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Potencialidade

Longe de mim imaginar que há alguma intenção obscura na decisão dos 224 deputados. O fato, porém, é que eles foram mais numerosos que 135 de seus colegas, que aprovavam a inversão da pauta da Câmara Federal. Alterada, a proposta de classificar a pedofilia como crime hediondo, que dorme desde 2015 em alguma das importantes gavetas do Congresso Nacional seria apreciada e votada em regime de urgência. A rigor, não há surpresa, sequer decepção na votação da maioria. Nem é justo, ainda, ir além da suspeita de que a votação representa interesses espúrios mais que vocação dos que a barraram. Afinal, potência não basta para consumar o ato, qualquer ato. É verdade que os dias que vivemos não são dos mas dignificantes. Mesmo sob pesado manto de segredos, como se a suspeita já fosse um prêmio aos que as produzem. Ainda assim, e os ouvidos exaustos de ouvir proclamações de suposta defesa da família, de um deus ocupado em produzir e distribuir maldades, falso patriotismo e portentosa hipocrisia, a inclusão da pedofilia no rol da hediondez seria - tímido que fosse - sinal de que algo pode mudar. Vê-se, porém, não ser o caso. A votação retrata apenas o clima pintado pelas piores cores com que se possa desenhar o tamanho e a gravidade da tragédia brasileira. Já nem adianta mencionar a contribuição que para ela têm levado autoridades públicas e pessoas influentes na sociedade. Talvez porque, tendo filhas, sobrinhas, afilhadas e netas, pensam que as armas com que abastecem seus arsenais particulares bastarão para tornar essas pessoas que se pensa merecedoras do seu afeto (acaso ele exista), imunes ao ataque de algum pedófilo. Se uma dessas pessoas, antes mesmo de serem assediadas, não tiverem sido queimadas vivas. Esse é o desejo manifesto de um ainda parlamentar gaúcho, mandado para casa pelos eleitores desse Estado sulista, no último dia 2.

Quem desejar saber mais sobre o assunto e o Projeto de Lei 1.776/2015 pode acessar o Congresso em Foco, na internet. Inclusive, o nome dos parlamentares que trazem a tranquilidade aos pedófilos.

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