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Órgãos públicos de investigação e controle estudaram a extensão dos negócios mantidos pelas organizações criminosas, muitas delas resultantes pela acumulação dos traficantes de drogas. A conclusão que me parece mais importante, impactante e ameaçadora, diz respeito ao que podemos chamar diversificação dos negócios. A fortuna acumulada acrescentou aos negócios criminosos originais novas formas de ganhar dinheiro. Daí terem sido identificados pesados investimentos em outros setores da economia, desta vez em segmentos sobre os quais não pesa, em princípio e em geral, qualquer suspeita. O que, em si mesmo, não significa que as atividades criminosas desapareceram ou cessaram. As informações divulgadas pelas autoridades de controle, monitoramento e combate ao crime organizado divulgaram alguns dos segmentos econômicos em que têm ocorrida aplicação do dinheiro ganho ilicitamente. Dentre eles, atividades de exploração de minérios, tráfico de armas e de pessoas, venda de gás de cozinha, conexões de internet, plataforma de apostas, serviço de tevê a cabo, postos de combustíveis, mercado imobiliário, cooperativas de seguro, jogo do bicho e máquinas caça-níqueis. Em meio a essa explosiva diversificação identifica-se, ainda, o uso de milícias, muitas das quais chegam a participar de licitações públicas, além das atividades que lhes têm sido originalmente atribuídas, como o controle de territórios nas principais cidades do País. Também se liga a esses novos investimentos a lavagem de dinheiro, que antes dirigia tudo ao tráfico de drogas. O roubo de mercadorias transportadas, sobretudo por via terrestre, também marca presença nesse ambiente tão diversificado. Tudo isso só faz confirmar a hipocrisia reinante, com grande parte dos que se dizem hostis às atividades criminosas, especialmente o tráfico de drogas, obtendo lucros com a prática desses crimes, agora contemplados com a oportunidade de acrescentar aos seus ganhos os que vêm dos novos segmentos explorados. Nestes segmentos, se nem tudo é simples e grave ilícito, muito traz de caráter antiético ou nocivo à saúde e à paz da população. Ou seja, dentre elas pessoas ditas de bem não são mais que pessoas proprietárias (ou detentoras, como os "laranjas") de bens, seja qual for a forma de os obter.

 
 
 

A Globo deve explicações

Tem dado muito pano pras mangas o power-point projetado no programa Studio i, da Globonews. É pouquíssimo provável que Andréa Sadi, jornalista de que todos reconhecem a inteligência, a curiosidade e a perspicácia, entrasse de gaiato na confusão decorrente do gráfico apresentado. Nele, estabeleciam- se relações no mínimo, e por enquanto, apenas infundadas. A improbabilidade de a âncora do programa não saber qual o conteúdo total do material supostamente informativo (que estava mais para o desinformativo) resulta da credibilidade que Sadi vinha conquistando, com sua forma sempre equilibrada com que apresentava o resultado de suas investigações e analisava outras, de que se haviam ocupado os demais participantes do programa e o seu pessoal de retaguarda. Muitas vezes, chegava a surpreender o telespectador a rapidez com que a âncora incluía informações quentíssimas, recebidas de viva voz dos colegas que ela comandava, ou as que lhe chegavam através do invisível ponto. Afirmar que Andrea Sadi foi surpreendida implica admitir que ela terá sido vítima de gente de escalão superior, no jornalismo da Globo. Ou seja, ela não estava com aquela bola toda, em relação a seus superiores. Tudo indica, porém, que ela gozava não apenas da confiança dos dirigentes do jornalismo, quanto a empresa reconhecia a importância, o papel dela e a credibilidade de que gozava, conferida pelos telespectadores. As organizações Globo, porém, parecem ter optado por sacrificar sua competente âncora, quando aqueles cujos reais interesses são mais coerentes com os seus mesmos veem abertas novas perspectivas de seguir a máxima de Lampedusa: mudar tudo, para que tudo fique como está. Até que surgisse um candidato fiel a esse perfil do imobilismo e da garantia de que os privilégios permaneceriam imbatíveis, entre um quase-humano e Lula, preferível era ficar com o ex-operário. Afinal, durante seus três governos, o império empresarial nunca cessou de ter lucros crescentes. A tal terceira via, a que se têm entregado Kassab e todos os amorfos, inodoros e nauseabundos que o acompanham, mudou o cenário. Buscar em suas mais respeitadas vozes o aval para sua opção – este teria sido o caso. Agora, que Andrea Sadi voltou às telas, sem que o distinto público tenha recebido qualquer esclarecimento sobre sua ausência ainda inexplicada, podem-se tecer mil cogitações.

