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Há um debate antigo nas ciências sociais sobre o marco que separou barbárie e civilização. Alguns autores afirmam ser o uso do fogo; outros, a proibição do incesto. Há, ainda, aqueles que consideram a evolução tecnológica, enfatizando não um marco, mas um processo.

O certo é que vivemos em evolução e involução quando se trata de história. Mas há um processo de desenvolvimento irrefreável, como a tecnologia e os acordos tácitos de civilização, que compreendem normas coletivas de convivência e organização social.

Não é possível aceitar o retorno da barbárie como padrão de convivência ou negação de tudo que foi conquistado pelo processo civilizatório.

As relações sociais e políticas não podem se nortear pela recusa do conhecimento adquirido em milhares de anos, que nos fez chegar aqui com um mínimo de tolerância e respeito à diversidade. A modernidade não é a fase posterior à idade das trevas. Ela é resultado do acúmulo de experiências de vida e da história da humanidade.

É um horror ter chegado ao século XXI com parte da sociedade defendendo a barbárie e dela fazendo seu mote de vida.

Que inferno é esse que essa peste camusiana está querendo nos meter?

Não acredito em inferno, mas me inspiro na Divina Comédia de Dante para indicar o Sétimo círculo – Vale do Flegetonte àqueles que insistem em nos fazer voltar às trevas.

Estamos começando 2026, século XXI, e há uma forte campanha pelo retorno à barbárie, com hordas de negacionistas combatendo a ciência e ameaçando se impor pela violência. A primeira vítima escolhida é justamente a ciência, essa senhora de meia idade que já sofreu horrores nas mãos da Santa Inquisição.

Eis que surgem agora novos perseguidores, saídos das catacumbas do protestantismo neopentecostal e das masmorras da ignorância.

Nessa reaparição dos corneteiros das trevas o foco é o conhecimento, novamente. Mais além, está sob ameaça a civilização e tudo que o ser humano alcançou na sua existência. Pode não ser muito, mas não podemos abrir mão da nossa história.

É preciso segurar os bárbaros e devolvê-los ao planeta da sua existência quadrada. Aqui o mundo é redondo e gira.


Lúcio Carril

Sociólogo

 
 
 

Kakay*


Muito triste e humilhante este entorno dos principais assessores do ex presidente Bolsonaro. É óbvio que ele, o ex presidente, já se revelou um indigente intelectual e uma pessoa com baixíssima capacidade de se situar, se posicionar. Quando era presidente era humilhação permanente.

As cenas do ex presidente em reuniões internacionais eram de matar de vergonha.

Agora a situação é de horror. A tal Zambelli, que votou contra os direitos mínimos- absorvente feminino -das presas quando era deputada, agora se arrasta, se humilhando na prisão italiana. Dà pena. Foi agredida fisicamente na prisão pela prepotência .

O filho Eduardo se gabou de mandar no Trump e afrontou o Brasil. Hoje é uma sombra da prepotência anunciada. Cassado. Humilhado. Vai ser preso.

O governo americano retirou, ou começa a retirar, as sanções criminosas a brasileiros. Uma vitória do governo Lula, da soberania e do povo brasileiro.

Agora a cena patética da prisão do ex diretor da Polícia Rodoviária Federal. Humilhante. Foi preso com um passaporte falso ao entrar no Paraguai- onde não é necessário passaporte para entrar- e, pasmem, com uma declaração por escrito que era surdo, mudo e não poderia responder a perguntas!! Parece brincadeira, mas é verdade. Algo assustador. Disse que tinha um câncer na cabeça, no cérebro. Teratológico. Escatológico. Este cidadão ocupou um cargo importante no governo Bolsonaro. São asquerosos. Não têm nenhuma dignidade.

Tudo deixa claro o porquê os bolsonaristas ficavam horas na porta dos quartéis, fazendo orações para pneus, fazendo sinais de WhatsApp para seres extra terrestres. Porque afirmam que o Lula morreu há anos e tem um sósia no Palácio. É assustador. Este é o grupo que assaltou o país. Que tinha um ministro da saúde, em plena pandemia, que não sabia o que era SUS.

Os líderes da organização criminal já estão presos. Inclusive o chefe, Bolsonaro. Infelizmente não podemos simplesmente esquecer. Este bando criminoso tem que ser responsabilizado. O Brasil merece que esta organização criminosa seja punida. Eles são de muito baixo nível, um bando escatológico que saiu de um esgoto nefasto. Mas que governou o país e saqueou a coisa pública. Não podemos esquecer.

Que vergonha 🙈

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* Antônio Carlos de Almeida Castro é um renomado e influente advogado criminalista brasileiro, conhecido por defender políticos, empresários e celebridades, transitando pelos mais altos escalões do poder, especialmente no STF, e por sua postura crítica e participativa no cenário político nacional. Ele é visto como um defensor dos "poderosos", atuando em casos de grande repercussão como Lava Jato e Mensalão, mas também defendendo o acesso à justiça para os mais vulneráveis, destacando-se por sua personalidade forte e estilo de vida. Foi, durante anos, proprietário do restaurante Piantella, onde se reuniam as figuras mais importantes da República.


 
 
 

Vitória Seráfico*


O pisca-pisca das lâmpadas e aquela musiquinha suave despertaram a atenção de Pedro. Sem entender bem o que era aquilo, o menino se aproximou da Árvore de Natal. Não era muito grande; aproximadamente 1,50 m de altura, mas se tornava quase gigantesca ante a figura franzina do garoto.

    Ele parou para observá-la. Mostrava-se extasiado com a beleza daquele vistoso objeto, até então desconhecido para ele, com bolas multicoloridas, brilhantes, num constante acender e apagar, além da música tão bonita que invadia o ambiente. Diante da Árvore, a criança sonhava. E conversava. Sim, Pedrinho punha-se a “conversar” com a Árvore de Natal:

         - quem é você?

         - Eu sou uma Árvore de Natal.

- Árvore ... de... Natal? Eu não sabia que existia árvore de Natal. Na minha rua há muitas árvores; mas eu não sabia que o Natal tem árvore!

- Natal tem árvore, sim.

- E quem plantou você aí?

- Ah, quem me plantou aqui? O Amor.

- O Amor? Não entendi! Amor a gente nem vê! Não tem pernas nem braços; como é que pode plantar alguma coisa? Você está brincando. Me diga: quem plantou você aí?

- O Amor, já disse.

- Mentira sua. Você está mentindo pra mim.

- Meu menino, foi o Amor que me plantou aqui. Mas eu não estou só aqui. Eu estou também no coração das pessoas.

- O quê? No meu coração não há nenhuma árvore de Natal. Você está é maluca!

- Estou, sim, no seu e no coração de todas as crianças. E mais: no coração de todas as pessoas que sabem o que é AMOR.

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*Formada em Letras, pela Universidade Federal do Pará, a autora é cronista e artista visual. Vez por outra, comete alguma letra de composição musical. É uma das colaboradoras deste blog.

 

 
 
 
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