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Fadiga

Ao interesse que pode despertar nas pessoas preocupadas com o futuro do Brasil, recente análise do ex-ministro Roberto Amaral acrescenta a oportunidade em que apresenta os resultados de sua sempre atenta e serena observação. Com a autoridade de quem soma décadas de preocupação e empenho na construção de um projeto nacional à altura das necessidades e aspirações da sociedade, Roberto Amaral juntos a perspicácia que subjaz ao olhar perfurante dirigido aos acontecimentos, dentro e fora do território nacional. Daí a absoluta pertinência na abordagem da política brasileira, afetada por um fenômeno por demais conhecido na física - qual seja a fadiga de materiais. Sem mencionar em qualquer dos trechos do texto, o autorizado comentarista faz uma espécie de retrato do processo ora enfrentado por Lula, buscando interpretá-lo, não apenas como resultado da conduta ilícita e abusiva da oposição. Em certo sentido, e sem dizê-lo expressamente, Roberto Amaral ajuda a perceber quanto vêm faltando nas hostes petistas e em torno de Lula, intérpretes capazes de análise consistente, que extrapole os interesses partidários e alcance fatores e causas que só aos mais lúcidos e inteligentes é dado observar. Ao longo do tempo, e alcançados alguns objetivos iniciais, qualquer governo está sujeito à perda de vigor, deixando-se prejudicar no burocratismo, como acontecimentos recentes e distantes no tempo o têm revelado. A ascensão do nazismo, a queda do muro de Berlim, a derrubada do imperador D. Pedro, o desfazimento da União Soviética, a derrota da ditadura de 1964 e as eleições mais recentes na Hungria são destacados como exemplares. Roberto Amaral se dá o luxo de dispensar até a velha lição de Marx, segundo a qual toda situação social traz em si o germe que responderá pelo seu rompimento. O texto objeto deste comentário (Fadiga de materiais: quando a fadiga enseja o fim de um ciclo) está no ESPAÇO ABERTO, hoje.

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