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Coube à empresária e ex-deputada Garcia (Rebeca) chamar a atenção para o que se pode esperar da reunião internacional sobre o clima e o ambiente, a realizar-se em Belém, em novembro próximo. Com formação na área econômica, à qual alia atividades empresariais, a representante amazonense traz importante contribuição para avaliar o significado do encontro, no que toca os interesses brasileiros, especialmente da Região Amazônica. Sua passagem pela Câmara dos Deputados e o exercício do cargo de Superintendente da Zona Franca de Manaus, certamente, credenciaram-na à oportuna manifestação ora comentada (Portalunico.com). Por enquanto, as vozes que mais repercutiram mostraram preocupação com o passado, mais que com o futuro que é nosso dever construir. Os custos do evento, as dificuldades enfrentadas pelos organizadores e segmentos sociais da Região têm servido de pretexto para críticas e condutas pouco ou nada admissíveis, cujas bases mostram a quase nula compreensão do que sejam federação e república. Do que se viu e ouviu, outras unidades da Federação tentaram impedir que a COP30 fosse sediada na Amazônia, embora o discurso de muitos dos críticos reitere estar nas florestas de mais de 50% do território nacional o manancial de recursos capazes de enfrentar muitas das dificuldades por que passa o Planeta. Já não é mais só a abundância da água que destaca a importância da Amazônia, onde também se encontram recursos minerais e biológicos estratégicos para vários segmentos produtivos. Justifica-se, portanto, a preocupação de Rebeca, quando aponta um aspecto relevante, que só a mente tacanha, a desonestidade intelectual, a ignorância opcional e a voracidade exacerbada não permitem enxergar. Assim, a convergência dos interesses do governo, em seus diversos níveis e âmbitos de atuação, e do setor privado, podem estabelecer um projeto digno e justo para este imenso pedaço do Brasil. Aqui, um cuidado não pode escapar à compreensão dos analistas e formuladores das políticas públicas para a Região. Refiro-me ao papel a ser desempenhado pela zona franca, cujo interesse só acidental e fugazmente diz respeito aos interesses da coletividade. Não sou eu quem o diz, mas os registros oficiais, alguns deles recebidos com a euforia das hienas. Fortunas foram produzidas pelos negócios instalados em Manaus, sem que isso evitasse chegarmos à segunda posição, quanto ao percentual de favelados que habitam a capital amazonense. Um dos piores índices do País. Os números relativos ao IDH, igualmente, estão longe de corresponder à condição de 6° dentre os maiores PIBs municipais que o Estado e a Região justificariam. Rebeca não disse, mas sua intimidade com os problemas regionais e os agentes econômicos da Região e do País, autorizam-nos suspeitar de que a captura do estado (leia-se poder público) por interesses distantes dos

legítimos interesses da maioria da população espera a oportunidade de ser explicitado por ela. Sobretudo porque a própria idade da ZF, quase sessentona, não pode ficar alheia às mudanças que o Mundo experimentou, ao longo das conturbadas décadas percorridas. Se não for assim, reiteraremos nosso arraigado anacronismo. Pior, ainda, a voracidade dos que, colonizadores retardatários, teimam em cultuar e cultivar a desigualdade - regional e individual.

 
 
 

