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Passos em estrada minada

Desde a reunião de 22 de abril de 2019, dirigida pelo então Presidente da República, ficou transparente o objetivo maior da gestão presidencial. Proteger, favorecer e privilegiar a própria família seria missão prioritária do Estado, mesmo que à custa do desvio das funções da Polícia Federal. Isso foi dito com todas as letras pela autoridade maior, em palavras e gestos reforçados por outros dos presentes na sala do Palácio do Planalto. Nem se precisa lembrar do primeiro dos projetos em que o ex-capitão (um mau militar, disse dele o ditador Ernesto Geisel) esteve envolvido - a explosão da usina de abastecimento de água da cidade do Rio de Janeiro. Seria aquela frustrada operação um ato atribuído às milícias ou produto de uma ação terrorista? Talvez autoridades norte-americanas possam depor a respeito, dada sua competência para treinar quase todos os grupos terroristas em ação, de que a derrubada das Torres Gêmeas dá nefasto exemplo. Depois disso, a tentativa de golpe incluiu no iter criminis ações próprias dos que se dedicam a essa - e muitas outras, se sabe - modalidades criminosas. Porque além do desvio de funções constitucionais reservadas à Polícia Rodoviária Nacional, juntam-se a frustrada explosão de um caminhão, nas proximidades do aeroporto de Brasília e outras ações, de que a depredação de próprios públicos faz parte. Chega-se, portanto, não ao fim do terrorismo em território brasileiro. Dela se incumbem, hoje, sobretudo as milícias, paradoxalmente aplaudidas, financiadas e homenageadas por muitos dias que se dizem hostis a elas. O dizer e o fazer cada dia mais distantes. No mundo globalizado em que vivemos, a pretensão de fazer de cada estado nacional um entre autárquico, menos sinal de independência o é de supina burrice. Também neste caso, o ditador Ernesto Geisel tinha razão: estados têm interesses, não laços de amizade. Como disse o economista Paulo Batista Nogueira Jr,, em artigo postado no ESPAÇO ABERTO deste blogue, não se pode admitir que o adversário escale nossa seleção.

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