 
 
 

Preocupa-me o futuro de nossos jovens. Menos porque deles se tem cobrado comportamento alheio à realidade que lhes é imposta, que pela crescente perda da esperança, tão necessária quanto relevante na base de toda construção - física ou social. As mudanças por que tem passado a sociedade humana, longe de cumprir o desiderato que chegamos a admitir determinado, não apenas os vêm desnorteando e tornando mais difíceis as suas escolhas. O compreensível e inevitável (eu diria) conflito de gerações tem conformação e conteúdo diferentes dos anteriores. Basta lembrarmos de nosso protagonismo nos momentos mais graves que nos afetaram e das respostas que demos aos desafios enfrentados, para avaliar quão mais complexo o cenário, e mais complicado enfrentá-lo, hoje. Se é verdade que geração alguma conseguiu deixar como legado aos pósteros tudo quanto prometera, também não se pode negar quanto concorremos para tornar a vida de nossos sucessores menos ditosa. Cada geração que passa, assim o entendo, deixa um débito para a que a sucederá. Mas vinha deixando, em compensação, fundadas esperanças e exemplos capazes de justificar o esforço genuíno dos mais novos, no processo de construção de uma sociedade mais solidária e crente na possibilidade de ser feliz. Ora mais, ora menos, mas sempre acima da frustração que leva à desesperança e, pior ainda, ao desespero. As bombas que destruíram Nagasaki e Hiroshima, o cogumelo assassino pairando sobre as respectivas populações, não abateram o ânimo dos que dele souberam, pelo relato dos contemporâneos daquele assassinato coletivo, ou pela leitura de obras e documentos sobre a tragédia. Nem mesmo o muro de Berlim e a guerra fria apagaram da memória da sociedade humana o sentimento solidário e construtivo que só a esperança facilita. Apesar de todas as atrocidades cometidas no período 1939-1945, conquistas da Ciência e produtos da tecnologia prolongaram a expectativa de vida dos animais ditos superiores. O homem chegou à Lua, a pílula anticoncepcional libertou a mulher, o Vietnam abalou a arrogância dos prepotentes, os Beatles cantaram a Paz, nações oprimidas romperam os grilhões - parecíamos todos empenhados em fazer a Paz, rejeitar a guerra. Não faltariam os que se opunham a esse processo, nem que lograssem ostentar a completa condição humana. Nesse item, portanto, são deficitários. Eles pareciam, como se têm revelado, também minoritários. Não fosse assim, não teriam perdido a guerra. Mas eles insistiram e, tendo-a perdido no teatro de operações, ganharam-na ideologicamente. Por isso, hoje espalham pelo mundo seu ideário sujo, nojento, asqueroso, nauseabundo, que espalha a nau de Caronte, tresandando o mau cheiro que aos poucos conseguem instalar nas mentes desesperadas da juventude. Quem ler, dia 10 próximo, no ESPAÇO ABERTO deste blog, a análise de Márcio Pochmann, talvez reflita sobre o papel que cabe aos cidadãos, nesta hora, antes que a dimensão da tragédia por ela anunciada se torne irreversível. A leitura e a reflexão é o que deseja o editor deste blog. Depois, a decisão dos construtores (destruidores, mais que isso) do Mundo e sua conduta atestarão o grau de humanidade que trazem consigo.

 
 
 
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