza por todos produzida, seja pela valorização dos valores associados à trilogia - Liberdade, Fraternidade, Igualdade. Voltemos, porém, ao que diz o sociólogo e professor que presidiu o IPEA. Segundo ele, o PT perdeu as características que levaram um operário ao Palácio do Planalto. Também surgiu veio da sigla muito do que representa avanço social e econômico, ainda que (aqui, a juízo do subscritor deste texto) sem ao menos arranhar o sistema econômico os valores que lhe dão fundamento. Nenhuma das conquistas até aqui registradas põe em xeque o capitalismo, assim como é rara a menção de algo que o substitua, mesmo pela maioria dos partidos que se digam interessados em viver experiência diferente. Chame-se socialismo ou não. É aí que encontro certa timidez, que também pode ser prudência ou estratégia, na análise de Jessé de Souza. Ele fala, implicitamente, que falta à esquerda brasileira a perspectiva da luta de classes. Talvez a explicitação ajudasse a impedir o surgimento dos patéticos pobres de direita. Quem se dispõe a prestar à maioria dos brasileiros essa aparente particularidade? Ou, em outras palavras, uma particularidade essencial.

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