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A corrupção, que todos dizem combater, tem mais a ver com certa visão de mundo, que com alguma falha moral. Equivocam-se (se esta hipótese não é ingênua) os que atribuem à falta de caráter dos corruptos a causa única e exclusiva das ações corruptas. Bastaria lembrar quanto parece passar ao largo das investigações e da maledicência popular um dos polos desde tipo de crime - os corruptores. A prodigalidade usada pelos compradores de mandatos, sentenças, projetos de lei, decisões oficiais e omissão das autoridades, se atrai e corresponde aos apetites de sua clientela, também afeta a adesão da opinião pública. Se o ladrão de galinha ou de uma barra de chocolate é perseguido e violentado por forças postas a serviço dos que têm poder ou dele são próximos, os ladrões engravatados parecem imunes a qualquer imputação. Mais que simples tolerância, os beneficiários dos atos delinquentes recebem, assim, a adesão, ora tácita, ora explícita, da sociedade. De tal forma, que a corrupçao acaba por integrar o quadro de valores que orienta as decisões e o estilo de vida. Tanto quanto a feijoada, o torresmo pururuca, a peixada amazônica, o vatapá integram nossa cultura, a corrupção ganha o mesmo status. Poucos o que sequer se dão o trabalho de vincular esse fenômeno, endêmico entre nós, como algo inerente às relações sociais características do ambiente de mercado. Este, por definição, é o lugar onde oferta e procura se encontram, para chegar a um preço. Se um magistrado recebe propina por uma sentença feita de encomenda, ele está apenas aplicando a lógica do mercado. Se um jornalista recebe para plantar notícias que, avessas à verdade, levam beneficio a alguém, não é diferente. Iguala-se o agente público que deixa de cumprir deveres funcionais, disso resultando ganho material. Também o parlamentar que apresenta projeto destinado a beneficiar quem o ajudou a eleger-se, incorre no mesmo delito. Em suma: onde o dinheiro manda, é quase impossível resistir à lei do mercado. Nele, tudo se vende, tudo se compra. Todos, também, ressalvadas as exceções que confirmam a regra.

 
 
 

A democracia à força do porrete é a mais nova contribuição dos Estados Unidos da América do Norte à sociedade humana. Desde sua mais conhecida façanha, a explosão de bombas atômicas em Nagasaki e Hiroshima, os governos norte-americanos do pós-guerra trataram de espalhar pelo mundo seu produto mais típico - os serial-killers. Em alguns casos, experimentando do veneno por eles mesmos elaborados. Como ocorreu em 11 de setembro de 2001, quando terroristas islâmicos treinados pela CIA derrubaram as Torres Gêmeas. Sob o pretexto de responder à violência dos ex-treinandos da mais poderosa máquina de guerra, territórios distantes foram invadidos, parte de suas populações foi eliminada, governantes foram assassinados. Iraque, Líbia e o Irã podem contar melhor esses episódios. A tolerância da sociedade mundial, a cumplicidade de governos de outros países, quando não a covardia de outros, deram margem à aventura que agora ocupa o Presidente (soba lhe cabe melhor) norte-americano. Sente-se agora, como parecem sentir alguns governantes europeus, ser necessário resistir. O passado de algumas das nações europeias, os impérios que de lá dominaram extensos territórios e povos em outros continentes, só será resgatado com a aliança dos países europeus, da UE ou fora dela, com as nações antes dominadas. Só isso pode impedir que Donald Trump ponha sob seu porrete a dignidade e o costado de seus cidadãos.

 
 
 

Vai-se confirmando, cada dia com maior clareza, suspeita que mantenho faz tempo, e gostaria de ver desmentida pelos fatos. Refiro-me ao envolvimento de gente graúda e instalada em posições importantes no poder público em atividades criminosas de que o tráfico de drogas é apenas exemplar mais ostensivo. Crimes de toda natureza, capitulados na Lei Penal, alguns até mencionados na Constituição Federal, parecem contar com a participação de autoridades públicas, como se tem visto. Agora, o Ministro André Mendonça, do STF, assesta sua terrível caneta em direção ao que já se divulga ser a "Turma", organização criminosa liderada pelo aventureiro Daniel Vorcaro. No rol dos integrantes dessa similar do PCC, CV e outras OCs, identificam-se altos ex-servidores do Banco Central do Brasil, a quem caberia coibir, combater e denunciar o leque de atividades ilícitas de que Vorcaro é o capo. Pelo menos dois dos "mauros cids" do suposto banqueiro desempenharam funções de supervisão e fiscalização no Banco Central. Nada ainda foi dito sobre quem os nomeou para os postos (ex-Diretor de Fiscalização, Paulo Sérgio Novaes de Souza; chefe da Supervisão Bancária, Belline Santana), de onde prestavam serviços ao frequentador assíduo das páginas e colunas sociais, em lugar dos registros policiais e as colunas respectivas, na media. Há mais gente, de calibre menor, arrolada na peça despachada pelo terribilis evangelus. A começar pelo chamado Sicário, apelido suficientemente esclarecedor. Ele seria ajudante-mor do aventureiro, uma espécie de comandante da força pessoal de Vorcaro, encarregada de práticas que poderiam obstruir investigações, adiantar informações, fraudar registros, até "moer os dentes" de jornalistas e empregados das próprias organizações-satélites, como A Varajo Consultoria, Moriah Asset, Super Empreendimentos, King Participações Imobiliárias e King Motors. Parece inevitável, porque necessária, a convocação do próprio ex-Presidente do Banco Centram, Campos Netto, que só será evitada se o neto de Bob Field contar, como Daniel Vorcaro, com numerosa bancada parlamentar posta a seu serviço. Menciono alguns dos outros nomem identificados como membros da "Turma": Fabiano Zettel, o cunhado do capo maximus, de quem partiam ordens de execução das ações delinquentes a que se entregava o grupo; Leonardo Augusto Furtado Palhares, administrador da Varajo Consultoria; Ana Cláudia Queiroz de Paiva, sócia da Super Empreendimentos.

É quanto sei, até o momento, Imagino quanto já sabem os investigadores da PF e da CPMI e o terrível Ministro André Mendonça!

 
 
 
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