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Cesteiros e culpados

Engana-se quem pensa posta e arrumada a mesa onde é servido o ágape mais importante e desejado pelos políticos. E, obviamente, seus convidados preferenciais, aqueles que apostam alto. Eles sabem que nessa loteria ganha mais, quem mais dá. Pelo que se observa, cada dia de torna impossível manter candidaturas sustentadas no direito de herança, não em regras minimamente compatíveis com o regime democrático e o sistema republicano. Condições, a propósito, insertas no sistema jurídico brasileiro, a despeito da escassa obediência a ele. A tolerância aqui e acolá, a um que outro ilícito menos grave, chega um momento em que, por acumulação, acaba despertando a atenção de todos. Das autoridades costumeiramente omissas ou acumpliciadas, até os eleitores. O que força as primeiras à ação, atrasada mas sempre necessária. E possibilita ao eleitorado, muito em função do desempenho eficaz, efetivo e eficiente das autoridades competentes, fazer escolhas mais consequentes. Aí, então, se não são alteradas as regras do jogo, a probabilidade de ganharem o País e seu povo aumenta. Ao mesmo tempo, a justiça acaba por ser feita e o conjunto da obra do mau candidato torna-o excluído do cardápio eleitoral. E a falta de um instituto que poderíamos chamar presunção de culpa faz-se presente, não por um dispositivo legal, mas pelo núcleo central da dignidade pessoal e da legitimidade política: a vontade do eleitor. Diziam-nos os antigos: cesteiro que faz um cesto, faz cem deles.

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