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Mentira e palmatória

Leio em noticiário recente, sobre o envolvimento de empresas de todo tipo e tamanho, no escândalo (apenas mais um, e não se sabe até quando merecerá a

atenção dos media, das autoridades policiais e judiciais e da opinião pública) do Banco Master. Sua abrangência e poder de sedução são tão grandes que não parecem escapar de sua malignidade quase todos os setores, sempre havendo a exceção que confirma a regra. Por isso, os temores e tremores abalam os três poderes, cujos dirigentes tratam de ser discretos, quando não podem ser tão enfáticos em sua própria defesa. A política baseada em pressões legítimas e espúrias, algumas não sendo mais que chantagem pura e simples, campeia. Ganha terreno e levanta logo a suspeita de que, como quase tudo que passa pela cabeça do homem, encontrará o dia em que virará passado. Sem que sejam punidos os responsáveis diretos e indiretos pelos crimes envolvidos, ou responsabilizados os que se omitiram ou, abertamente, se empenharam no enterro das esperanças. A pizza de sempre parece em processo de confecção, lamentavelmente contando com a participação de muito mais gente do que Vorcaro e seus cúmplices diretos, cuja bancada no Congresso pode ter o tamanho das outras – devotadas à citação de mandamentos bíblicos, aos negócios lucrativos dos produtores de armas e munição, e aos plantadores e mercadores de soja e outras comodities. Em meio a essas expectativas, frustrantes em alto grau, surge a notícia de que boa porção (estimada em cerca de 50%) das empresas vinculadas à bancada do boi, está em estado pré-falimentar. O que no passado se chamou concordata, hoje rebatizada com o eufemismo recuperação judicial. Não é demais lembrar quanto o agronegócio tem sido visto como uma das experiências mais meritórias na economia brasileira. Nem por isso, a formação de fortunas obtidas com a produção e exportação desse setor conseguiu tornar o agronegócio infenso às dificuldades enfrentadas por outros setores da economia. O alto percentual estimado de empresas dedicadas ao agronegócio estando em crise, fica desmentido o êxito financeiro do setor. Pelo menos, no que toca a economia do País. A alternativa não seria outra, se não a simulação de dificuldades inverídicas, como a confirmar suspeita há muito levantada – a falência é dos melhores, mais lucrativos e nojentos negócios mantidos a todo vapor no Brasil. Mostrem-me um só falido vivendo debaixo de pontes e marquises, e darei a mão à palmatória.

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