top of page

O noticiário vai mostrando, cada dia mais, quanto se tem mentido, à custa de cinismo, hipocrisia e perversidade, ao longo das últimas décadas. Não digo que essas más qualidades do ser humano inexistissem, no passado remoto. Mesmo no que se vê distante do presente por décadas, lustros, séculos e eras. Há, porém, outros fenômenos que parecem ampliar, amplificar, abranger espaços, mentes e lugares diferentes, sempre com maior vigor e velocidade. É a tal aldeia global mencionada por Marshall Mac-Luhan. Daí a necessidade de a realidade ser observada com maior atenção e menor grau de preconceito. Se o passado é algo posto fora da probabilidade absoluta de mudança, o futuro não o é. Tratando-se de construção devida à ação humana – mesmo quando convocada a enfrentar as consequências de ações fora do controle dos seres humanos -, nenhum dos habitantes do Planeta está isento de culpa. Em termos mais sintéticos e simples: indivíduos e sua sociedade são os construtores (e destruidores) da realidade que nos cerca. Faz tempo, denuncio a hipocrisia em que consiste certo discurso supostamente hostil a todo tipo de crimes, persistentes, recorrentes, abusivos. Dentre eles, o tráfico de drogas. Se perguntarmos a quem quer que seja qual sua opinião a respeito, todos encherão a boca de adjetivos proferidos quase sempre com aparente indignação. Há, quase, unanimidade na condenação da conduta criminosa. Por que, então, ainda não se conseguiu ao menos reduzir a criminalidade correspondente? Na minha percepção, simplesmente porque a alguns é destinado o produto desse crime, menos hediondo que a hipocrisia dos que aparentam condená-lo. Volto ao noticiário, lembrando quanto o tráfico de drogas está enfronhado na sociedade, às vezes até nas instituições que deveriam protegê-la e fazer-se desenvolver. A relação desse crime com outros, de que a lavagem de dinheiro parece o mais frequente, até certo ponto explica iniciativas que é preciso investigar a fundo. Faz pouco tempo, chegava-se a dizer ingênua e quase com tom hilariante, da existência de bancadas da Bíblia, do boi e das armas, no Congresso Nacional. A sepultada PEC da Bandidagem, portanto, pode ser vista como um passo à frente, no combate do tráfico de drogas, tanto quando no combate a várias outras formas de delinquência. Nem seria preciso lembrar a descoberta de droga em avião integrante de uma comitiva presidencial, em Sevilha, Espanha. Menos, ainda, da reação de um dos responsáveis pela segurança institucional – o fato (a descoberta? A presença de droga no avião?) revelava o “descuido” de um suboficial. Ao fim e ao cabo, o único condenado pelo crime. Um aspecto positivo pode resultar do noticiário e da cobertura que, cada dia mais, deve ser dado ao tema: investiguem-se TODOS os que tiverem algo a ver com o fenômeno. Nas juntas comerciais, nas bolsas, nas escolas, nos quartéis, nas casas legislativas, nos gabinetes...!

 
 
 

