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Nova oportunidade

Os conservadores devem esfregar as mãos, diante do inenarrável acontecimento. As investigações da Polícia Federal são o motivo do júbilo que os produtores e beneficiários da desigualdade experimentam. Quando se ia consolidando a quase inevitável reeleição de Lula, eis que explodem minas instaladas no espaço político do Presidente da República. Um caso típico de fogo amigo, capaz de forçar a busca do tão sonhado candidato alternativo às duas hipóteses postas na mesa do jogo eleitoral. Não que Lula desagrade a todos os que desejam conservar a desigualdade, tanto eles se têm beneficiado. Imaginar que a Faria Lima espouca champanhe e solta foguetes não é ir longe demais. A captura do estado pelos acumuladores de sempre tem poucas chances de ser substancialmente alterada, mas com Lula a velocidade da acumulação e a voracidade dos que só fazem acumular tornaram-se menores. Mais gente passou a consumir, é desprezível o índice de desemprego, a Polícia Federal voltou às suas funções de Estado. Ou seja, os requisitos de uma verdadeira democracia vêm sendo cumpridos. Isso, manda a História observar, desagrada aos acumuladores e aos que lhes prestam serviço. Está-se portanto, diante de outra oportunidade que bem poderia ser sintetizada pela imagem da letra Y. O caminho bifurca-se, seguindo a polarização tantas vezes mencionada, mas raramente entendida. Ou aproveitamos para reeleger Lula e dar a ele a oportunidade de avançar na redução da desigualdade ou as elites encontram seu delegado, quem sabe até dentro da turma que Vorcaro mantém ao seu redor. De resto, a certeza de que ao eleitor sempre caberá escolher entre o sonho e a cumplicidade. Colocar no Planalto seus próprios algozes e respectivos cúmplices, ou manter Lula e lhe oferecer a maioria parlamentar constitui o dilema. Que só aoeleitor cabe desfazer.

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