Alguns analistas e especialistas em política e relações internacionais estão convencidos de que a Terra nunca esteve tão próxima de uma terceira guerra mundial. Preocupados com os conflitos ocorrentes em várias partes do Mundo e quanto a presença de Donald Trump na Casa Branca concorre para ameaçar a paz no Mundo, tais estudiosos não descartam o momento em que o presidente dos Estados Unidos da América do Norte repetirá a experiência provocada por um de seus antecessores - o único governante a fazê-lo em toda a História Universal -, em Nagasaki e Hiroshima. Afinal de contas, o botão detonador está nas mãos de Trump e há certas suspeitas de que da cabeça dele não se pode esperar venham exemplos de amor, se não ao dinheiro e ao poder. Há, mesmo, quem afirme não ter ele todos os parafusos necessários, em espaço anatômico que muitos especialistas suspeitam oco. A cabeça de Trump, porém, é cheia, sim: de ressentimentos; complexos, de inferioridade sendo o mais provável, também se alojam sobre seus ombros, tornando-o o ser abjeto que não é difícil identificar. Nada, porém, que não possa ser contido, desde que haja mais governantes, mundo afora, capazes de confronta-lo, respeitosa mas também firmemente. Como o fez o Presidente Lula, faz poucos dias, no ambiente em que se reunia quase toda a comunidade de governantes do Planeta. Diferentemente de Nicolai Zelensky e de Putin, o presidente brasileiro assumiu a posição que um e outro não poderiam adotar. O presidente ucraniano já deu provas de sua fragilidade, como dirigente de um país e como ser humano. Nem será preciso lembrar da cena patética por ele protagonizada, em visita à Casa Branca. Espezinhado, de joelhos diante do belicoso norte-americano, apenas confirmou sua condição de testa de ferro dos interesses a que se dedica o objeto de sua obediência e servidão. Do presidente da Rússia, igualmente, nada se pode esperar que concorra para impedir que o líder autocrático dos Estados Unidos da América do Norte deflagre a Terceira Guerra. O jogo de cena por eles posto em curso só consegue engabelar os tolos, mesmo estando claros os interesses pretextados para a guerra NA Ucrânia. Porque não se trata de um conflito entre os interesses dessa tão sofrida gente eslava contra os russos, mas uma briga que só tende a produzir dois ganhadores - os próprios invasores e os Estados Unidos da América do Norte. Assim, Trump e Putin têm interesses convergentes, defendidos ao custo da vida de cidadãos russos e ucranianos. Há, porém, governantes de países que podem intimidar o arrogante e enfurecido soba da ex-nação democrática localizada na porção Norte do continente americano. Sobretudo porque sua aproximação no BRICS lhes confere maior influência nos destinos do Planeta. De resto, da Humanidade. Dentre essas nações, algumas dispõem de arsenal atômico, possivelmente em conjunto, mais pesado e poderoso que o que tem seu botão detonador nas mãos de um amante das armas e do dinheiro. Logo, da morte - dos outros - também.

 
 
 

A boca é recepcionista do alimento, quanto o é do remédio e do veneno. Por ela também transitam, no sentido inverso, as palavras e as matérias processadas pelo estômago. Pode ocorrer, também, do produto intestinal tê-la como canal de lançamento ao exterior. Servindo para levar ao outro a palavra de conforto ou o conselho orientador, a boca também serve à confissão. Esta, sempre à espera da recompensa. O perdão pelo mal de que se envergonha e revela o oásis de honra contido no interior do animal humano, ou o arrependimento que, como sabe todo acácio, é pascácio também. Falastrão, bravateiro, arrogante, prepotente, nada disso exclui o Presidente Donald Trump de usar a boca e por ela dar-se a conhecer cada dia mais. Antes, ele afirmara que promove retaliações e agressões, mundo afora, porque pode. Ou seja, reconhece-se o todo e o mais poderoso dos homens e mulheres que habitam o Planeta. Não disse, portanto e porém, nenhuma inverdade. Detentor do arsenal atômico que o faz temido, ao invés de estimado e respeitado, nem mesmo o medo que ele gera em seus contemporâneos é tão assustador quanto outra circunstância. Esta corresponde a um fato que, passados milênios, a sociedade humana jamais esquecerá. Do seu país de nascimento partiram as terríveis bombas que destruíram e tornaram cinza as cidades de Nagasaki e Hiroshima. De lá - e só de lá. Ele é, portanto, mais que poderoso, e sempre, uma terrível ameaça. Ao Planeta e à sua população. Àquela frase (faço porque posso), agora ele acrescenta outra e põe a nu o entendimento que tem do fenômeno político. Percepção, diga-se, absolutamente afastada do pensamento dos filósofos e estudiosos que o entendem como a forma aconselhável de manter o bom relacionamento entre pessoas e nações. Esperar que Trump ao menos leu em alguma página escondida da literatura de sua preferência e devoção, o que um dia disseram Platão, Aristóteles e Montesquieu, seria prova do tamanho da ignorância, também, do incauto observador. Diário Caixa e Razão (planilhas, igualmente) não costumam trazer informações que tais. As páginas impressas e as telas de qualquer geringonça eletrônica, no entanto, admitem mais que o papel admitiria. Daí termos lido, já em dias desta semana, o conceito que Trump faz do exercício da presidência de uma república, não faz muito tempo aceita como um modelo de democracia. Trump -disse-o ele mesmo - faz negócios só com pessoas de quem ele gosta. Ou seja, a Casa Branca não é mais nem menos que a sede provisória de seus negócios. Desta vez, apenas a revelação oral de convicções que os fatos por ele protagonizados sempre foram exemplos vivos e frequentes.

 
 
 
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