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Tenho ouvidos e olhos abertos

e a vontade imensa de

aprender

busco encontrar nas estrelas de Bilac

a verdade que levou os reis

ao mágico encontro

esmirrada manjedoura

onde nascia sem desdouro

melhor senso das coisas e das gentes


perco - quem sabe ganho

o tempo

e não é pouco o tempo

nem escasso o caminho

percorrido

sempre que a busca faz sentido

mesmo se tarde o que ainda

não ocorre


mostrem-me contudo

com clareza necessária

o que não sei e quero saber

com uma só certeza

bem sabida

a de que a esperança

nunca morre.


Manaus, 18.10.2022


 
 
 

Aparecem os primeiros registros do desvio de armas de fogo adquiridas sob o patrocínio e estímulo do (des)governo federal. Por enquanto, as suspeitas recaem sobre empresário que, como de costume quando se trata de gente "de bem", tem seu nome protegido pelas próprias autoridades. Com o silêncio conivente, para não dizer cúmplice, dos próprios meios de comunicação. É quase certo não se tratar de algum quitandeiro da periferia. O cuidado de esconder, se beneficia o suposto delinquente, faz muito mal aos seus colegas. A população tem fundadas razões para suspeitar de todos. Por isso, parece de bom aviso as autoridades tratarem de identificar quem está posto sob suspeita, cabendo aos media o cumprimento do papel que lhes cabe - dar ampla divulgação dos fatos e de seus agentes. Não fica, todavia, circunscrita a esses dois grupos (autoridades e meios de comunicação) a obrigação, a não ser que haja mais de um (ou, quem sabe, uma organização com numerosos participantes) envolvido no crime. Daí que talvez interesse às entidades representativas do empresariado ver tudo suficientemente esclarecido. Para tanto, bem que se poderia esperar a mesma pressão feita sobre os agentes públicos, sempre que alguma isenção de tributos, facilidades bancárias ou concessão de favores de toda ordem podem facilitar-lhes os negócios ou amentar seus lucros. Enquanto perdurar o ocultamento da identidade do(s) suspeito(s) todos atrairão, com sobradas razões, as suspeitas para si mesmos. Tanto se tem falado em corrupção, ainda que no Brasil ela aparente não envolver duas partes - a que oferece e paga propina e os que a recebem. Quando, porém, o delito envolve os que nos são mais próximos, às vezes até participando dele os círculos mais próximos dos catões de algibeira, o costume é fazer boca de siri. Ou estou dizendo algo inédito?

 
 
 

Longe de mim imaginar que há alguma intenção obscura na decisão dos 224 deputados. O fato, porém, é que eles foram mais numerosos que 135 de seus colegas, que aprovavam a inversão da pauta da Câmara Federal. Alterada, a proposta de classificar a pedofilia como crime hediondo, que dorme desde 2015 em alguma das importantes gavetas do Congresso Nacional seria apreciada e votada em regime de urgência. A rigor, não há surpresa, sequer decepção na votação da maioria. Nem é justo, ainda, ir além da suspeita de que a votação representa interesses espúrios mais que vocação dos que a barraram. Afinal, potência não basta para consumar o ato, qualquer ato. É verdade que os dias que vivemos não são dos mas dignificantes. Mesmo sob pesado manto de segredos, como se a suspeita já fosse um prêmio aos que as produzem. Ainda assim, e os ouvidos exaustos de ouvir proclamações de suposta defesa da família, de um deus ocupado em produzir e distribuir maldades, falso patriotismo e portentosa hipocrisia, a inclusão da pedofilia no rol da hediondez seria - tímido que fosse - sinal de que algo pode mudar. Vê-se, porém, não ser o caso. A votação retrata apenas o clima pintado pelas piores cores com que se possa desenhar o tamanho e a gravidade da tragédia brasileira. Já nem adianta mencionar a contribuição que para ela têm levado autoridades públicas e pessoas influentes na sociedade. Talvez porque, tendo filhas, sobrinhas, afilhadas e netas, pensam que as armas com que abastecem seus arsenais particulares bastarão para tornar essas pessoas que se pensa merecedoras do seu afeto (acaso ele exista), imunes ao ataque de algum pedófilo. Se uma dessas pessoas, antes mesmo de serem assediadas, não tiverem sido queimadas vivas. Esse é o desejo manifesto de um ainda parlamentar gaúcho, mandado para casa pelos eleitores desse Estado sulista, no último dia 2.

Quem desejar saber mais sobre o assunto e o Projeto de Lei 1.776/2015 pode acessar o Congresso em Foco, na internet. Inclusive, o nome dos parlamentares que trazem a tranquilidade aos pedófilos.

 
 
 
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