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De mal com você...

Coube ao jornalista Otávio Guedes, do GloboNews, definir a relação de Lula e a sociedade brasileira. Em especial, os que o têm levado à rampa do Planalto, desde 2002. Seu primeiro mandato, respaldado pela esperança que vencera o medo, anunciou tempos novos e, em consequência, diferentes das experiências vividas sob José Sarney, Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso. Vencido o primeiro mandato, a tentativa de resgatar a dívida cuidadosamente construída e mantida chegou a resultados que produziram novo mandato. Algo terá avançado, portanto, relativamente às promessas de campanha e à geração de expectativas voltadas àquele resgate. A saída de Lula, no auge de popularidade, assegurou a eleição de Dilma Rousseff. Esta, cuja sagacidade passou ao largo dos cálculos de seu padrinho, nem por isso terá absorvido dele a mesma habilidade e o mesmo prazer que, segundo Ulysses Guimarães, alimenta o político. O golpe que a derrubou, arquitetado ao redor do gabinete presidencial, estremeceu as bases em que se sustentou Lula, nos dois mandatos sucessivos. Ao invés de fazer a autocrítica necessária, Lula deixou-se empolgar pela popularidade de que desfrutava, cumprido seu segundo mandato. Era hora, porém, de analisar o Brasil embalado por seu discurso e as propostas que ele logrou executar, comparado ao Brasil aviltado pelo golpe de Michel Temer e sua chusma. Sobretudo diante do crescimento da direita, mundo afora, e seu impacto sobre os reacionários brasileiros, seria necessário voltar às bases, aqueles segmentos sensíveis aos valores e necessidades defendidos pelo Partido dos Trabalhadores. Afinal, se a esperança havia vencido o medo e instalado no Planalto um operário, não havia razão nenhuma para abandonar as teses e ações que anunciaram no PT a chegada a um novo tempo. Há 10 anos, a agressão ao Estado Democrático de Direito fez mais que derrubar Dilma. O golpe repercutiu, sobretudo, na relação do próprio Partido dos Trabalhadores com as bases - e a esperança - sociais que o têm sustentado. Ontem, mais do que hoje. Daí vem a expressão do jornalista Otávio Guedes, que chega a ser poética, ao lembrar Caymmi, em sua imortal canção Marina - de mal com vocêê, de mal com vocêê...

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