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Certamente ato da maior gravidade que todos os demais, o registro na ata da mais recente reunião do COPOM agride o senso comum e o conhecimento de importantes estudiosos da Economia. Mais grave, ainda, é a agressão aos brasileiros, com todas as vicissitudes que a desigualdade impõe. Ao informar que a elevadíssima taxa de juros pode chegar a patamar ainda maior que o ora fixado (13,75%), o Conselho de Política Monetária não só desafia os poderes da república, pois comete imperdoável agressão ao povo brasileiro. Ao contrário da expectativa da maioria dos especialistas, a taxa não fol alterada para baixo. Pior que isso, a probabilidade de sua majoração sequer vem inscrita nas entrelinhas. Ela é explícita, com o que comprova de vez a inadmissihilidade da soberania do Banco Central e daquele Conselho, ambos sobrepostos à autoridade do Presidente da República, das duas Casas do Congresso e do Poder Judiciário. Pelo menos em termos de política econômica, financeira e monetária, a autoridade máxima se vê deslocada para o BCB e o COPOM. Por mais que alguém lembre certa similitude com o chamado gabinete paralelo, este não é tão danoso quanto a ostensiva hostilidade daqueles dois órgãos à vontade popular, de que o governo eleito é portador. Erros e acertos governamentais, em especial os que se relacionam ao combate à inflação e aos investimentos públicos não podem mais ser atribuídos ao poder central, mas àqueles órgãos, transformados em inimigos da República. Nunca é demais lembrar que metade do orçamento público nacional é destinado ao pagamento de dívida que, por mais que isso seja reivindicado, não se deixa auditar.

 
 
 

O vice-Presidente Geraldo Alckmin presidirá a reunião do Conselho de Administração da SUFRAMA - CAS. Ex-governador de São Paulo, os sucessivos mandatos por ele exercidos levaram-no a ser visto como inimigo da zona franca de Manaus. Num certo sentido, esse sentimento generalizado entre os que não sabem o significado do arranjo federativo, ocultou os vírus instalados nos 10.000 km2 do território a que se aplicam o Decreto n° 200 e legislação posterior. É como se cobrássemos do governador paulista o cumprimento de promessas que ele jamais nos fez. Afinal, seus eleitores naquelas disputas moravam e ganhavam a vida lá, não em território amazônico. Muitos deles, levando os ganhos daqui para aquela unidade da Federação, em geral assegurando crescente qualidade de vida aos acionistas ou proprietários de lucrativas plantas industriais beneficiadas com os incentivos fiscais aqui vigentes. Enquanto governador de São Paulo, à população dali é que Alckmin deveria prestar contas e cumprir promessas. Agora, é outra a posição do político nascido em Pindamonhangaba. Seus compromissos, como o do seu companheiro na chapa vitoriosa, referem-se à população brasileira. Se, diferentemente da maioria, ele entende o significado da Federação e os deveres de quem está no topo da hierarquia federativa, imaginá-lo gratuitamente hostil à zona franca ou a qualquer outra iniciativa de qualquer unidade federada pode ser enorme equívoco. A não ser que haja a oculta intenção de tirar proveito de caráter nada coletivo. Alckmin, como tantos outros que entendem um pouco das relações da zona franca, sabe como ela é importante para o Estado por ele quatro vezes governado. Quem sabe, na posição em que agora se encontra, ele acaba propondo algo benéfico à ZFM, à Amazônia e a todo o Brasil? Que isso não é possível, que o demonstrem os burocratas viciados em rotinas e cultores do passado.


 
 
 

Conhecem-se como varões de Plutarco aquelas pessoas dotadas de comprovada idoneidade e ilibada conduta. Mesmo sabendo quão reduzidas numericamente elas vão se tornando, não há como evitar certas comparações. Neste caso, da Antiguidade com estes dias que se dizem de irrecusável progresso. Naquele tempo, o historiador romano indicava os servidores mais próximos dos governantes, que lhes ouviam os conselhos e recomendações. Sem receberem propinas, promessas ou presentes, tais auxiliares passaram à História porque se mantinham fiéis e obedientes aos interesses da coletividade - resumidamente, a res publica. Neste período em que a contemporaneidade empreende caminho de volta à barbárie, proliferam as varejeiras, à falta dos varões. Moscas facilmente atraídas pelo menor e adocicado quitute, elas levam seus trágicos apetites a todos os lugares. Quando não ocorre de se ocuparem em buscar alimento nas lixeiras. Não importa se isso destine suas vítimas à cova de um cemitério ou às quatro paredes de uma prisão. Se a justiça humana, mesmo republicana, prolonga o período de desfrute de sua maldosa predação, a História se incumbe de apressar a punição. Umas, vendo-se constrangidas a devolver objetos de sua apropriação indébita; outros, sendo defendidos e protegidos pelos que um dia se viram perseguidos e injustiçados pela parcialidade já devidamente constatada. Se - e quando - chegar, a justiça dos homens talvez encontre as varejeiras convivendo sobre outras mesas onde a culinária seja mais farta e doce. Mesmo que de seus antigos inimigos. Sabor nào é saber.

 
 
 
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