top of page

Ontem, os portugueses elegeram um socialista para a Presidência da República. Com números que jornalistas lusitanos consideram uma lavada, Antônio José Seguro venceu André Ventura, em pleito que pode marcar uma tendência no continente europeu. O atual Presidente, Marcelo Rebelo de Souza receberá esta tarde, no Palácio de Belém, o Presidente eleito, como ato inicial da preparação para a investidura do seu sucessor. A posse de Seguro ocorrerá na primeira quinzena de março, cercada da expectativa positiva dos habitantes daquele país ibérico, integrado há 40 anos à Comunidade Europeia. Num certo sentido, a escolha de um socialista, quando se torna visível a queda de prestígio e influência internacional do Velho Mundo, suscita esperanças em países dos outros continentes. A hipótese de que outros países europeus também levem ao poder representantes progressistas ou hostis às tendências nazifascistas não pode ser descartada. Sobretudo porque, enquanto os países mais poderosos viram crescer sua riqueza, a desigualdade tornou-se mais profunda entre pessoas e nações. Ao contrário do que anunciavam os inimigos do socialismo, quando estabeleceram a concentração do poder nos Estados Unidos da América do Norte, as condições de vida das populações mais pobres só pioraram. As tímidas e mal conduzidas experiências alternativas ao capitalismo têm sido sucessivamente dificultadas, quando não impedidas, às vezes com o uso da violência e o cancelamento da autodeterminação dos povos. O que, antes da implosão da União Soviética, manteve a chamada guerra fria, aqueceu também o ambiente, acabando por ameaçar com a guerra como a conhecemos. Disso dão exemplos, nos dias que correm, as ações do soba que reina no que se dizia ser a maior democracia mundial. O extermínio dos palestinos, que Israel persegue tenazmente; as ameaças e pressões sobre outras nações, de que a Noruega, o Panamá, o Canadá, o Brasil, o Irã, Cuba e a China, para ficar nestes, são exemplares. A eleição de um socialista em uma nação Europeia pode dizer mais que a simples rotatividade do poder. Por isso, Seguro atrairá a atenção de toda a sociedade mundial.

 
 
 

Leio em noticiário recente, sobre o envolvimento de empresas de todo tipo e tamanho, no escândalo (apenas mais um, e não se sabe até quando merecerá a

atenção dos media, das autoridades policiais e judiciais e da opinião pública) do Banco Master. Sua abrangência e poder de sedução são tão grandes que não parecem escapar de sua malignidade quase todos os setores, sempre havendo a exceção que confirma a regra. Por isso, os temores e tremores abalam os três poderes, cujos dirigentes tratam de ser discretos, quando não podem ser tão enfáticos em sua própria defesa. A política baseada em pressões legítimas e espúrias, algumas não sendo mais que chantagem pura e simples, campeia. Ganha terreno e levanta logo a suspeita de que, como quase tudo que passa pela cabeça do homem, encontrará o dia em que virará passado. Sem que sejam punidos os responsáveis diretos e indiretos pelos crimes envolvidos, ou responsabilizados os que se omitiram ou, abertamente, se empenharam no enterro das esperanças. A pizza de sempre parece em processo de confecção, lamentavelmente contando com a participação de muito mais gente do que Vorcaro e seus cúmplices diretos, cuja bancada no Congresso pode ter o tamanho das outras – devotadas à citação de mandamentos bíblicos, aos negócios lucrativos dos produtores de armas e munição, e aos plantadores e mercadores de soja e outras comodities. Em meio a essas expectativas, frustrantes em alto grau, surge a notícia de que boa porção (estimada em cerca de 50%) das empresas vinculadas à bancada do boi, está em estado pré-falimentar. O que no passado se chamou concordata, hoje rebatizada com o eufemismo recuperação judicial. Não é demais lembrar quanto o agronegócio tem sido visto como uma das experiências mais meritórias na economia brasileira. Nem por isso, a formação de fortunas obtidas com a produção e exportação desse setor conseguiu tornar o agronegócio infenso às dificuldades enfrentadas por outros setores da economia. O alto percentual estimado de empresas dedicadas ao agronegócio estando em crise, fica desmentido o êxito financeiro do setor. Pelo menos, no que toca a economia do País. A alternativa não seria outra, se não a simulação de dificuldades inverídicas, como a confirmar suspeita há muito levantada – a falência é dos melhores, mais lucrativos e nojentos negócios mantidos a todo vapor no Brasil. Mostrem-me um só falido vivendo debaixo de pontes e marquises, e darei a mão à palmatória.

 
 
 

Conceder o título de cidadão amazonense ao zero-à-esquerda suspeito da prática de vários crimes equivale ao menosprezo que certos mandatários dedicam aos cidadãos de bem e ao Amazonas. É verdade que alguns dos até então agraciados com a cidadania amazonense nada fizeram para merecer tão significativa honraria. Constituem minoria, suponho. Ver-se portador do mesmo título de quem pratica as rachadinhas, compra dezenas de imóveis com dinheiro vivo e condecora torturadores - para dizer o mínimo -, corresponderia a esbofetear os cidadãos dignos antes homenageados. Quantos deles poderiam devolver seus diplomas, evitando a má companhia? Tal galeria seria infamante. Olhando-se horizonte mais amplo, deveria partir das lideranças políticas e empresariais da Amazônia a rejeição da homenagem pretendida, pelo que ela tem de ofensiva aos interesses da Região. Dentre os inimigos declarados da zona franca, o zero-hum-à-esquerda certamente ocupa posição destacada. O mínimo que se pode esperar, diante da ameaça de desrespeito ao Estado e aos cidadãos de bem, é a mobilização da sociedade amazonense - as pessoas dignas que ganharam a cidadania amazonense , sobretudo - e de suas lideranças. Todos os deputados deveriam ser pressionados a resistir, enviando-se a eles mensagens de advertência e protesto, além da lembrança de que, em outubro próximo, lhes será recusada a renovação do mandato prestes a encerrar-se.

 
 
 
bottom of page