top of page

Prossegue o script de Donald Trump, na tentativa de fazer-se dono do Mundo. Às dezenas de guerra provocadas por seus antecessores, ele soma as atuais, em que idosos, crianças e mulheres não são poupados. Não admira observador atento a produção de pretexto para contribuir com o holocausto a que é submetido o povo palestino, como foram assassinados os governantes do Iraque e da Líbia. Mais recentemente, o do Irã, depois da invasão à Venezuela, ao fim da qual não só a cabeça de Nicolás Maduro estava em condições de ser postada na galeria do caçador insaciável. A detenção de armas biológicas, a construção de arsenal atômico, a presença de organizações criminosas, tudo isso tem servido de pretexto para a ação violenta em território alheio. Um traço inevitável da história e da cultura norte-americanas. Jamil Chade, do ICL, descreve o processo que nos ameaça. A pretexto de combater o terrorismo, Trump coloca o Brasil na sua alça de mira. Também outros, nascidos no Brasil, participam da trágica empreitada.

 
 
 

Atualizado: 9 de mar.

Dizem muitos que Adão é o primeiro homem. Dele teriam sido criados todos os demais, a partir da costela que lhe assegurou gerar descendência. Com Eva e a interferência de uma serpente, surgiram os ocupantes do que os mesmos narradores chamaram "vale de lágrimas". Um território sem começo nem fim, em que se sucedem gerações cada dia mais despreocupadas de suas origens e destino. Embora dito nos livros que proclamam e autorizam a versão a que um andarilho da Galileia aderiu e disseminou, teríamos sido todos provindos do pó. E a ele, inevitavelmente voltaremos. Quando chegar a hora de conhecer a morada definitiva, aquela anunciada como o Paraíso, de que todos fogem, e por cuja conquista são capazes de abrir mão de fortunas, ganhas com o "suor do próprio rosto" (outro dos preceitos religiosos) ou, ao contrário, fruto de atividades pecaminosas, quando não ostensivamente criminosas. Ao pó é que voltaremos, é a conclusão. Quando se desfizeram os pés do ídolo, boa parte das explicações e interpretações religiosas foi abalada. Eram de barro os pés que sustentavam o suposto poder. Talvez o início da construção de uma sentença aplicável em escala crescente de abrangência territorial e social. O barro, como tudo que é sólido, também desmancha no ar. Tal efeito, todavia, não afeta apenas as construções físicas, chamadas casas, frágeis em demasia para suportar águas abundantes, em geral derramadas sobre as regiões e bairros mais pobres do Brasil. Sem que falte barro para sustentar aventuras que, seguindo a regra, são desfeitas a todo instante. Como o noticiário permite acompanhar. Ainda ontem, louvava-se a firmeza com que o Ministro Alexandre de Moraes, favoreceu a democracia e a república. Sem sua atuação determinada, possivelmente teríamos voltado à ditadura, cuja experiência deixou sequelas que teimam em mostrar-se vivas (e operantes, como é costume dizer em alguns ambientes). Alexandre de Moraes agiu como deve agir todo cidadão e agente público digno do posto que ocupa. Mais que de todos os outros, dos servidores públicos, uniformizados ou não, o mínimo que se pode exigir é o estrito cumprimento de seus deveres legais. Ponto. Alça-los à condição de heróis e outorgar-lhes além do respeito pelo cumprimento do dever legal, é arriscar demais. Acaba-se por construir ídolos que, tendo os pés de barro, o mais fino fio de água põe abaixo. Isso não quer dizer que todos são feitos do mesmo barro. Recomenda, porém, que sejamos justos. Também que a nossa Justiça não se apegue aos interesses que têm movido a sociedade humana, desde que o suor e o sangue da maioria passou a ser o insumo (a palavra cai bem, não é?).da riqueza de uns poucos.

 
 
 

Do ponto de vista moral e humano, qual a diferença entre estuprar uma pessoa e matar um grupo delas, seja qual for a arma? O noticiário dos últimos dias dedica-se quase exclusivamente a dois desses exemplos monstruosos. Um envolve jovens de classe média do Rio de Janeiro. Outro tem o Presidente dos Estados Unidos da América do Norte como o líder da matança que percorre o Mundo e mantém a ameaça de matar-nos todos. Em ambos os casos, não têm sido poucos os antecedentes. Se o prazer da guerra e o júbilo pela morte tiveram sua mais cruel experiência em Hiroshima e Nagasaki, a ação dos que se chamava curradores remete ao ano de 1958, quando o Planeta tentava reerguer as ruínas produzidas pela Segunda Grande Guerra. Às milhões de vidas perdidas no conflito bélico corresponde, moral e humanamente, o estupro e o assassinato de uma jovem fluminense, na rua então mais elegante da cidade que um dia mereceu o apelido – maravilhosa. Aída Cury era o nome da vítima, mas a diferença de Cássio Murilo e Ronaldo Sérgio e Adolpho Hitler e Himmler é apenas questão de grau e quantidade. Os dois tipos de crime nada têm de novo, a não ser o fato de se terem tornado costumeiros e, pior, tolerados por crescente parcela da população mundial. O holocausto, tão condenado pela opinião pública internacional, ceifou a vida de milhões de judeus, cujos sucessores tratam da revanche, pagando com a mesma moeda – a exterminação dos palestinos. A prática de crimes sexuais permanece firme, enquanto novas Aídas Cury têm sua tragédia relatada por Davids Nasseres extemporâneos. Ou apenas temporões. Tudo como dantes, em todos os quartéis, não só no de Abrantes. Ninguém se lembra de perguntar quais os beneficiários de todos esses crimes. Se só agentes públicos que manda a Lei sejam fiscais do cumprimento das regras do jogo, se de pretensos representantes populares cuja energia é posta exclusivamente a serviço de seu próprio enriquecimento pessoal, ou se criminosos comuns, sem gravata, transformados em pedintes do que que lhes é devido. Também por causa da Lei...Mesmo os melhores leitores de Agatha Christie fazem questão de ignorar o que ela ensinou, com inegável maestria.

 
 
 
bottom of page