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Engana-se quem pensa posta e arrumada a mesa onde é servido o ágape mais importante e desejado pelos políticos. E, obviamente, seus convidados preferenciais, aqueles que apostam alto. Eles sabem que nessa loteria ganha mais, quem mais dá. Pelo que se observa, cada dia de torna impossível manter candidaturas sustentadas no direito de herança, não em regras minimamente compatíveis com o regime democrático e o sistema republicano. Condições, a propósito, insertas no sistema jurídico brasileiro, a despeito da escassa obediência a ele. A tolerância aqui e acolá, a um que outro ilícito menos grave, chega um momento em que, por acumulação, acaba despertando a atenção de todos. Das autoridades costumeiramente omissas ou acumpliciadas, até os eleitores. O que força as primeiras à ação, atrasada mas sempre necessária. E possibilita ao eleitorado, muito em função do desempenho eficaz, efetivo e eficiente das autoridades competentes, fazer escolhas mais consequentes. Aí, então, se não são alteradas as regras do jogo, a probabilidade de ganharem o País e seu povo aumenta. Ao mesmo tempo, a justiça acaba por ser feita e o conjunto da obra do mau candidato torna-o excluído do cardápio eleitoral. E a falta de um instituto que poderíamos chamar presunção de culpa faz-se presente, não por um dispositivo legal, mas pelo núcleo central da dignidade pessoal e da legitimidade política: a vontade do eleitor. Diziam-nos os antigos: cesteiro que faz um cesto, faz cem deles.

 
 
 

Atualizado: 21 de abr.

Confesso minha perplexidade, diante da reação de importantes comunicadores às costumeiras declarações de Donald Trump. Todas elas permitem imaginar, das duas uma: ou ignoram totalmente o passado, do mais remoto ao mais recente, do pretenso dono do mundo; ou estão abandonando o lodo em que sempre viveu Donald Trump, palco e caminho de sua trajetória lesiva à humanidade. O Presidente norte-americano, pela visão de mundo transparente em cada uma de suas decisões, e nas reiteradas declarações com que vem agredindo a sociedade humana, está em guerra não contra a Rússia, a China ou o Iraque. Sua agressividade chega ao ponto de pôr em risco a própria sobrevivência do Planeta, tanto o poder bélico de que dispõe e que só os tolos imaginam descartável. Quase ninguém, mesmo dentre os ferrenhos críticos de Trump, preocupa-se com a trajetória autoritária da sociedade americana, e do quanto a conduta e a visão de mundo de Donald Trump tem a ver com ela. Não bastasse o extermínio praticado contra inúmeras nações indígenas da Norte-América, sucessivos governos norte-americanos têm levado seu poder de fogo a outros continentes. Contam-se às dezenas os países onde conflitos armados, estimulados e apoiados pelos Estados Unidos da América do Norte ceifaram a vida de seres humanos. Tudo o que foi dito até aqui, porém, ainda não diz tudo. É preciso lembrar a exclusividade na explosão atômica, usada como forma de matar seres humanos, em Nagasaki e Hiroshima. Nada incoerente com os valores que fundamentam a doutrina Monroe, nem com a produção do item mais simbólico das exportações daquele país - o serial killer.

 
 
 

Ao interesse que pode despertar nas pessoas preocupadas com o futuro do Brasil, recente análise do ex-ministro Roberto Amaral acrescenta a oportunidade em que apresenta os resultados de sua sempre atenta e serena observação. Com a autoridade de quem soma décadas de preocupação e empenho na construção de um projeto nacional à altura das necessidades e aspirações da sociedade, Roberto Amaral juntos a perspicácia que subjaz ao olhar perfurante dirigido aos acontecimentos, dentro e fora do território nacional. Daí a absoluta pertinência na abordagem da política brasileira, afetada por um fenômeno por demais conhecido na física - qual seja a fadiga de materiais. Sem mencionar em qualquer dos trechos do texto, o autorizado comentarista faz uma espécie de retrato do processo ora enfrentado por Lula, buscando interpretá-lo, não apenas como resultado da conduta ilícita e abusiva da oposição. Em certo sentido, e sem dizê-lo expressamente, Roberto Amaral ajuda a perceber quanto vêm faltando nas hostes petistas e em torno de Lula, intérpretes capazes de análise consistente, que extrapole os interesses partidários e alcance fatores e causas que só aos mais lúcidos e inteligentes é dado observar. Ao longo do tempo, e alcançados alguns objetivos iniciais, qualquer governo está sujeito à perda de vigor, deixando-se prejudicar no burocratismo, como acontecimentos recentes e distantes no tempo o têm revelado. A ascensão do nazismo, a queda do muro de Berlim, a derrubada do imperador D. Pedro, o desfazimento da União Soviética, a derrota da ditadura de 1964 e as eleições mais recentes na Hungria são destacados como exemplares. Roberto Amaral se dá o luxo de dispensar até a velha lição de Marx, segundo a qual toda situação social traz em si o germe que responderá pelo seu rompimento. O texto objeto deste comentário (Fadiga de materiais: quando a fadiga enseja o fim de um ciclo) está no ESPAÇO ABERTO, hoje.

 
 
 
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