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Evidências

Chitãozinho e Chororó notabilizaram-se pela composição Evidências, um oásis no meio do vasto território percorrido pela canção chamada sertaneja. Cantada por todas as plateias reunidas para ouvi-los, a canção realmente destaca-se, dentre tantas que não passam de um cantochão barulhento e, não obstante, conquistam admiradores. Há gosto para tudo. Mas não é dessa bela canção da dupla de irmãos que desejo falar. Ocupa-me, agora, a reflexão sobre o sempre oportuno e esclarecedor texto escrito e publicado pela jornalista Cora Rónai, n' O Globo. O título do artigo, Mudança de Regime, repete o nome dado pelos autores de obra editada em livro, no qual Maggie Haberman e Jonathan Swan analisam o governo de Donald Trump e indicam processo que eles consideram capaz de mudar o regime nos Estados Unidos da América do Norte. As decisões, as ações e as repercussões de umas e outras têm levado a comunidade internacional, até certo ponto, à surpresa e, ao mesmo tempo, ao desalento. Segundo a filha do celebrado tradutor húngaro Paulo Rónai, os dois escritores norte-americanos apontam para algo até pouco tempo impensável, em especial pela admissão antes jamais contrastada de que a república presidida por Trump sempre se vangloriou do caráter democrático que lhe caberia demonstrar ao Mundo. O que se observa hoje, é o evidente declínio da imagem positiva e animadora que a Constituição e sua Primeira Emenda espalharam, Mundo afora. Ao contrário, Donald Trump parece empenhado em desfazer a imagem do Big Brother, substituindo-a pela do inseticida que toma todos as demais nações como aglomerados de Cucarachas. Arrogando-se o papel de dono do Mundo, uma espécie de Napoleão sem Josefina ou Calígula sem Incitatus, o Presidente dos Estados Unidos da América do Norte entrega-se à tarefa de subjugar outros povos, impondo humilhação mesmo aos que veem nele o líder capaz de levar à paz e à abastança. Nem uma coisa, nem outra, porém, é percebida pelos melhores e mais isentos observadores, tantas a agressões contra os que o soba de olhos azuis tem praticado, em não importa qual continente. Por enquanto, pouco a pouco se vai reduzindo a influência daquele país no concerto internacional, dada a pauta nada musical que o pretenso imperador de todos os povos coloca como roteiro de sua desastrada atuação.

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