top of page

Endemia

A corrupção, que todos dizem combater, tem mais a ver com certa visão de mundo, que com alguma falha moral. Equivocam-se (se esta hipótese não é ingênua) os que atribuem à falta de caráter dos corruptos a causa única e exclusiva das ações corruptas. Bastaria lembrar quanto parecem passar ao largo das investigações e da maledicência popular um dos polos desde tipo de crime - os corruptores. A prodigalidade usada pelos compradores de mandatos, sentenças, projetos de lei, decisões oficiais e omissão das autoridades de atrai e corresponde aos apetites de sua clientela, os corruptos, também afeta a adesão da opinião pública. Se o ladrão de galinha ou de uma barra de chocolate é perseguido e violentado por forças postas a serviço dos que têm poder ou dele são próximos, os ladrões engravatados parecem imunes a qualquer imputação. Mais que simples tolerância, os beneficiários dos atos delinquentes recebem, assim, a adesão, ora tácita, ora explícita, da sociedade. De tal forma, que a corrupçao acaba por integrar o quadro de valores que orienta as decisões e o estilo de vida. Tanto quanto a feijoada, o torresmo pururuca, a peixada amazônica, o vatapá integram nossa cultura, a corrupção ganha o mesmo status. Poucos o que sequer se dão o trabalho de vincular esse fenômeno, endêmico entre nós, como algo inerente às relações sociais característica do ambiente de mercado. Este, por definição, é o lugar onde oferta e procura se encontram, para chegar a um preço. Se um magistrado recebe propina por uma sentença feita de encomenda, ele está apenas aplicando a lógica do mercado. Se um jornalista recebe para plantar notícias que, avessas à verdade, levam beneficio a alguém, não é diferente. Iguala-se o agente público que deixa de cumprir deveres funcionais, disso resultando ganho material. Também o parlamentar que apresenta projeto destinado a beneficiar quem o ajudou a eleger-se, incorre no mesmo delito. Em suma: onde o dinheiro manda, é quase impossível resistir à lei do mercado.

Posts recentes

Ver tudo
Resistência ao porrete democrático

A democracia à força do porrete é a mais nova contribuição dos Estados Unidos da América do Norte à sociedade humana. Desde sua mais conhecida façanha, a explosão de bombas atômicas em Nagasaki e Hiro

 
 
 
Retrato de uma época

Vai-se confirmando, cada dia com maior clareza, suspeita que mantenho faz tempo, e gostaria de ver desmentida pelos fatos. Refiro-me ao envolvimento de gente graúda e instalada em posições importante

 
 
 
O marco de amanhã

Amanhã, em sessão que se espera aberta a todos os brasileiros (e estrangeiros que se interessam pelo Brasil,) será julgada a liminar sobre os penduricalhos , como os chamou o Ministro Flávio Dino. A a

 
 
 

Comentários


bottom of page