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Nem sempre é fácil

encontrar a rima

poetas o sabem

na militância infinda

mas militar é que ensina

se ter arma é bom

melhor será a vacina

mesmo se parece

desejável mais que tudo

a propina

tornando a vida

miserável

tão pequena

mas onde há alma

sendo ela

sonho impossível

sonhado

sempre valerá

a pena...



Manaus, 19.10.2021

 
 
 

Armada é a pátria

e desalmada

vida sôfrega

a que falta qualquer

alma

vontade trôpega

hesitante caminhada

sofrimento humilhação

nenhuma calma


O prato

há tempos não o frequenta

frugal feijão

as ruas sendo o abrigo

de feroz e indigesta

solidão

o que recebe o solitário

não é abraço

amigo

o som parece vir

do pelotão


A todos falta

energia necessária

ao enfrentamento

da pandemia que

assassina

não são poupados

vil comandamento

o velho o adulto

a criança

todos entregues à mesma

trágica sina

que faz soçobrar

a esperança

 
 
 

De súbito

tornou-se o símbolo

fenômeno trópico

nem por isso

típico

resultado talvez do

acúmulo deletério


tragédia

não só pandêmica

obra arquitetônica

lúgubre

elegíaca tétrica

resultado do estímulo

de energúmenos

força virótica

a fazer das esperanças

espectro esquelético

incapaz de vencer arrebanhar

atrair

o agnóstico

em ambiente merencório

transforma tudo

em que toca

cemitério

à custa do maltrato

do impropério

coisa para nunca

ser levada

a sério

maldito prognóstico


cérebros cômicos

trêfegos trânsfugas

previsível tráfico

prática de séculos

sem óculos que os enxerguem

nem ósculos

que seus lábios afaguem

próximos se façam

prósperas máscaras

esconderijo dos inférteis


límpido o tráfego

agentes trôpegos

labirínticos e cônicos

ambientes

feitos depósitos

bárbaros

sem cântico em

côncavos sem pétalas

recolhem-se no recôndito

refratário cínico

mais cômico que

crítico


na lápide de túmulo

a frase merencória

sem metáfora

trágica memória

feita de escória:

aqui jaz o

opróbrio!




 
 
 
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