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Superpopulação

19 de jun.
2 min de leitura

Todos reconhecemos o excessivo número de presidiarios. As penitenciárias brasileiras não bastam para acolher os acusados de práticas criminosas, desde o furto de uma barra de cereais, até os crimes em que se especializaram as diversas organizações criminosas. Antes restritas a umas poucas quadrilhas (aproveitemos o período das festas juninas) e vinculadas ao comércio das drogas, essas organizações se multiplicaram e ampliaram o elenco de crimes por elas praticados. Já não são apenas o PCC, a Famllília do Norte e o Comando Vermelho os exclusivos integrantes desse abjeto rol. A mais divulgada dessas quadrilhas, hoje, é a Turma, uma espécie de guarda pretoriana privada de Daniel Vorcaro e seus convivas. Há, também, famiglie geradas às proximidades do poder, circunstância que torna seus líderes beneficiários de concessões de que a prisão domiciliar é o mais ostensivo exemplo. Vale, por oportuno, lembrar que grande parte dos presidiários sequer foi julgada, não havendo, portanto, sentença cabal e definitiva, percorrido o devido processo legal. O que leva à indesejável e perversa conclusão de que há duas categorias de cidadãos, neste país tão desigual. Quanto maior o patrimônio do criminoso, quanto maior sua proximidade com o poder, maiores as regalias de que goza, seja lá qual for a gravidade dos atos ilícitos a que se dedica. Uma sugestão ao poder Judiciário, como colaboração à anunciada e pretendida erradicação dos vícios escondidos em muitas das togas envergadas: promover mutirões que levem à redução da atual população encarcerada, em especial os que surrupiaram uma barra de cereais ou bens de valor aproximado e os que, sem sentença prolatada, mofam nos presídios. Em seu lugar seriam postos os ladrões engravatados, não tão pouco numerosos. Não se descarte a hipótese de, posta em liberdade grande parte dos presos, talvez fosse necessário, não obstante construir mais prisões. De máxima maximorum segurança.

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