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Começam a surgir no horizonte político nuvens que podem ameaçar e frustrar candidatos em plena campanha antecipada. Sem água, mesmo assim poderá desabar tempestade, devastadora para muitos dos que veem um mandato como habeas-corpus e seus tranquilizadores efeitos. Declarações e atos proferidos e cometidos por protagonistas da cena política ou seus mais próximos apoiadores firmam e aumentam a probabilidade de novas defecções. Já se contam, em passado recente, pelo menos duas, a da ex-primeira dama e a do senador Aécio Neves. A primeira, em lance que fragiliza a candidatura de seu enteado. A do neto de Tancredo, nada mais que nova pá de terra na cova do moribundo PSDB. Se prosseguir no ritmo e na continência diante das leis penais, a Polícia Federal imporá constrangimento ainda maior a muitos candidatos, dentre eles o herdeiro do espólio político de um presidiário. Já se sentem rumores de que o suposto principal adversário de Lula pode abandonar a raia, antes do outubro que lhe pode ser fatal. Até fiéis aliados começam a avaliar a situação, diante, sobretudo, de uma constatação que começa a disseminar-se. O ainda candidato da direita, por atos e declarações, tem sido o melhor cabo eleitoral de seu adversário. A frequência com que Lula tem aparecido nos media e a forma como se expressa e o conteúdo de sua expressão antecipam o inevitável vexame a ser passado pelo herdeiro, em qualquer debate. Talvez esse, mais que a apuração de algumas peças da delinquência atribuível ao ainda opositor do atual Presidente, seja mais relevante que sua vida pregressa. Se o pai receber das autoridades policiais e judiciárias o tratamento determinado pela Constituição, aí então, começará novo round na disputa pelo espólio.

 
 
 

Mesmo não sendo totalmente ocioso, o aposentado dispõe de mais tempo para pensar bobagens. Ainda que os dias e as horas de um idoso afastado do trabalho – remunerado, chamemos assim – sejam preenchidas com algumas tarefas que lhe parecem agradáveis, embora gratuitas, sempre haverá alguns segundos, minutos, horas e dias em que ele pode dispor de tempo para refletir sobre assuntos, temas e problemas que não existem, se não para eles mesmos. Essa, uma das maiores vantagens da aposentadoria, a que se entregam os vagabundos, como o aposentado Fernando Henrique Cardoso nos chamava. Em tempos de Copa do Futebol Mundial, pessoas de que não conhecíamos uma só incursão no mundo do futebol acham de ter nele inspiração para escrever. Escreve-se sobre os mais diferentes aspectos dessa modalidade esportiva, alguns até revelando enorme sensibilidade, quando a paixão não está presente. Ora é o desempenho de uma equipe ou jogador posta em xeque; ora é a hesitação do técnico, quando não o suposto equívoco da troca de jogadores durante a partida; ora, ainda, é a atuação dos árbitros a influenciar o resultado da disputa. Este ano, não tem sido diferente. Por isso, tanto há observadores apontando resultados surpreendentes, como a eliminação da Alemanha pelo Paraguai ou do Brasil pela Noruega, como os há interessados em comentar deslises cometidos pelos treinadores ou reiterar restrições ao uso do VAR. Não é qualquer desses pontos que motiva as reflexões que tenho feito, depois da leitura de muito do que tem sido dito e escrito sobre os jogos que se encaminham para a decisão final. Aguçou-me a observação e desafiou meu raciocínio a imagem do goleiro do Marrocos, na tentativa de evitar que o chute de Mbappé entrasse no que os narradores chamam cidadela do apelidado arqueiro. No caso, Maignan. O defensor marroquino aparece de corpo inteiro, em voo lateral, os braços estendidos na direção da bola. Nesta é que ponho minha atenção. Suas cores, o desenho dos traços que ficam visíveis aos jogadores e aos espectadores, dentre os quais jogadores da França e do Marrocos, atraem mais que qualquer outra coisa (ou detalhe) meu olhar. O colorido da esférica (dizem-no os narradores e comentaristas) exerceria alguma influência sobre a visão do goleiro? Sem ser pintor ou crítico da arte de Rafael e Michelangelo, nada posso afirmar. Muito menos disponho de alguma qualificação na área de Psicologia, a ponto de poder afirmar que o atleta ao qual cabe evitar que a bola ultrapasse a linha paralela à trave arrisca ser traído por sensação capaz de reduzir-lhe a capacidade de cumprir bem sua tarefa. Alguns dirão quanto o ócio pode gerar tolas especulações. A outros – quem sabe – poderá parecer que a reflexão sobre o detalhe aqui destacado tem tudo para ser objeto de justa e oportuna reflexão. Ou não?

 
 
 

Chitãozinho e Chororó notabilizaram-se pela composição Evidências, um oásis no meio do vasto território percorrido pela canção chamada sertaneja. Cantada por todas as plateias reunidas para ouvi-los, a canção realmente destaca-se, dentre tantas que não passam de um cantochão barulhento e, não obstante, conquistam admiradores. Há gosto para tudo. Mas não é dessa bela canção da dupla de irmãos que desejo falar. Ocupa-me, agora, a reflexão sobre o sempre oportuno e esclarecedor texto escrito e publicado pela jornalista Cora Rónai, n' O Globo. O título do artigo, Mudança de Regime, repete o nome dado pelos autores de obra editada em livro, no qual Maggie Haberman e Jonathan Swan analisam o governo de Donald Trump e indicam processo que eles consideram capaz de mudar o regime nos Estados Unidos da América do Norte. As decisões, as ações e as repercussões de umas e outras têm levado a comunidade internacional, até certo ponto, à surpresa e, ao mesmo tempo, ao desalento. Segundo a filha do celebrado tradutor húngaro Paulo Rónai, os dois escritores norte-americanos apontam para algo até pouco tempo impensável, em especial pela admissão antes jamais contrastada de que a república presidida por Trump sempre se vangloriou do caráter democrático que lhe caberia demonstrar ao Mundo. O que se observa hoje, é o evidente declínio da imagem positiva e animadora que a Constituição e sua Primeira Emenda espalharam, Mundo afora. Ao contrário, Donald Trump parece empenhado em desfazer a imagem do Big Brother, substituindo-a pela do inseticida que toma todos as demais nações como aglomerados de Cucarachas. Arrogando-se o papel de dono do Mundo, uma espécie de Napoleão sem Josefina ou Calígula sem Incitatus, o Presidente dos Estados Unidos da América do Norte entrega-se à tarefa de subjugar outros povos, impondo humilhação mesmo aos que veem nele o líder capaz de levar à paz e à abastança. Nem uma coisa, nem outra, porém, é percebida pelos melhores e mais isentos observadores, tantas a agressões contra os que o soba de olhos azuis tem praticado, em não importa qual continente. Por enquanto, pouco a pouco se vai reduzindo a influência daquele país no concerto internacional, dada a pauta nada musical que o pretenso imperador de todos os povos coloca como roteiro de sua desastrada atuação.

 
 
 
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