Medindo a humanidade de cada um - e de todos
- Professor Seráfico

- há 52 minutos
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Preocupa-me o futuro de nossos jovens. Menos porque deles se tem cobrado comportamento alheio à realidade que lhes é imposta, que pela crescente perda da esperança, tão necessária quanto relevante na base de toda construção - física ou social. As mudanças por que tem passado a sociedade humana, longe de cumprir o desiderato que chegamos a admitir determinado, não apenas os vêm desnorteando e tornando mais difíceis as suas escolhas. O compreensível e inevitável (eu diria) conflito de gerações tem conformação e conteúdo diferentes dos anteriores. Basta lembrarmos de nosso protagonismo nos momentos mais graves que nos afetaram e das respostas que demos aos desafios enfrentados, para avaliar quão mais complexo o cenário, e mais complicado enfrentá-lo, hoje. Se é verdade que geração alguma conseguiu deixar como legado aos pósteros tudo quanto prometera, também não se pode negar quanto concorremos para tornar a vida de nossos sucessores menos ditosa. Cada geração que passa, assim o entendo, deixa um débito para a que a sucederá. Mas vinha deixando, em compensação, fundadas esperanças e exemplos capazes de justificar o esforço genuíno dos mais novos, no processo de construção de uma sociedade mais solidária e crente na possibilidade de ser feliz. Ora mais, ora menos, mas sempre acima da frustração que leva à desesperança e, pior ainda, ao desespero. As bombas que destruíram Nagasaki e Hiroshima, o cogumelo assassino pairando sobre as respectivas populações, não abateram o ânimo dos que dele souberam, pelo relato dos contemporâneos daquele assassinato coletivo, ou pela leitura de obras e documentos sobre a tragédia. Nem mesmo o muro de Berlim e a guerra fria apagaram da memória da sociedade humana o sentimento solidário e construtivo que só a esperança facilita. Apesar de todas as atrocidades cometidas no período 1939-1945, conquistas da Ciência e produtos da tecnologia prolongaram a expectativa de vida dos animais ditos superiores. O homem chegou à Lua, a pílula anticoncepcional libertou a mulher, o Vietnam abalou a arrogância dos prepotentes, os Beatles cantaram a Paz, nações oprimidas romperam os grilhões - parecíamos todos empenhados em fazer a Paz, rejeitar a guerra. Não faltariam os que se opunham a esse processo, nem que lograssem ostentar a completa condição humana. Nesse item, portanto, são deficitários. Eles pareciam, como se têm revelado, também minoritários. Não fosse assim, não teriam perdido a guerra. Mas eles insistiram e, tendo-a perdido no teatro de operações, ganharam-na ideologicamente. Por isso, hoje espalham pelo mundo seu ideário sujo, nojento, asqueroso, nauseabundo, que espalha a nau de Caronte, tresandando o mau cheiro que aos poucos conseguem instalar nas mentes desesperadas da juventude. Quem ler, dia 10 próximo, no ESPAÇO ABERTO deste blog, a análise de Márcio Pochmann, talvez reflita sobre o papel que cabe aos cidadãos, nesta hora, antes que a dimensão da tragédia por ela anunciada se torne irreversível. A leitura e a reflexão é o que deseja o editor deste blog. Depois, a decisão dos construtores (destruidores, mais que isso) do Mundo e sua conduta atestarão o grau de humanidade que trazem consigo.

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