Novo perigo
- Professor Seráfico

- 10 de abr.
- 2 min de leitura
Órgãos públicos de investigação e controle estudaram a extensão dos negócios mantidos pelas organizações criminosas, muitas delas resultantes pela acumulação dos traficantes de drogas. A conclusão que me parece mais importante, impactante e ameaçadora, diz respeito ao que podemos chamar diversificação dos negócios. A fortuna acumulada acrescentou aos negócios criminosos originais novas formas de ganhar dinheiro. Daí terem sido identificados pesados investimentos em outros setores da economia, desta vez em segmentos sobre os quais não pesa, em princípio e em geral, qualquer suspeita. O que, em si mesmo, não significa que as atividades criminosas desapareceram ou cessaram. As informações divulgadas pelas autoridades de controle, monitoramento e combate ao crime organizado divulgaram alguns dos segmentos econômicos em que têm ocorrida aplicação do dinheiro ganho ilicitamente. Dentre eles, atividades de exploração de minérios, tráfico de armas e de pessoas, venda de gás de cozinha, conexões de internet, plataforma de apostas, serviço de tevê a cabo, postos de combustíveis, mercado imobiliário, cooperativas de seguro, jogo do bicho e máquinas caça-níqueis. Em meio a essa explosiva diversificação identifica-se, ainda, o uso de milícias, muitas das quais chegam a participar de licitações públicas, além das atividades que lhes têm sido originalmente atribuídas, como o controle de territórios nas principais cidades do País. Também se liga a esses novos investimentos a lavagem de dinheiro, que antes dirigia tudo ao tráfico de drogas. O roubo de mercadorias transportadas, sobretudo por via terrestre, também marca presença nesse ambiente tão diversificado. Tudo isso só faz confirmar a hipocrisia reinante, com grande parte dos que se dizem hostis às atividades criminosas, especialmente o tráfico de drogas, obtendo lucros com a prática desses crimes, agora contemplados com a oportunidade de acrescentar aos seus ganhos os que vêm dos novos segmentos explorados. Nestes segmentos, se nem tudo é simples e grave ilícito, muito traz de caráter antiético ou nocivo à saúde e à paz da população. Ou seja, dentre elas pessoas ditas de bem não são mais que pessoas proprietárias (ou detentoras, como os "laranjas") de bens, seja qual for a forma de os obter.

Comentários