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*Confeccionadas pela cronista, compositora, poeta e artista visual VITÓRIA SERÁFICO, os gondoleiros de Veneza serão atração em evento da família da artista, em Belém do Pará, neste sábado gordo.

 
 
 

Vitória Seráfico*


Rio, tu não és de Janeiro;

tu és mais de fevereiro,

com teu samba e carnaval.

Quem canta a tua beleza,

exaltando a natureza,

só porque tens sol e mar,

esquece desses primores

que, à luz dos refletores,

pões na rua a desfilar


       Quem canta, em prosa e poema,

a garota de Ipanema,

do fundo do coração,

esquece o toque do artista

que, na dança do passista,

traz delírio à multidão


Quem canta a tua sereia

que, desnuda na areia,

mostra o corpo bronzeado, .

esquece que, na avenida,

uma noite colorida

é um sonho realizado.


Todos te amamos, ó Rio,

pois, de janeiro a janeiro,

tu tens, sempre, o ano inteiro,

um destaque original.

Mas te prefiro – confesso,

não sendo Rio de Janeiro,

mas sendo de fevereiro   

com teu samba e carnaval.



Ao teu sol, prefiro a lua;

ao teu mar, a passarela,

vendo Mangueira ou Portela,

Mocidade ou Beija-flor.

À tanga, prefiro o samba;

ao biquíni, a fantasia,

que alegra, que contagia,

que nos afasta da dor.


      Aumentando o teu fascínio,

do alto do Corcovado,

o Cristo – que te abençoa -

tem beleza sem igual.

Mas te prefiro – perdoa -

       não sendo Rio de Janeiro,

       sendo Rio de fevereiro,

       com teu samba e carnaval.

__________________________________________________________________________________*A autora, cronista, poeta, compositora e artista visual, terá editadas, amanhã, neste mesmo ESPAÇO ABERTO, peças de sua criação e confecção. As peças, mais o convite para o evento, foram oferecidas a uma das irmãs dela, Maria Lúcia, nascida no primeiro dia de março.


 
 
 

Temos sido impactados por atos bárbaros de violência, já há algum tempo. Na semana passada, as redes sociais foram mais uma vez veículos de ódio contra o Papa Francisco, com "bons cristãos pela família e por Deus" pedindo sua morte.

Esta semana está sendo aberta com a agressão ao Marcelo Rubens Paiva, escritor, cadeirante, cidadão que nunca fez mal a ninguém.

Diante de tanta barbárie, peço licença.

Peço licença a todos para falar de coisas boas. Quero dizer ao mundo que é preciso ter esperança, pois a bondade ainda resiste como prova inexorável da humanidade que temos lá no fundo da nossa alma.

Peço licença a todas as mulheres para lhes dizer que continuem a regar os jardins de flor-de-lótus e sempre-viva. Neles residem o amor à vida e a luta incessante por justiça e igualdade.

Peço licença aos homens para pedir que seus braços se entrelacem aos meus e de todos os espíritos de bem, para que numa manhã de primavera possamos juntos aguar os jardins de flor-de-lótus e sempre-viva cultivados por nossas companheiras.

Nesses jardins, olharemos para o céu e veremos nuvens de muitas cores. Aquelas cinzas já não carregarão raios nem trovões; jorrarão apenas água com gosto de hortelã.

Peço licença aos seres humanos de todas as cores, credos, sexualidades, raças e de bom coração para lhes convidar a construir um mundo melhor, usando como tijolo a solidariedade e o amor. Sei que muitos carregam no sorriso e no gesto um dom natural para edificar a bondade.

Peço que atendam meus pedidos. Eles não são impossíveis. Nasceram daquele desejo enorme de uma criança faminta por comida. Nasceram das lágrimas caídas diante da injustiça, do feminicídio, do preconceito, do racismo e da mentira.

Nossos sonhos e desejos têm dor e resistência. Têm a angústia da distopia que bate à nossa porta, mas têm a alegria de quem nunca vai abrir mão da esperança.

Peço teu abraço e teu apoio para juntos começarmos a construir a justiça social e a felicidade.


Lúcio Carril

Sociólogo


 
 
 
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