Os progressistas brasileiros foram tomados de visível e compreensível euforia, após as manifestações de 21 deste mês, em dezenas de cidades espalhadas por todas as regiões do País. A reação do povo, as praças tomadas pela recusa de participar e ser vitimado pelo golpe ainda em curso foi maior do que se esperava, à esquerda e à direita. A audácia com que os promotores e apoiadores da PEC da Bandidagem e o PL da anistia vinham atuando parecia desestimular qualquer hostilidade no sentido contrário. Afinal, Hugo Motta e seus parceiros, somados aos traidores da pátria instalados no país a que dedicam todo seu amor cívico e aos quintas-colunas residentes no Brasil, agiam como agiram os agentes operadores do golpe frustrado e já punido pelas autoridades competentes. Tinham-se como donos do pedaço, a ponto de manifestarem sem embaraço o propósito de fazer tábula rasa de nossa soberania e de remover qualquer obstáculo que se antepusesse aos seus interesses e aos daqueles a quem devem obediência servil. Essa percepção de tudo poderem, ainda mais quando ostensivamente acobertados pelo governante estrangeiro que pode acionar armas atômicas, deixava-os à vontade. Na esquerda, o abandono do trabalho nas bases populares e o esquecimento de algumas teses responsáveis pela chegada de um de seus aliados ao poder, pareciam facilitarr a permanência do golpe, em curso antes mesmo da eleição de 2022. O 08 de janeiro de 2023, portanto, foi o divisor de águas. Menos por desinteresse ou desmotivação, os terroristas frustrados constataram ser maior sua incompetência e burrice que a força de sua mensagem. Mentira e ódio jamais conseguirão vencer o compromisso de todo ser humano que o sabe ser - a luta contra a desigualdade e o engajamento nas lutas pela constituição de uma sociedade próspera e menos desigual. Uma sociedade que se organize segundo o Estado Democrático de Direito e que saiba mandar os que a agridem e enxovalham para as penitenciárias, porque bandido bom é o que está atrás da grades, depois de transcorrido o devido processo legal. Como o que hoje contabiliza dezenas de apenados, alguns dos quais à espera do uniforme de presidiário em fase de confecção. A reunião de tanta gente no último domingo, cantando e gritando palavras de ordem (sem anistia! Ao PL da anistia só bandido se filia! Congresso, inimigo do povo!), todavia, não significa o tiro de misericórdia no projeto golpista. Este permanece vivo, daí a necessidade de ser intensificada a mobilização e novos e mais frequentados atos e manifestações de rua sejam realizados. Quanto mais gente for, mais reduzidas serão a desfaçatez e a audácia criminosa dos pertinazes agressores da democracia. Pertinácia igual à deles, só a de certos tipos de doença, geradores do escárnio e da pilhéria de suas lideranças. A vacina que eles negaram aos infectados pelo coronavírus, lhes será ministrada, para extirpar de seu rol de desejos a odiosa intenção golpista de que são portadores. Ao invés de hospitais, lhes será reservada hospedagem nas penitenciárias espalhadas pelo País. A reclusão é o primeiro antídoto a usar. O outro, será ministrado, em 2026, pelo título eleitoral dos cidadãos de bem. (É favor não ler de bens).

 
 
 

Atualizado: 27 de set.

A falência absoluta dos órgãos não basta como decreto da morte. Enquanto resta, em uma só pessoa, a memória do finado físico, não parece correto dizer dele que está morto. Só o silêncio se assemelha ao desaparecimento total do indivíduo. Outros, ainda que respirem, podem ter decretada sua absoluta ausência. O desprezo, às vezes o asco que elas atraem, leva-as para bem longe do que se chama memória. Nesta se reconhece a presença, a permanência, o convívio sem vida física, daquele que, fisicamente, não mais é computado no censo habitacional das nações. Tanto quanto os beneméritos se há de manter na memória, seus avessos ostentam e praticam ações demeritórias que devem condena-las à morte, mesmo se o coração continua a bater. Não é difícil condenar as pessoas a esse tipo de morte, em alguns casos agravantes para outras formas de pena que lhes terá sido imposta. Se os profissionais da comunicação usarem essa, que é uma das prerrogativas de que são privilegiados detentores, o ex-Presidente da República a que a maioria das população nega a anistia ou outra amenização da pena, logo teria decretado seu desaparecimento. A sugestão é a omissão, no noticiário impresso ou em outros meios de comunicação, para não ofender os olhos e ouvidos de seus leitores e ouvintes. Assim, o nome objeto de múltiplos, falsos e sucessivos batismos seria substituído por outra expressão. Esta não há de faltar, mesmo que a jornalista Mariliz Pereira Jorge não tenha encontrado, em longuíssima lista de (des)qualificativos, um que se mostrasse adequado. Com o julgamento e condenação do morto moral e político e sua coorte, já dispomos de razoável nomenclatura que dá conta de, mesmo desejando-lhe vida material longa, devolvê-lo ao esgoto que o despejou no ar livre e acabou por poluir o ambiente em que vivem mais de 200 milhões de seres humanos. Algumas sugestões virão a seguir, todas elas resultantes do trabalho sério e produtivo dos órgãos de investigação, defesa da sociedade e distribuição de Justiça, a saber, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e o Supremo Tribunal Federal. Eis uma primeira lista de sugestões. Outras certamente virão, tão rico o manancial de atos delituosos praticados pelo morto político e moral que respirará – desejamos e esperamos - por algumas décadas. À lista! Inelegível. Ladrão de jóias. Terrorista. Golpista. Genocida. Condenado. Líder de organização criminosa. Serviçal de Trump. Financiador de traidores da pátria. Cúmplice da covid-19. Outros terão suas próprias listas, porque sabedores de mais, que o autor deste texto ainda ignora. 

 
 
 
bottom of page