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Mais que simples declaração de apoio à resistência do governo brasileiro, a manifestação de Xi-Jin Ping embute outros significados. Basta examinar o contexto em que o Presidente chinês fala, não o momento inaugural de um processo caracterizado, sobretudo, pelas ameaças que pesam sobre o prestígio internacional do império decadente. O segundo mandato de DonaldTrump, até agora, não tem conseguido levar a termo o projeto MAGA, se é que o resultado mostra crescentes perdas para o pretenso senhor dos mundos. Se antes faltavam dados e condições reveladores do declínio da influência norte-americana em termos planetários, a criação do BRICS como um divisor de águas , manda a verdade dizer, esses fatores só têm crescido. Outras nações somaram-se ao grupo, guardam desde que a África do a ele foi integrada. Outras nações foram incluidas, sendo que outras agora aguardam lá renifedrecepção. O grupo inicial, representando mais de 30% do RS PIB mundial, está próximo de superar com enorme vantagem, gira metade da população mundial. As hostilidades de Trump ao BRICS, ninguém ignora, tem sido a forma até aqui por ele encontrada para intimidar o Mundo. Um aspecto a considerar, se ao acúmulo de agressões (de que o tarifaço e as ameaças de ordem territorial, por enquanto focadas na Venezuela, Panamá, Noruega, Cuba, Oriente Medio são inevitáveis exemplos) não detiver a resistência a que a China empresta apoio, é o uso do Arsenal atômico, a partir do Pentágono. Quando faltam argumentos, a força ganha foros de panaceia. O tigre de papel há muito deixou de sê-lo.

 
 
 

Hoje, o ESPAÇO ABERTO traz oportuna e lúcida análise das candidaturas ao governo do Estado do Amazonas e dos grupos que as sustentam e apoiam. Nada que fuja ao figurino que se desenhou faz quase um século. Vale a pela ler o comentário do Presidente do Comitê de Combate à Corrupção Eleitoral no Amazonas, o qualificado Carlos Santiago. Vá lá!

 
 
 

Por Carlos Santiago*


A campanha eleitoral oficial no Amazonas nem começou, mas o discurso contra a velha política já consta nos palanques. Não é difícil identificar a velha política, embora ela tenha um significado bem amplo. Pode ser a política movida por favores não republicanos, um toma lá, dá cá, sem levar em consideração que a coisa pública deve ter como objetivo a coletividade; ou quando grupos políticos ou grupos familiares recebem cargos públicos ou outros benefícios, usando o bem público para promover alianças eleitorais e até empresariais. Também é a apropriação de siglas partidárias para reproduzir preferências pessoais de pequenos grupos ou de famílias que querem se perpetuar no poder.

Dos postulantes ao cargo de governador do Amazonas, os partidários e os correligionários do ex-governador Wilson Lima (União Brasil) usam a narrativa do combate à velha política para vencer o pleito de outubro. Geralmente, seus alvos são os ex-governadores Eduardo Braga (MDB) e Omar Aziz (PSD). Braga quer a reeleição para o Senado Federal, e Aziz busca retornar ao Poder Executivo estadual. Ambos foram governadores e parlamentares. Ocuparam, ainda, outros cargos relevantes: Aziz foi secretário municipal e estadual, enquanto Braga administrou a Prefeitura de Manaus.

A pré-candidata pelo Partido Liberal (PL) também tem lançado mão da narrativa antivelha política para criticar os adversários. Maria do Carmo faz comentários negativos envolvendo o senador Omar Aziz e o grupo de Wilson Lima, que tem como pré-candidato Roberto Cidade. Chama os governos do ex-governador e do atual governador de ineficientes, além de expor denúncias de corrupção envolvendo os últimos governantes do Estado.

Nem o ex-prefeito David Almeida (Avante) escapa das críticas dos adversários por ter nomeado sua irmã para comandar a Secretaria Municipal de Educação (SEMED) e escolhido nomes de parentes para prédios públicos, como forma de homenagear pessoas pela relação sanguínea. E o próprio Almeida, nas eleições de 2020, usou bastante o discurso antissistema ou contra a política tradicional para vencer o pleito contra o ex-governador Amazonino Mendes.

Então, se a velha política consiste em práticas antirrepublicanas, no uso de bens públicos para interesses familiares e no controle de siglas partidárias para manter o poder familiar em benefício do próprio interesse, quem, no Amazonas, pode se encaixar nesse conceito tão amplo?

Ela está nas ações e decisões dos senadores Eduardo Braga e Omar Aziz, que controlam há décadas seus partidos políticos e cujos governos foram alvos de operações policiais? Está no grupo de Wilson Lima e do atual governador, cuja empresa familiar prestou serviços ao Governo do Amazonas, inclusive quando ele era presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas? Ou está no seu vice-governador, que é um antigo personagem da política local e controla, direta ou indiretamente, o seu partido há décadas? Está nas posturas de David Almeida, quando nomeia parentes para a administração pública e privilegia nomes de familiares em obras públicas? E o PL da dona Maria do Carmo não promovem ou não se aliam à velha política? E os deputados estaduais da sigla não foram parceiros dos últimos governos do Amazonas? O presidente do PL, Alfredo Nascimento, não controla a sigla há décadas?

O discurso contra a velha política ganha, novamente, os palanques; o difícil é saber onde ela não está.



*Sociólogo, Cientista Político, Filósofo e Advogado.

 
 
 
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