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Até o jornalista William Wack, alinhado com as teses de direita, considera vassalagem dos zeros-à-esquerda e suicídio político de Trump, o novo tarifaço que o soba norte-americano parece em vésperas de decretar sobre os produtos brasileiros. Por isso, atribui ao fato, se se concretizar, como um presente do governante dos Estados Unidos da América do Norte ao Presidente Lula. Além disso, o jornalista, um dos poucos brasileiros que falam russo com fluência, considera fulcro da pendenga a criação do Pix. Qualquer que seja a direção para onde se aponte, há que ser dito estar com Wack a razão. Nas suas palavras, o ditador de olhos azuis não deseja aliança, mas vassalagem. E, nesse particular aspecto, ninguém desempenha com maior competência esse miserável papel, se não os membros dessa famiglia, que muitos veem não mais que uma milícia. Daí a expressão familicianos. O que daria mote para nomear uma péssima banda de música, por ventura nas paradas – famifelicianos. Contem-se os agregados. Não escapará mesmo aos menos informados, que os zeros-à-esquerda são exemplos ambulantes do que se tem chamado de síndrome de Estocolmo. Relembre-se que a expressão é usada para caracterizar o apego de pessoas sequestradas, dirigido a seus sequestradores. A vítima amando o seu algoz. Nos casos em que se têm envolvido os membros dessa famiglia, há de destacar as consequências dessa forma de render reverência e homenagem além do apego, aos que os molestam. Seria muito melhor vê-los levados ao lugar em que cabem suas vocações criminosas e os atos por elas inspirados, a cadeia. Sem a necessidade de impor aos brasileiros as penas aplicáveis aos delinquentes. É isso o que ocorrerá, todavia, caso permaneçamos na leniência que se torna cumplicidade, a desafiar o ordenamento jurídico do País e agredir os princípios básicos do que se conhece como Estado Democrático de Direito. Ao invés, todos poderemos nos tornar cúmplices de um estado autocrático de direita, com a possibilidade de transformarmos o que é uma república que teima em ser respeitada no concerto internacional, a um regime teocrático, em que o fanatismo, a discriminação e a ignorância constituem-se em fundamento. Só aos autoritários aproveitam o vassalo, o ignorante e o fanático.

 

 
 
 

Ora, vejam só! De onde veio o estímulo ao estupro e ao nascimento de crianças produzidas por um crime? Exatamente dos que dizem defender Deus, Pátria e Família. Observadas outras condutas típicas da elite direitista do País, nada surpreenderia. As manifestações de ódio à pobreza, o desprezo pelos interesses nacionais, não aconselharia surpresa. Tão repetitivas, tornaram-se rotineiras, deixando claras as (más) intenções de suas lideranças e militantes. A proteção dos membros da famiglia, a crença em qualquer deus que lhes provenha os cofres, a submissão a governantes de outra nação, então, são os traços marcantes em toda sua lamentável e predatória passagem pela Terra. Mas, dizia um político norte-americano, há quem consegue enganar poucos por muito tempo, muitos por pouco tempo - e ninguém que consiga enganar todos, o tempo todo. Chega o dia em que a máscara cai. Alguns, por isso, acabam seus dias na penitenciária. O que explica as agressões ao poder republicano de onde será emitida a sentença condenatória. As pernas da mentira são curtas.

 
 
 

Vergonhoso, mais que tudo, é constatarmos a desfaçatez - para não dizer poisa pior - com que as elites brasileiras encaram o trabalho humano. Enquanto aqui parte dela, majoritária no Congresso, tenta impedir a qualquer que seja o custo, a redução da jornada semanal do trabalho, número divulgado pela Eurostar faz conhecer quanto trabalham os europeus. Nem por isso as sociedades de cerca de 30 países discriminados no mapa aqui postado (ontem, na aba NAONDA) foram à bancarrota. Apenas um desses países, a Turquia, mantém a jornada de 44 horas/semana. Em nove dos países mapeados, vige o regime de 38 horas semanais, havendo mesmo o registro de 32 horas, nos Países Baixos. A grande maioria deles, cerca de 85% adota jornada inferior a 40 horas. Dentre eles, os de maior expressão política, social e econômica. Nada que possa surpreender o observador informado, eis que ainda hoje a prática do trabalho escravo não chega a constituir exceção. Ao contrário, mesmo denunciado pela maioria dos cidadãos que ganham o pão que os mantêm com dignidade e mantêm sua família, ainda se assiste à tentativa de evitar qualquer avanço. Mas a defesa do retorno à escravidão não esgota a perversidade com que atuam as elites, com ou sem mandato popular. O simples fato de se sentirem encorajados a apresentar propostas tão malignas indica a verdadeira causa mobilizadora de grande parte do Congresso: o enriquecimento pessoal ou familiar, a que se vinculam as práticas mais nocivas, como as emendas parlamentares, as decisões encomendadas por setores influentes da economia, se não quisermos lembrar das rachadinhas, características de certo tipo de traidores. O caso Vorcaro, portanto, diz muito mais do que se apurou até agora. Longe de esgotar o conhecimento da trajetória dos que a ele estão direta e intimamente ligados, o trabalho criterioso das autoridades policiais já pode revelar, ao menos como síntese, a capacidade do aventureiro dono do banco Master. Rapacidade mais que capacidade, tantas as fórmulas criminosas de que se valeu, para chegar aos merecidos constrangimentos por que agora passa. Não faltam, no rol das peripécias de Vorcaro, projeto de lei elaborado no escritório do principal interessado; superfaturamento de serviços; lavagem de dinheiro - tudo isso, festejado em bacanais e regado ao melhor uísque. No Brasil e no exterior. Como convém a uma elite despudorada e à qual é quase temerário atribuir a condição humana. Fazê-lo equivaleria a nivelar por baixo toda uma espécie animal. A que se diz superior.

 
 
 
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