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Diz-se do tempo, ser senhor da razão. Aos fanáticos, porque incapacitados à superação dos limites de seu cérebro, passará despercebido o acerto com que se houve (e vem havendo) o Presidente Luís Inácio Lula da Silva, quando o soba norte-americano tentou chantagear-nos. O primeiro erro de cálculo de Donald Trump consistiu em assemelhar o chefe do Poder Executivo brasileiro ao seu pau-mandado da Ucrânia. Neste particular aspecto, desde cedo entendi que o conflito de que a Ucrânia é palco tem como protagonistas a Rússia e os Estados Unidos da América do Norte. Não é o fato de que as ações ocorrem no território daquele país europeu, que deve ser levado em conta, mas os interesses que o conflito envolve. Cada dia é maior o número dos que entendem a guerra em que Wolodmir Zelensky é mero preposto, como fenômeno que ocorre na Ucrânia, sem nem por isso ser uma luta da Ucrânia e de seu povo. Neste caso, os ucranianos e os mercenários que arriscam a vida estão agindo em nome de um terceiro país. A esse erro de origem, Trump acrescentou o de reiterar suas costumeiras grosserias e ameaças, que a maioria dos governos nacionais somente agora percebe como sinais do reconhecimento de que a nação mais poderosa e belicosa do Planeta está em período de flagrante decadência. Como a fera acuada, se aumenta o grau de agressividade de Trump, vai ficando claro que muitas de suas ações correspondem à resposta de quem se vê mais ameaçado ainda que os inimigos. Aí, aumenta o risco de os Estados Unidos da América do Norte fazerem da Terra o que o Enola Gay fez em Nagasaki e Hiroshima. Nunca será demais e despropositado lembrar que somente a nação governada por Donald Trump fez explodir uma arma atômica. O desespero pode levar a tudo de mau quanto a mente humana é capaz de produzir. As ameaças recentes, seguidas de ações que, para os padrões norte-americanos possam parecer apenas intimidatórias, se não repelidas com vigor podem atrair novos riscos para o Brasil. Refiro-me às agressões à Venezuela, a pretexto de combater traficantes, qualificados apenas pelo soba. A renúncia de um chefe das forças de mar do império em decadência, porém, pode ser um sinal favorável à possibilidade de contenção do belicoso presidente norte-americano. Outras nações dispõem, tanto quanto os Estados Unidos da América do Norte, de armas nucleares. A eles cabe, portanto, o dever de manifestarem-se. Trump já mostrou como são tratados os pets e os leões que sabem rugir.

 

 
 
 

O colunista Ruy Castro traça, como nenhum outro cronista ou apenas observador da cena política, o perfil social, humano e profissional do governador de São Paulo. Para o autor de memoráveis biografias de Mané Garrincha, Nelson Rodrigues e Carmen Miranda, tem sido pouco lisonjeira e dignificante a presença do aspirante à Presidência da República. Segundo o membro da Academia Brasileira de Letras, Tarcísio de Freitas não é menos que uma fraude. Nem pode ser chamado de fluminense, eis que nunca foi visto dentro das águas de Ipanema, Copacabana ou qualquer outra das muitas e belas praias daquele pedaço do Atlântico. Nem há quem o tenha visto entrando ou saindo de algum boteco dos que povoam as ruas que outro cronista chamava encantadas do Rio de Janeiro. Quanto à pretensão de constituir-se herdeiro do espólio do ex-presidente condenado pela justiça, o cronista o vê como Julio Cesar viu Brutus. Ou seja, os lamentos pelo destino de seu criador político não são mais que uma farsa. Na verdade, assegura Castro, a inelegibilidade do patrono alimenta seu apetite voraz pelo poder. Mesmo à custa de esquecer quanto lhe tem válido a carona em motocicleta integrante de um dos muitos passeios e peripécias irresponsáveis do chefe. Ao dizer que o estado de saúde do seu padrinho político é lastimável, o que Tarcísio diz - ainda de acordo com o festejado biógrafo - é da incapacidade de o mito de pés de barro dirigir até um carrinho de pipoca. Nem seria necessário arrolar dentre as façanhas do pretenso candidato da extrema direita o elevado índice de criminalidade do Estado por ele governado. Em resumo, o perfil conduz a uma única e pouco edificante conclusão: Tarcísio de Freitas é mais um dos muitos carreiristas que constroem sua vida sobre areia movediça, quando não sobre a lama. O que não quer dizer estar ele absolutamente afastado de parte da realidade. Basta ver quantos, agindo como age o governador de São Paulo, se abrigam em posições que lhes permitiram acumular fortunas. Mesmo sendo diferentes do romano ingrato a César, não lhes tem faltado brutalidade.

