- Professor Seráfico

- 13 de mai.
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A corrupção tem sido apontada como um mal espalhado por todos os continentes. Nela se envolvem, em graus diferentes, país a país, políticos de quase todas as preferências ideológicas. Mal envolvente de profissionais das mais diversas origens e especialidades, do médico e do odontólogo que cobra dois preços por seus serviços - o cheio e o que lesa o fisco - até o militar, dentro e fora da caserna. É o que se tem visto, mundo afora. Os magistrados não escapam a essa vergonhosa conduta, como dela não estão isentos outros membros das mais diversas carreiras jurídicas. Mesmo na academia se encontram esses agentes perniciosos, igualando-se à grei dos profissionais da comunicação, que justificam a expressão pena alugada. Tem sido cada dia menos rara a aplicação de um prêmio tido como punição, quando o juiz, desembargador ou ministro é aposentado, levando com ele os razoáveis vencimentos que a sociedade lhes paga. Dentre os militares, inventou-se a morte ficta - a permanência entre os que ainda respiram, na condição de mortos; assim, seus herdeiros beneficiam-se dos soldos que todos os contribuintes pagam. Há, porém, uma categoria que, não sendo regida pelo Direito Público, tanto provê seus cofres com dinheiro do contribuinte, como ainda explora-o como consumidor. São os que, raramente alheios à prática do crime de corrupção, não se siba terem, em algum momento, sido objeto de qualquer, simples que seja, admoestação de seus colegas. Nunca soube de algum que, comprovadamente envolvido, tenha sido excluído das entidades a que se vincula. Não é raro, mesmo, que tal agente delituoso acabe por receber cumprimentos, rapapés e homenagens, prestadas por seus colegas autoproclamados beneméritos. Fico a pensar que eu e todos os cidadãos que levam a vida de acordo com a Lei temos o direito de receber uma explicação sobre esse fenômeno. Ou o crime de corrupção não tem agente ativo?
