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O noticiário policial traz informações esclarecedoras, a respeito do crime organizado. O tráfico de drogas, em destaque. Ao mesmo tempo, confirma o que sugere expressão que este redator utiliza, ao comentar a atuação dessas quadrilhas e seus braços na sociedade civil: impossível admitir a permanência e ampliação das atividades das organizações criminosas, se há unanimidade nas declarações que as criticam e condenam. Sou mais explícito: criticadas por todos e por todos condenadas, em declarações quase sempre emolduradas por cenhos cerrados e olhar de ódio, as organizações criminosas estariam, no mínimo, condenadas à total extinção. Não é o caso, como se tem testemunhado. O que significa dizer que parte dos que se declaram hostis à atuação das organizações criminosas mente. Esse não é fenômeno recente, sendo que agora são acrescentadas às OCs dedicadas às diversas formas de crime, as de natureza política. Também dessas as penitenciárias vêm recebendo hóspedes. Às vezes, por atacado, como se tem sabido. Também desses novos ocupantes de vagas nos estabelecimentos penais partem ordens e orientações que norteiam a mobilização e a ação dos comparsas ainda à espera de que seja feita a Justiça, indispensável e ainda por ocorrer. Quando se sabe que até aviões participantes de comitivas oficiais foram usadas para traficar cocaína, menor deve ser nossa ingenuidade. Aquela que busca convencer-se de que não há – ou não houve - delinquentes bem postados na hierarquia da República. Em todos os níveis, como o noticiam os media. Tudo isso faz parte de um novo tipo de epidemia, desta vez alimentado não por vírus semelhante àquele que teve nas autoridades federais cabal cumplicidade, mas assemelhado ao câncer, que estende seus efeitos malignos por todo o organismo social. A essa epidemia podemos chamar, por sua configuração, seu surgimento e sua capacidade de estender-se a áreas expandidas desde seu ponto inicial, em processo que parece não poupar escalões, setores e poderes que se dizem republicanos – câncer social. Essa nova (?) enfermidade está muitas vezes escondida em indignação cênica e deslavada mentira, como também se pode, com facilidade, identificar e testemunhar.  Por ora, as notícias divulgadas em Manaus abrangem os limites da máquina administrativa do Município-sede e do Amazonas, mas ninguém no uso de seu melhor juízo admite que esses sejam, realmente, os únicos lugares em que a doença ocorre. Outubro logo chegará. Antes, cenhos cerrados e palavras sem sentido ou sinceridade serão vistos, completando o quadro em que serão expostos os propósitos e intenções enganosos dos candidatos. Sua folha corrida (eles as têm, em lugar de um currículo de vida), desta vez, pode orientar e formar o discernimento

 
 
 

Depois de muitos escorregões evitáveis, o Presidente Luis Inácio Lula da Silva coloca oposição em uma camisa de onze varas. O veto ao Projeto de Lei relativo ao teto salarial dos servidores públicos desnorteou as hostes que fazem oposição sistemática, frequentemente plena de incoerências. Dentre esses políticos reacionários, os que se pensam mais espertos que os outros tratam de atribuir toda a responsabilidade pelo desfecho do problema ao Presidente da Câmara dos Deputados. Quando já deixou de sair das manchetes e constar do noticiário em geral, a descoberta de R$ 430 mil em espécie, o deputado Sóstenes Cavalcante não deu cabal explicação para o fato, mas já nem parece incomodado pela repercussão de seu até aqui mais notável feito. Por isso, mais uma vez ele tenta ocupar as páginas, com desembaraço invulgar, como se nada mais natural que dispor de tanto dinheiro vivo, atribuir sua origem a operação no mínimo suspeita de inexistente (a alegada venda de um imóvel) e continuar a caminhada inglória a que condenou seu próprio mandato.  Interessado em manter os privilégios financeiros de ínfima parcela dos funcionários públicos, em especial os do Poder Judiciário, o líder da oposição pretender dar a impressão de que nada tem a ver com os penduricalhos a cujo combate se tem dedicado o Ministro Flávio Dino, no STF. Do outro lado, e vendo a batata quente posto sobre suas mãos, o Presidente Hugo Motta esclarece que o projeto vetado por Lula foi aprovado sob a – no mínimo – anuência das lideranças partidárias. Mesmo parlamentares filiados ao Partido dos Trabalhadores concederam seu apoio e voto ao projeto aprovado e agora vetado, que o Presidente da República utiliza para pôr nas cordas do ringue os santinhos de pau oco. Sem discriminação partidária, inclusive, o que basta para descrever a ilegitimidade de certos mandatos e desmoralizar os catões de algibeira. Perceba-se que a expressão nada tem a ver com as vantagens recebidas pelos que se beneficiam dos penduricalhos, nem pelos que toleram a quebra do teto salarial. Afinal, algibeiras não costumam juntar mais que alguns míseros trocados. No horizonte próximo, porém, já é urdida providência protetora dos mal chamados representantes populares – a hipótese de adiar para o próximo ano a apreciação do veto presidencial. Fazê-lo agora poderia aumentar a probabilidade de inédita renovação na Câmara dos Deputados, com o que ganhariam a população, a democracia e os bons costumes. Aos que dizem serem todos iguais, os que lá estão e os que poderão vir, enseja apenas observar que à escória conhecida sempre será melhor preferir a que ainda não se conhece. Se a escolha for feita de boa-fé, será mais outra lição a aprender.

 
 
 

Nos tempos em que os autoproclamados apolíticos (ou apenas apocalípticos?) fazem tudo por dinheiro, sacrifica-se a Verdade por qualquer coisa. Por dinheiro e outros bens materiais, principalmente. Indivíduos semelhantes a seres humanos, graças à imagem física, revelam seus piores sentimentos e caracteres, frequentemente avessos à aparência. Esta passeia pelos gabinetes mais importantes da república, recebe as honras e homenagens de outros de igual imagem, desfruta daquilo que boa contra bancária costuma facilitar. Não faltam a esses indivíduos rapapés e outros serviços – nem sempre acolhidos pela boa ética, as leis penais e o bom juízo das pessoas de bem. São aqueles, todavia, os que se esforçam por proclamar virtudes das quais a todo instante se distanciam. Qual Don Juans dos tempos da pós-Verdade, mostram-se dotados de tal poder de sedução, esquecidos de que um dia seu castelo de cartas ruirá. As fortunas amealhadas não lhes custam uma só gota do próprio suor, não sendo raro produzirem lágrimas dos que por eles são explorados. Os seduzidos, bolsos e contas bancárias revigoradas, encontram o dia de pagar pela cumplicidade. Em especial a que resulta de sua participação em bacanais proporcionadas pelos afortunados rufiões, que não mais que isso acabam sendo. Ou, como qualquer Don Juan fora do tempo e dos palcos (de que O burlador de Sevilha ou O convidado de Pedra, 1630 são exemplares), desempenham papel que a gíria cabocla atribui ao pássaro caraxué. Pouco a pouco, acrescentam-se à vida libada deles relatos que têm como cenário ambientes em que os proxenetas e cafetões são os provedores principais.  Donos da fortuna, dividem ínfima porção delas à orgia desenfreada, a véspera de sua proclamação de santidade, comportamento austero, moral acima da dos demais cidadãos.  Aí, como disse certo presidente norte-americano, caem na real: fácil é enganar todos por pouco tempo; enganar poucos, por prolongado período. Quase impossível é enganar todos, o tempo todo.

 
 
 
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