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Ranieri Botelho


O povo brasileiro não pode aceitar calado a aprovação sorrateira de uma dosimetria realizada na calada da madrugada, sem debate público, sem transparência e à revelia da sociedade. Trata-se de uma manobra grave que abre caminho para o uso da ANISTIA em favor de criminosos que atentaram contra a democracia, planejaram assassinatos e conspiraram contra o Estado Democrático de Direito.

Essa proposta, que na prática se consolida como uma verdadeira PEC DA ANISTIA, representa um escárnio com a Justiça e com o povo brasileiro. Se essa dosimetria vier a ser aprovada no Senado, ela deve, obrigatoriamente, valer para TODOS os presidiários, sem privilégios, sem seletividade e sem proteção política disfarçada de técnica jurídica.

Como se não bastasse essa afronta, causa indignação a postura autoritária de Hugo Motta, que vem acumulando atos incompatíveis com uma democracia. Sua tentativa de censurar a imprensa, a covardia ao determinar a ação da polícia legislativa para a retirada forçada do deputado Glauber Braga, bem como a violência praticada contra profissionais da imprensa, configuram práticas típicas de regimes autoritários — não de um Parlamento democrático.

Esses atos se somam ao histórico da expulsão da imprensa das galerias do Congresso, numa demonstração clara de desprezo pela liberdade de expressão e pelo direito da sociedade de ser informada. O Congresso Nacional existe para defender o povo brasileiro, e não para proteger bandidos, criminosos e conspiradores contra a democracia.

O que se vê hoje é um Congresso que, lamentavelmente, atua como inimigo do povo brasileiro e da pátria, legislando em causa própria e silenciando quem denuncia seus abusos. Ao agir dessa forma, Hugo Motta se coloca como traidor do povo brasileiro, envergonhando a Paraíba e manchando a história parlamentar do país.

O Brasil não pode normalizar o autoritarismo, a censura e a violência institucional. Em 2026, caberá ao povo brasileiro promover uma verdadeira limpeza democrática, retirando das urnas essa corja política que age contra os interesses nacionais e contra o Estado Democrático de Direito.

Democracia não se negocia.

Imprensa livre não se cala.

O povo não esquece.


 
 
 

José Ribamar Bessa Freire

"Sinto-me mais próximo do pólen do que das raizes / O pólen voa, viaja sem rumo, erra, acerta, fecunda”.

(Victor Leonardi. As raízes e o pólen. 2010)


Ele era um incansável viajante. Víctor Leonardi nasceu em 1942, em Araras (SP). O pai médico e a mãe professora incentivaram suas primeiras viagens, aos oito anos quando, encantado, seus olhos navegaram por livros da biblioteca municipal situada ao lado de sua casa. Depois seus pés palmilharam estradas de todos os continentes. Com ele andei por algumas: Bélgica, Holanda, Espanha e Marrocos, além da terra de seus avós - Bidoeira de Baixo (Portugal), lembrança compartilhada com o historiador Francisco Foot Hardman.

Diversos foram os meios de transporte. Cruzou o Brasil do Oiapoque ao Chuí de avião, ônibus, trem e canoa. Percorreu toda a América do Sul por rodovia e pegou carona em navios cargueiros nas Antilhas. Transitou pela Europa, Oriente Médio e África, quando transpôs as dunas do deserto do Sahara cavalgando em um camelo. Fez a travessia por vilarejos do Himalaia montado no lombo de elefante. Encarou Tailândia, Laos, Tibet, Índia e Nepal, onde fotografou rinocerontes. Chegou à Polinésia e à Ilha de Páscoa em barco. Circulou por quase 90 países, em alguns dos quais morou. 

Os roteiros de viagens eram inesperados. Ele dominava A arte de viajar à deriva e ressurgir com paixão – título do seu terceiro livro de poesia. Neste domingo (7/12), esse incansável andarilho realizou sua última viagem, saindo do Cemitério e Crematório Parque das Flores, em São José dos Campos (SP), numa caminhada pela trilha sagrada do Peabiru em direção à Yvy marãe´y – a Terra sem Males dos Guarani. http://www.taquiprati.com.br/cronica/1808-o-viajante-victor-leonardi-o-polen-e-a-raiz


 
 
 

Orlando Sampaio Silva


Quanto ao que eu penso, posso dizer, em poucas palavras, que a HUMANIDADE e a VIDA como um todo no planeta estão caminhando sobre o fio da navalha. Eu teria uma expressão otimista ante o espetáculo natural (da natureza) e humano (que também faz parte da natureza) que está se descortinando no Mundo diante dos nossos olhos se os valores positivos da ética social estivessem prevalecendo. Porém, não é isso que estamos percebendo. Os interesses econômicos imediatistas do capitalismo não permitem que eles (os valores positivos da ética social) predominem ante o risco do desastre vital sobre a face da Terra. A acumulação patrimonial por corporações e diferentes grupos capitalistas tem muita força. Trava-se a luta desigual entre o Bem e o Mal.  Alguns pontos de retorno já foram ultrapassados. O espetáculo é triste. Imagino o que estariam sentindo Jesus e Marx (e tantas outras e outros sonhadoras e sonhadores, que desenharam seus pensamentos e ideias utópicos com grande fervor e esperança) que lutaram por uma sociedade humana justa e feliz, em face da tragédia em andamento. 

Os atos desta peça apocalíptica estão se desenrolando a cada dia em toda a superfície global. Etc. etc. etc.

Que bom seria se a realidade que nos envolve globalmente fosse outra, boa e benfazeja...

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*Pronunciamento de Orlando Sampaio Silva (03/12/2025), após a COP30.


 
 
 
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