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On-line, como recomendam a distância entre os participantes e os custos para superá-la, os integrantes do Núcleo de Estudos de Administração e Pensamento Social Brasileiro- ABRAS, reúnem-se às 17:00 de hoje. Vinculado à Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Universidade Federal Fluminense-UFF, o núcleo é integrado por professores, mestrandos, doutorandos e pesquisadores de diversas instituições de ensino superior. Dentre as iniciativas do ABRAS, a outorga do título de Intérprete do Brasil, atribuído a personalidades destacadas do mundo acadêmico e artístico, em algum momento (muitos, por toda sua vida) empenhadas em estudar e compreender a realidade em que vivemos. Também é anual a atribuição do título de Pesquisador Emérito àqueles profissionais que contribuem para o mesmo objetivo e tentam resgatar a importância do trabalho coletivo, aquele que justifica o surgimento, o funcionamento e a manutenção das organizações. Estas, tidas como o campo em que atuam grupos de pessoas, objetivando alcançar resultados transformadores da realidade. Seja pela superação dos problemas e dificuldades enfrentados no dia-a-dia das organizações – públicas, privadas e da sociedade civil, em todos os setores -, seja pela pesquisa e a interpretação das organizações em seus mais diversos aspectos. Só isso – não houvesse mais a justificá-lo, bastaria para reconhecer no Núcleo o esforço por superar as práticas insuficientes na administração, fazendo-a reinserir-se no campo das preocupações e do conhecimento humanos. Uma espécie de empenho na reiteração da Administração, como campo de estudos e ações, parte das que chamamos Ciências Humanas, não exatas, como o são a Matemática, a Física e a Estatística. Nem biológica, como a Química, a Medicina e tantos outros caminhos da Ciência. Darcy Ribeiro, Celso Furtado e outros estudiosos receberam o título de intérpretes, como o têm sido alguns artistas que põem sua sensibilidade a serviço da compreensão e expressão da realidade brasileira. Assim, Pixinguinha e Vinícius de Moraes também são considerados Intérpretes do Brasil, dentre tantos outros igualmente distinguidos compatrícios. Este ano, o colegiado escolheu o geógrafo Mílton Santos cuja vida foi marcada pelo estudo da terra e do homem brasileiros. Vários capítulos do ABRAS funcionam no País, constando dos objetivos da atual coordenação (Professores Paulo Emílio Matos Martins-UFF e Gustavo Costa, vice-coordenador-UEMA) a instalação, sob o abrigo das universidades públicas, de capítulo devotado à meritória proposta que o ABRAS encerra. Na reunião de hoje, será dado o passo inicial da programação destinada a reverenciar o trabalho do geógrafo baiano e deixar marcada na memória da sociedade brasileira a excelência de seu trabalho.

José Seráfico

Decano dos pesquisadores e coordenador do capítulo Amazônia, Manaus-AM.

 
 
 

Coube ao jornalista Otávio Guedes, do GloboNews, definir a relação de Lula e a sociedade brasileira. Em especial, os que o têm levado à rampa do Planalto, desde 2002. Seu primeiro mandato, respaldado pela esperança que vencera o medo, anunciou tempos novos e, em consequência, diferentes das experiências vividas sob José Sarney, Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso. Vencido o primeiro mandato, a tentativa de resgatar a dívida cuidadosamente construída e mantida chegou a resultados que produziram novo mandato. Algo terá avançado, portanto, relativamente às promessas de campanha e à geração de expectativas voltadas àquele resgate. A saída de Lula, no auge de popularidade, assegurou a eleição de Dilma Rousseff. Esta, cuja sagacidade passou ao largo dos cálculos de seu padrinho, nem por isso terá absorvido dele a mesma habilidade e o mesmo prazer que, segundo Ulysses Guimarães, alimenta o político. O golpe que a derrubou, arquitetado ao redor do gabinete presidencial, estremeceu as bases em que se sustentou Lula, nos dois mandatos sucessivos. Ao invés de fazer a autocrítica necessária, Lula deixou-se empolgar pela popularidade de que desfrutava, cumprido seu segundo mandato. Era hora, porém, de analisar o Brasil embalado por seu discurso e as propostas que ele logrou executar, comparado ao Brasil aviltado pelo golpe de Michel Temer e sua chusma. Sobretudo diante do crescimento da direita, mundo afora, e seu impacto sobre os reacionários brasileiros, seria necessário voltar às bases, aqueles segmentos sensíveis aos valores e necessidades defendidos pelo Partido dos Trabalhadores. Afinal, se a esperança havia vencido o medo e instalado no Planalto um operário, não havia razão nenhuma para abandonar as teses e ações que anunciaram no PT a chegada a um novo tempo. Há 10 anos, a agressão ao Estado Democrático de Direito fez mais que derrubar Dilma. O golpe repercutiu, sobretudo, na relação do próprio Partido dos Trabalhadores com as bases - e a esperança - sociais que o têm sustentado. Ontem, mais do que hoje. Daí vem a expressão do jornalista Otávio Guedes, que chega a ser poética, ao lembrar Caymmi, em sua imortal canção Marina - de mal com vocêê, de mal com vocêê...

 
 
 

Os pretextos para impedir a redução da jornada 6 X 1 são os mesmos que antecederam a chamada Lei Áurea. Também nada têm de diferente, se os compararmos à criação do salário mínimo. Como diferença não há, se for lembrada a criação do FGTS. Mais recente, a desenhar o perfil de nossas elites econômicas, o enterro da proposta de tributar as grandes fortunas. Como a de Daniel Vorcaro, de alguma forma e em algum momento, iniciadas com expressivos e suculentos nacos saídos do cofre público. A resistência à promoção do combate à desigualdade, como previsto na Constituição Federal, revela, de fato, a face perversa do egoísmo e da ganância. Há muito, tornei-me surdo às alegações dos especuladores e especialistas por eles arregimentados, para quem os números importam mais que as pessoas. Assim, não conseguirá envolver-me em discussão sobre os problemas de nossa economia, todo aquele que excluir a desigualdade dos itens a discutir. Se aos poderes republicanos cabe entregar-se ao cumprimento do artigo 3° da Lei Maior, isso não dispensa todo e qualquer cidadão de também curvar-se ao imperativo constitucional. A não ser que cada um se pense apenas res, coisa, não ser humano. É pequena a probabilidade da transformação de coisa em ser humano. Mais fácil a Jesus foi transformar água em vinho. Como o consumo do vinho cresce ano-pós-ano, por que garantir água aos que não podem consumir outra coisa?

 
 
 
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