top of page

Devemos chorar os mortos

enquanto nosso dia não chega

porcos não choram

e o riso das hienas é o

mesmo dos assassinos

fornecedores dos cemitérios

repositórios do instinto genocida

que a alguns tanto inebria

a esses, parceiros da morte

estejam no centro, no sul

leste, oeste ou norte

de nada vale o sol

a escuridão que sua mente abriga

qualquer bom sentimento repudia

deixemos cumprirem sua sina

não fazem o mal por mau gênio

a plena ignorância...

são assim, apenas...

 
 
 

Apto e alto

vírus insistente

na caminhada fatal

em caminho nada

alvissareiro

insensível a todo toque

exceção apenas dos clarins

percorre espaço indefeso

acuada a gente

entre o Oiapoque

Copacabana, Rio de Janeiro

para ancorar lá onde fica

o Tocantins


Manaus, 31 de agosto de 2020, quando permanecia em alta o espalhamento da covid-19 nos três Estados – Amapá, Rio de Janeiro e Tocantins.


 
 
 

Então

um ser não-sendo

tornou-o esquecido

desdenhado qual sapato

velho

amarelada a festa

colorida

a vida o sangue

do mais rubro

vermelho


Sequer a manjedoura

pobre digna

onde mirra incenso

ouro sempre cortejado

compensam a perda

deserto a que

nenhum está

infenso


Sem os espinhos

de más coroas

ornamento

de triste safra

verdade sacrificada

não é mais de

nascimento que

se trata

no tempo ingrato

em que quase

tudo falta

desde o bom

senso

a dor que só

maltrata

renascer

em meio às cinzas

diluentes de toda fé

em vil bravata

na coroa

sem espinhos resistentes

pior o padecimento

em vez de festa

dissolveu-se

a alegria em sofrimento

só nos resta

desolado esquecimento

o que não presta e

sempre nos afasta

02.12.2020

 
 
 
bottom of page