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Ontem, afinal, foi desfeito o nó górdio. Ficou transparente o significado de expressão dita pelo Presidente da República, quando indicou André Mendonça para o STF. Um dos dois membros da bancada governista na cúpula do Poder Judiciário, o ex-Advogado Geral da União (na prática advogado da Família Presidencial) chegou ao posto com a credencial de ser terrivelmente evangélico. Nenhuma outra qualidade pesa mais nas decisões do Chefe do Poder Executivo do Brasil, a nação transformada em monarquia teocrática, na reprodução do regime dos Médici e Bórgia, italianos da Idade Média. Não faltam episódios que ligam aquelas casas reais italianas ao Brasil atual. Só a um Presidente antes excluído de, seja lá qual for a organização, por envolvimento em ato terrorista, ocorreria fazer de um semelhante membro da corte constitucional de sua nação. Pior, confessar as torpes razões por que o fazia. Em pleno sistema republicano e, mais grave, num Estado Democrático de Direito. Quando pintou o clima, tchibum! ele levou o terrorismo do seu agrado àquele tribunal. A compensação não demorou. Para tanto, concorreu outro aspecto também do agrado presidencial, ao encontrar o que o romancista Nabokov chamava Lolita. Pareceu ao homem denunciado por pedofilia e ao seu protetor judicial chegada a hora do ajuste de contas. Ainda não sei se a matéria será levada ao plenário do Supremo Tribunal Federal, mas duvido que o terrorismo evangélico de Mendonça prosperará. Há outra questão atual, que entendo exigente de análise atenta. Aparentemente distante do terror evangélico de que o ministro André Mendonça carrega o estandarte, essa questão se insere no terrível quadro do ambiente político produzido a partir do Palácio do Planalto. Mesmo se o ato inaugural da trajetória do mesmo condutor se tenha dado décadas antes, quando a população da cidade do Rio de Janeiro teria comprometido o abastecimento de água. No caso mais recente, tento entender as especulações sobre o destino dos votos até aqui contados como nulos, brancos ou, mesmo, referidos a algum dos dois candidatos do segundo turno. Não descarto, pelo que tenho lido, visto, ouvido e vivenciado, a hipótese de muitos dos eleitores consultados estarem enganando os pesquisadores. Enquanto de Lula, pelo que o ex-Presidente tem dito e seus dois períodos instalado no Planalto o comprovam, é assegurado o direito de votar e não sofrer represália. Do outro, a experiência de que Sérgio Moro se fez denunciante inibe o eleitor. Se Lula diz que governará para todos, seu concorrente promete eliminar os que considera inimigos. Se isso não é uma forma de manter o terror por ele gerado, todos os dicionários têm que ser revistos. A comparação inevitável, colocando-se palavras e atos de um e do outro, lado a lado. O desejo de matar e a aptidão para fazê-lo pouco mencionada pelos opositores (ele prefere chamá-los inimigos) foram por ele mesmo confessados. De Lula, o que se ouviu ainda ontem é que governará para todos os brasileiros. Com o aval de sua conduta, quando presidiu a república. A paz de um lado, o terror do outro. O amor e o cuidado opondo-se ao ódio e à mentira. Nunca foi tão fácil escolher!


 
 
 

Os que tentam promiscuir religião com política acabam de contrair nova dívida, com a sociedade e o deus em cujo nome dizem falar. Duas pontes caíram na BR-319, no Amazonas. Porque habituais e fartamente justificadas, logo surgiram suspeitas de desvio de recursos ou, no mínimo, pagamento antecipado de obras e serviços relativos à manutenção das pontes. Por se tratar de suspeitas e interpretações raramente e cristalinamente esclarecidas, convém acrescentar aspecto de algum modo esquecido. Não é mais do desvio dos recursos ou do propinoduto profundamente radicado nesse setor governamental, que se deve falar. Entregá-los às autoridades policiais e controladoras da administração pública é quanto deve ser feito agora. Acrescentar ao rol dos crimes cuja apuração é da área policial a associação de agentes públicos e as respectivas agências, com os fatos, não pode ser dispensado. As pontes que caíram haviam sido dadas como seguras. Recente vistoria promovida pelo DNIT atribuiu nota 4, quando o máximo é 5, às condições das duas "obras de arte", como as classifica o jargão da engenharia de transportes. Nada menos que estender a todos os setores e a todas as funções governamentais a prática característica dos que mandam e pretendem continuar mandando: mentir, mentir, mentir mais e sempre mentir. Logo aparecerão os que dirão ser a queda das duas pontes uma determinação do deus perverso a que dirigem suas perorações. Como o viram nossos antepassados nas pestes, e como o veem hoje os que encaram a pandemia como uma gripesinha que mata quase 700.000 pessoas, porque um dia todos morreremos. Sequer passa pelas mentes que inventam mentiras, a possibilidade de outros deuses estarem fazendo deles mensageiros da desgraça. Uma espécie de condenação pelos tantos males que têm feito e prometem continuar fazendo.

 
 
 

Já não pegam ninguém desprevenido as estrepolias e encenações do Presidente e seu rebanho. Cada novo episódio em que ele e seus fanatizados seguidores se envolvem, tem de diferente apenas o lugar em que ocorre. Às vezes, a presepada conta com notórios e reincidentes protagonistas O objetivo é sempre o mesmo e a encenação liga-se ao mesmo fio condutor - melar o processo eleitoral, agredir a Constituição e preparar a recusa do resultado eleitoral. Gerar o caos e dele recolher os benefícios esperados. Segundo as aproximações sucessivas caraterísticas do mundo da guerra, por ele mesmo ou seus prepostos, sucedem-se as tentativas de criar o clima para rejeitar o que as urnas disserem. Desde que elas contrariem o projeto de ditador que o ex-capitão excluído das forças persegue com o mesmo vigor com que mente. Faz pouco tempo, seu protegido Daniel Silveira ganhou indulto sui-generis, correspondente ao insulto cometido pelo protetor a todos os brasileiros desacostumados da vida em cercadinhos ou chiqueirinhos. Agora, outro dos seus enfant-gatés, vê-se em apuros. Apuros anteriores resultaram na condenação do amicíssimo Roberto Jefferson, depois beneficiado pela prisão domiciliar. Como há indivíduos cuja vocação para o crime é irresistível, o Presidente do PTB seguiu seu caminho marginal e descumpriu todas as obrigações decorrentes da cômoda privação da liberdade. Ao cumprir o dever legal de prender o delinquente e pôr fim à prisão domiciliar, os agentes da Polícia Federal foram recebidos a bala, materializando ameaça antes verbalizada por seu parceiro e líder. Em que pese a reação do inspirador e patrocinador, classificando-o como bandido, ninguém além de Roberto Jefferson se mostrou mais fiel à lição do chefe. Atirar 3 granadas e disparar 50 projéteis contra quatro membros da Polícia Federal terá sido a maior prova de fidelidade de um discípulo em toda a História da Educação universal. Isso dá direito ao Presidente do PTB de exigir isonomia de tratamento. E reivindicar o indulto ganho pelo outro fanfarrão que as urnas de 2 de outubro devolveram à obscuridade.

 
 
 
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