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Há palavras que, pela riqueza de significados, causam dificuldade aos que tentam compreender algum discurso ou situação. Chamou-me a atenção, nestes dias, o vocábulo investidor. Pelo menos, duas cenas, diferentes essencialmente entre si - ou não - podem ser explicadas por ele. Uma, a que se aplica àqueles interessados em obter maior ganho no mercado financeiro. Neste caso, a regência nominal exige a preposição em. Quem aplica seu dinheiro com esse objetivo, pode aplica-lo em bolsas de valores. Já uma segunda acepção requer outro tipo de regência. Quem ataca uma outra pessoa, com a intenção de domina-la ou lhe causar um mal físico, estará investindo, neste caso, contra sua vítima. Não se pense, porém, que o uso de duas palavras diferentes para acompanhar o vocábulo principal não guarda alguma familiaridade entre si. Se o em é uma preposição e o contra um advérbio (às vezes, preposição), no frigir dos ovos há algo que as aproxima. Se o advérbio participa de uma ação fisicamente danosa a alguém, as bolsas buscadas pelo outro investidor também vitimam pessoas. Punem-nas, frequentemente, com a fome e, não raro, a morte. No que investimentos acabam por ser iguais a investidas. Donald Trump dedica-se a ambas.

 
 
 

Analistas políticos e estudiosos da matéria afirmam ser melhor leitor o que lê mais que o texto. Alguns afirmam que nas entrelinhas se esconde muito do que o autor pretende que o leitor saiba. Em muitos momentos, torna-se difícil entender os fatos, se a leitura se esgota nas palavras escritas. Vivemos, hoje, um desses momentos. A agressão do governo dos Estados Unidos da América do Norte à Venezuela, e o crime de sequestro de que foram vítimas o Presidente Nikolas Maduro e sua mulher, desencadeou reações ajustadas à análise dos que entendem do assunto. Melhor será dizer, dos assuntos, sendo o primeiro a teoria da comunicação. O outro, as figuras que reagiram. Fossem desconhecidas, essas figuras seriam beneficiadas pela ignorância a respeito de sua trajetória e de sua conduta. Não é o caso, eis que apenas o governador do Rio Grande do Sul buscou diferenciar-se dos demais. Há unanimidade, entretanto, no que dizem - e também deixam de dizer - Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Cláudio Castro, Ratinho e Tarcísio de Freitas. Liga-os o desejo de que Trump determine igual ação de suas forças militares, no Brasil. Talvez, até, com violência ainda maior, que extrapole o crime de sequestro. Ver mortas nossas autoridades, como estamos fartos de saber, é sonho acalentado pelo líder de todos eles, antes mesmo de ter sido planejado o assassinato do Presidente da República, de seu vice e do Ex-presidente do Superior Tribunal Eleitoral. Quem nasceu colonizado e sente orgulho em reverenciar a bandeira de outra nação e mostrar-se capacho de governantes estrangeiros jamais conseguirá esconder seus (maus) propósitos.

 
 
 

Acompanhar a conduta dos nossos contemporâneos, se não deve levar à criação de preconceitos, inveja e rivalidades, ao menos poderá se prestar à orientação do cidadão, de dois em dois anos. Refiro-me ao espaço entre uma e outra eleição, a municipal (quando prefeitos e vereadores são escolhidos) e a que se chama geral (para escolha do Presidente da República, senadores, e deputados federais e estaduais). Se o eleitor foi pouco mais atento, porá a memória em funcionamento e chegará à mínima condição de ser justo. Tomemos, por exemplo, a euforia revelada pelas autoridades amazonenses e empresariado, diante das recentes decisões do governo federal. Foi dele a oferta de condições reiteradamente reivindicadas pelo PIM- Polo Industrial de Manaus, como forma de manter a competitividade da zona franca. É desse segmento da sociedade local que procede grande parte da fortuna amealhada, graças aos incentivos e favores oficiais, que financia a campanha eleitoral. No entanto, Lula não teve votação maior que a do seu adversário. Com a agravante de que o companheiro de chapa, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin, enquanto não se aproximou de Lula, era combatido como inimigo do PIM. Como vice-Presidente e Ministro do Desenvolvimento Econômico, Alckmin nada fez para impedir que as atividades do Polo Industrial de Manaus continuassem a gerar extraordinária riqueza, nem para levar os aquinhoados a contribuir de forma justa com os programas e atividades sociais promovidas pelo governo. Não bastará a Lula e a Alckmin, menos ainda à população de Manaus e do Amazonas, o quase certo título de cidadãos que ambos, não demora, receberão das casas do legislativo, estadual e municipais. Essa rem sido a regra, muitas vezes imerecida pelos homenageados. É preciso engajar-se nos programas de recuperação da economia nacional, com os olhos postos menos nas caixas registradoras de cada empresa, e mais no futuro que deixaremos para nossos pósteros. Sem subserviência de qualquer índole, sem dependência dos cofres e favores públicos, apenas inspirados na certeza de que todos nascemos e crescemos alimentando a esperança - de terceiros, mais que a nossa mesma - de deixar um mundo melhor para nossos sucessores. Muto menos é de gratidão que trato, mas cobro um comportamento cidadão, que enxergue o coletivo, e seja compreendida a impossibilidade de ser feliz em meio a tanta infelicidade. Algo que os maledicentes, por ignorância alguns, outros por perversidade, consideram um sonho de Quixote. Sem lembrar, qualquer deles, que Quixote é bem melhor que Átila, o rei dos hunos. Ou Herodes. Ou Calígula. Ou...

 
 
 
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