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Adestramento e educação não são iguais

Remota ou não, sempre haverá a possibilidade de os abrutalhados tornarem-se humanos. Não que a transformação de lobos em cordeiros passe a constituir prática frequente. Pode pesar nessa alteração de caráter e conduta a decisão das autoridades municipais, o prefeito em primeiro lugar. O mínimo de discernimento, o menor grau de humanidade recomendariam exatamente o contrário do que decidiram os parlamentares brasileiros, em relação às chamadas guardas civis municipais. Lá onde falta argumento, logo estarão as armas. Se aquele costuma originar-se no conhecimento, no sentimento e na solidariedade, nestas não se poderão encontrar mais que a ignorância, o autoritarismo e a prepotência. Os números relativos à delinquência praticada por agentes municipais armados, em Manaus, encarrega-se de dar o trágico testemunho. Alcança 356% o número de processos instaurados na Corregedoria do órgão, comparados os registros de 2025 (73 casos), e os de 2024 (16). Antes responsáveis pela segurança e manutenção do patrimônio público, foram os agentes da Guarda Civil (atentem para o adjetivo, por favor) incumbidos de ações paramilitares. É delas e dos valores que as orientam e das práticas que as envolvem, que resulta o triste cenário. Imaginemos, agora, o que se pode esperar de crianças e adolescentes adestrados segundo manuais típicos das organizações castrenses! Oxalá sejamos poupados do esforço de analisar as consequências plausíveis dessa troca de valores e procedimentos correspondentes ao grau de civilização que pensáramos ter alcançado!

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