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Johnson, Ford e os humanos

O uso de robôs e a irritação por eles causada nos seres humanos que não se envergonham de sua condição fez-me lembrar dois presidentes norte-americanos. Alguns dirão que sou um desocupado, a tal ponto que a memória se volta para seres quase inteiramente desprezíveis e que pouco fizeram pela humanidade. No caso, Lyndon B. Johnson e Gerald Ford. O primeiro governou os Estados Unidos da América do Norte de 1963 a 1969 e o outro, de 1974 a 1977. Para qualificar Ford, o sucessor de John Kennedy dizia do outro que era incapaz de mascar chicletes e andar, concomitantemente. Com isso, Johnson queria dizer que na prejudicada cabeça de Ford, tico e teco, o par de neurônios existentes não se encontravam. Uma coisa de cada vez. Por que me lembro deles, quando mensagem de robô me alcança desprevenido e cometo, por distração, a imprudência de lhe dar atenção? A razão está em que robôs atendem a programa que não encontra correspondência no que se passa na mente humana, desde que haja um mínimo de inteligência dentro dela. As tentativas de imitar à perfeição dons naturais e adquiridos no decorrer da vida humana, até onde consigo enxergar, têm sido frustradas. Ainda agora, vejo-me diante de exemplo que não pretendo ignorado pelos meus circunstantes, distantes geograficamente que alguns estejam. Deu-se de dar atenção a uma dessas mensagens e a tudo quanto ela determinou, até conseguir contato por telefone, e à viva voz, com uma pessoa de carne e ossos. Portadora, ela sim, de inteligência. Natural, o que é melhor ainda. A mensagem chamava-me para uma consulta médica, informando-me a antecipação da que estava prevista. Minha resposta, de boa-fé e dirigida ao robô – logo se vê! – informou a possibilidade de manter a data que me ofereciam ou me ser sugerida outra. Optei pela segunda hipótese. Isso deu margem à segunda mensagem: a oferta de outra data, no horário matutino e poucos dias após a primeira e recusada oferta. Informei, ainda ao mesmo “interlocutor sem inteligência”, minha opção pelo dia, no horário matutino. Em seguida, a “burrice artificial” me confirmava. No dia escolhido, eu seria recebido às 13:30. Ocorreu-me a ideia de perguntar qual o fuso horário que o “interlocutor” estava usando. Não o fiz. Ao mesmo tempo, informei apenas, ainda pelos meios chamados virtuais e para o robô, da minha irritação e da absoluta incapacidade para lidar com máquinas, em lugar de gente. Só então, consegui ser atendido por uma pessoa, com o sangue correndo pelas veias e artérias. Consegui o atendimento que me fizera perder tanto tempo. Aproxima-se a manhã em que serei atendido e aumentou minha repugnância pela desumanização que nos querem impor. Enquanto der, resistirei. Arrisco sugerir aos que me leem a mais firme resistência ao tratamento de instituições, empresas, estabelecimentos, profissionais que pensam sermos meras cópias do Ford descrito por Johnson.

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