 
 
 

Associou-se a imagem do chamado rei das selvas à Receita Federal. Para cumprir seu papel no estado moderno, o órgão arrecadador deveria ter sempre em mente o caráter de redistribuição que lhe é reservado. Em síntese, seu papel não se esgota na preocupação de fornecer recursos financeiros que assegurem o funcionamento do aparato oficial. É graças ao esforço dos agentes do fisco que flui parte da riqueza produzida em todos os países que se apresentam ou reivindicam algum grau de civilização. Afinal, o próprio Estado representa (ou apenas representaria, sem nunca ter chegado perto de fazê-lo?) um avanço, relativamente a outros expedientes de que se vale a sociedade humana, como instrumento capaz de superar os obstáculos e dificuldades decorrentes da convivência entre pessoas. Avulta destacar, mas nem sempre isso frequenta a cogitação dos interessados, quanto podem os estados modernos valer-se das agências fiscais sob seu poder, quando se trata de reduzir as desigualdades e tornar menos conflituosas as relações sociais. Ou seja, sem que tenhamos presente a ideia de Justiça Social, e sem que seja adequadamente distribuída a riqueza gerada na sociedade, será falácia alegar qualquer sinal de humanidade às pessoas que se julgam animais superiores aos que habitam as selvas e andam com as quatro patas sobre o chão. Milhões de palavras que sejam ditas, aqui ou em qualquer lugar, jamais impedirão nosso testemunho a respeito da sociedade em que vivemos. Nem mesmo os maiores beneficiários do que eles mesmos produzem - a pobreza, a doença, a morte por qualquer pretexto, a exclusão dos diferentes, a discriminação de todo tipo etc. - conseguem empanar a vista dos que têm olhos de ver. Não é preciso, sequer, recorrer ao exemplo de outras nações, tão pobres quanto as da Ásia e África, e tão distantes, para constatar o grau de desigualdade espalhado pelo Planeta. Fiquemos no continente americano, sobretudo porque nele se situa a sede de onde promana a mensagem de louvação à desigualdade e o brado em favor de uma nova guerra. Em escala global, porque assim o determinam os apetites vorazes e o modus faciendi posto em prática no exato momento em que escrevo, na faixa de Gaza, na Síria, no Congo, na Venezuela e em tantos outros lugares. Os brasileiros, igualmente, não temos fugido à regra geral: quanto mais ínfima minoria acumula dinheiro, bens e poder, a grande maioria sobrevive em condições sub-humanas. a não ser que levemos em consideração dos cuidados, as atenções e outros benefícios de que desfrutam os animais ditos de estimação. Os pets, como o chamam os que ajustam sua linguagem à moda imposta pelo modo de produção em vigor. A RF é chamada de leão, porque assim o classificam os que recusam deixar parte da exagerada remuneração que recebem, mesmo se isso condena a maioria à morte. Por doença ou inanição. Às vezes, até, pela ação de seus próprios paus-mandados. Alguns desses, vinculados a alguma das organizações de que esperam ter a vida garantida.

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*No ESPAÇO ABERTO há mais de Leão XIV.

 
 
 
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